O Governo de São Paulo pretende reorganizar a promoção turística de seus 284 municípios classificados como estâncias ou cidades de interesse turístico. A proposta da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) é reunir essa oferta em dez a 12 roteiros regionais, cada um com identidade própria, em vez de apresentar centenas de destinos individualmente aos viajantes.
A estratégia foi apresentada nesta quarta-feira (7) por Ana Biselli Aidar, secretária de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, durante encontro do Núcleo de Turismo do Conselho de Política Urbana e Meio Ambiente (CPMU) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Segundo a secretária, a intenção não é selecionar apenas dez cidades para promoção. Todos os municípios turísticos deverão estar inseridos em algum dos roteiros. “É possível vender e estruturar de 10 a 12 destinos”, afirmou.
A lógica é simplificar a escolha do viajante e, ao mesmo tempo, estimular sua permanência em diferentes localidades de uma mesma região. Entre os exemplos apresentados está a Serra da Mantiqueira, reunindo São Bento do Sapucaí, Campos do Jordão e Santo Antônio do Pinhal. Outro é o circuito “fé, serra e mar”, conectando Aparecida, áreas de montanha e o litoral.
Turismo paulista deve movimentar R$ 369,4 bilhões
A regionalização ocorre em um cenário de expansão da atividade. Segundo projeções da Setur-SP, o turismo deve movimentar R$ 369,4 bilhões no Estado até o fim de 2026, equivalente a 9,9% do Pib paulista.
A estimativa aponta ainda para cerca de 1 milhão de empregos diretos e 52,8 milhões de visitantes no período. Um dos desafios identificados pelo governo é ampliar a distribuição desse fluxo, atualmente concentrado na capital.
Para estruturar a estratégia, a secretaria trabalha em três frentes: território, negócios e pessoas. O Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos (Dadetur) deverá considerar com maior peso os planos municipais e regionais e a capacidade das prefeituras de executar os projetos na definição dos repasses.
Já o Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET) deverá incorporar informações de telefonia móvel para acompanhar os deslocamentos dos visitantes.
Infraestrutura e iniciativa privada entram na estratégia
A política estadual inclui ainda 13 estruturas náuticas em funcionamento e outras 22 previstas para o próximo ciclo, além de produtos como as rotas do vinho, café, cachaça, queijo e cerveja.
A Setur-SP também discute com a Casa Civil a governança dos distritos turísticos, buscando melhorar a articulação entre municípios, diferentes áreas do governo e investidores.
“Não dá para fazer turismo sem o privado e não dá para fazer turismo sem o público”, afirmou Ana Biselli. A secretária defendeu ainda que os resultados sejam avaliados não apenas pelo volume de visitantes, mas também pelo tempo de permanência, gasto no destino e qualidade de vida da população local.
Durante o encontro, Fábio Godinho, executivo com passagens pela CVC Corp, GJP Hotels & Resorts e Webjet Linhas Aéreas, defendeu maior continuidade das políticas nacionais para o setor e apresentou uma proposta própria de planejamento de longo prazo, com investimentos em infraestrutura, segurança, portos, aeroportos, conectividade aérea e promoção internacional.









