O encerramento das atividades da Machu Picchu Brasil, em meio a dificuldades econômico-financeiras, deveria provocar uma discussão mais ampla no Turismo. E faço uma pergunta que talvez incomode: por que precisamos esperar uma operadora parar de operar para descobrir que havia um problema?
O episódio escancara uma fragilidade: como funciona a fiscalização e o acompanhamento da saúde financeira das empresas que recebem antecipadamente o dinheiro para entregar viagens no futuro?
Se uma empresa administra valores antecipados de consumidores, não deveria existir algum mecanismo de acompanhamento capaz de identificar quando aquela operação entra em uma zona de risco?
Quem fiscaliza? Quem monitora? Quem identifica os sinais de alerta? Quem protege o consumidor e o agente antes que o prejuízo aconteça? Quando a crise explode, a conta não fica restrita à empresa.
O passageiro procura a agência. O agente precisa dar explicações. A agência corre atrás de reservas, fornecedores, reembolsos e alternativas. E, muitas vezes, o profissional que vendeu de boa-fé acaba na linha de frente de um problema que não criou. Isso é justo?
Precisamos discutir não apenas o que fazer depois da crise, mas o que poderia ter sido feito antes. Prevenção não é burocracia. É proteção. E, quando ela falha, quem paga a conta? O consumidor. O agente. A agência. E a credibilidade de todo o nosso mercado.








