Temporada de cruzeiros 2026/2027 terá oito navios e oferta de leitos 24% maior no Brasil

Operações começam no fim de outubro e seguem até abril de 2027, com capacidade superior a 800 mil leitos, cerca de 700 escalas e retorno de Paranaguá como porto de embarque

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

A temporada brasileira de cruzeiros marítimos 2026/2027 terá início no fim de outubro, com oito embarcações dedicadas às operações regulares no litoral nacional, uma a mais do que no ciclo anterior. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil), divulgado pelo Ministério do Turismo, a capacidade poderá ultrapassar 800 mil leitos ofertados, crescimento aproximado de 24% em relação à última temporada. A programação, que se estenderá até 9 de abril de 2027, prevê cerca de 700 escalas. O primeiro embarque ocorrerá em Santos (SP), a bordo do Corazul Buenavista. Também estarão em operação Costa Diadema, Costa Serena, MSC Divina, MSC Musica, MSC Seaview, MSC Splendida e MSC Virtuosa, com itinerários que incluem minicruzeiros e viagens de sete ou oito noites.

O aumento da capacidade representa uma perspectiva positiva para a movimentação turística e econômica das cidades atendidas pelas embarcações. “O Brasil é líder do setor de cruzeiros na América do Sul, e esse crescimento de 24% na oferta prova a força do nosso litoral. A cada navio que atraca, uma cadeia imensa de serviços é ativada, beneficiando quem vive do turismo. O Ministério do Turismo atua para tornar esse mercado cada vez mais forte, pois ele é estratégico para atrair turistas internacionais, integrar o nosso continente e dar visibilidade global à diversidade dos nossos destinos”, ressalta o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.

Portos e destinos da temporada

Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Maceió, Itajaí, Balneário Camboriú e Paranaguá serão os portos utilizados para embarque e desembarque de passageiros. Entre as principais mudanças está o retorno de Paranaguá à programação regular, com novas possibilidades de acesso aos cruzeiros na região Sul. Balneário Camboriú, que passou a receber embarques na temporada 2025/2026, terá maior participação nas operações por meio da estrutura alfandegada do Atracadouro Barra Sul, com potencial para estimular a demanda por hospedagens e serviços turísticos antes e depois das viagens.

Apesar da expansão, a Clia Brasil avalia que o país ainda precisa superar obstáculos para disputar novas operações com outros mercados internacionais. “A oferta 24% maior marca um início de recuperação e amplia as opções para os viajantes e as oportunidades para os destinos. Precisamos, porém, olhar para esse movimento com objetividade: ele foi influenciado por rearranjos de mercado e pelo cenário geopolítico internacional e não significa que o Brasil tenha superado seus desafios de competitividade. Agora, precisamos transformar essa recuperação em crescimento consistente, com infraestrutura adequada, custos competitivos, previsibilidade e segurança jurídica. O Brasil disputa navios com mercados do mundo inteiro, e avançar nessas condições é fundamental para manter as operações que temos e conquistar novas embarcações”, afirma Marco Ferraz, presidente executivo da CLIA no Brasil.

Os roteiros nacionais contemplarão escalas em Búzios, Angra dos Reis, Ilha Grande, Cabo Frio, Ilhabela, Recife, Ilhéus e Porto Belo, entre outros destinos. As viagens também incluirão cidades sul-americanas, como Buenos Aires, Montevidéu e Punta del Este, com opções que combinam diferentes países em um mesmo itinerário. “Em uma mesma viagem, o passageiro pode conhecer diferentes lugares sem precisar reorganizar malas, hospedagens e deslocamentos a cada parada”, destaca Gustavo Feliciano.

Consideradas as operações de cabotagem e de longo curso, Santos liderará a movimentação prevista, com 161 escalas e mais de 640 mil leitos. O Rio de Janeiro terá 125 escalas e capacidade superior a 316 mil leitos, enquanto Búzios deverá receber mais de 400 mil visitas em 108 paradas. Ilhabela contará com 60 escalas e mais de 208 mil visitas. Na região Sul, Balneário Camboriú terá 52 escalas e Itajaí, 40. No Nordeste, Salvador receberá 47 escalas, com aproximadamente 182 mil leitos, enquanto Maceió terá 26 escalas e oferta superior a 137 mil leitos.

A movimentação dos cruzeiros beneficia diferentes atividades ligadas ao turismo, entre elas receptivos, transporte, serviços portuários, restaurantes, comércio, artesanato e passeios turísticos. Nas cidades que recebem embarques e desembarques, a circulação de passageiros também pode impulsionar a ocupação hoteleira e a utilização de aeroportos, além de estimular o consumo em estabelecimentos locais nos períodos anteriores e posteriores às viagens.

Um estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas, em parceria com a Clia Brasil, dimensiona os efeitos econômicos da atividade. Na temporada 2025/2026, o impacto econômico direto, indireto e induzido por cruzeirista alcançou R$ 800,98 nas cidades de escala. Já nos destinos de embarque e desembarque, o valor chegou a R$ 962,55 por passageiro, resultado associado à maior permanência e ao consumo de serviços complementares.

Além das oito embarcações destinadas à cabotagem, a temporada 2026/2027 contará com a passagem de 28 navios internacionais de longo curso, pertencentes a 22 companhias. Essas operações deverão realizar mais de 200 escalas em 32 portos e pontos de parada distribuídos pelo litoral brasileiro, incluindo localidades fora dos circuitos tradicionais e destinos da região amazônica.

Perfil dos cruzeiristas

A oferta de hospedagem, alimentação, entretenimento e transporte entre diferentes destinos em um único produto é um dos fatores que contribuem para a atratividade dos cruzeiros. As companhias disponibilizam experiências voltadas a famílias, casais, grupos de amigos e viajantes individuais, com atividades destinadas a diferentes faixas etárias e perfis de consumo.

Segundo o levantamento da Fundação Getulio Vargas e da Clia Brasil, os passageiros da última temporada tinham idade média de 45 anos. As mulheres representaram 54,6% do público, enquanto 85,8% dos entrevistados realizaram a viagem acompanhados. O estudo também identificou que 74% dos cruzeiristas tinham entre 26 e 55 anos, faixa etária predominante entre os consumidores do produto.

A experiência de viajar de navio foi apontada como principal motivação por 44,2% dos entrevistados. Em seguida apareceram as férias, mencionadas por 21,8%, e a possibilidade de visitar diferentes destinos durante a mesma viagem, citada por 15,3%. Na decisão de compra, o destino apresentou importância semelhante à do preço, o que evidencia a influência dos itinerários e das cidades visitadas na escolha dos passageiros.

Os indicadores de satisfação também foram elevados. Entre os participantes da pesquisa, 98,5% declararam que a experiência correspondeu ou superou suas expectativas, enquanto 91,7% manifestaram intenção de realizar outro cruzeiro. A relação entre custo e benefício recebeu avaliação média de 9,26 pontos, em uma escala de zero a dez.

Os agentes de viagens permaneceram como o principal canal de consulta dos consumidores, procurados por 45,2% dos passageiros durante o planejamento. O percentual ficou à frente das redes sociais, das indicações de amigos e familiares e dos canais digitais das próprias companhias marítimas, o que demonstra a relevância da intermediação profissional na comercialização dos cruzeiros.

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