Accor mantém adaptações para atrair público externo

Os chamados não hóspedes são um dos principais trunfos da Accor para crescer em 2022, projetando alcançar os índices de 2019

Vinicius Motter, gerente Geral do Ibis São Paulo Ibirapuera - accor
Vinicius Motter, gerente Geral do Ibis São Paulo Ibirapuera

A pandemia mudou os hotéis. Não é novidade que os ambientes internos de diversas propriedades em todo o Brasil assumiram uma função e/ou identidade para se adequar ao turismo dos últimos dois anos, que ganhou caraterísticas jamais projetadas. Com a Accor, não foi diferente.

Acostumada a receber um público majoritariamente composto pelo corporativo e de negócios, principalmente nas suas marcas mid-scale, o avanço dos hóspedes de lazer fez com que uma série de adaptações e mudanças fossem promovidas para melhor receber o “novo grupo” de clientes.

Uma dessas mudanças foi a readaptação de espaços internos, principalmente, os relacionados com alimentos e bebidas, conhecido pela sigla A&B. Atualmente, de acordo com a Accor, o segmento representa metade da receita dos hotéis da rede no Brasil, sendo que a outra parte é proveniente das diárias.

Nessa linha, o Ibis São Paulo Ibirapuera, localizado na capital paulista, reestruturou seu bar. Reaberto na quinta-feira (17), o U!mano traz um conceito mais leve, rústico e menos corporativo para o empreendimento.

O ambiente, reaberto em meados de março, trouxe elementos para atrair ainda mais o público externo, tanto que uma das entradas é voltada para a rua, sem a necessidade de passar pelo lobby do hotel.

“A ideia foi reestruturar o nosso ambiente interno e trabalhar ainda mais o A&B. Nisso, trouxemos um conceito mais leve e menos corporativo, em uma região que precisava de um bar como esse”, apontou Vinicius Motter, gerente Geral do Ibis São Paulo Ibirapuera.

“Precisamos trabalhar cada vez mais para que o público externo fique mais confiante e confortável para entrar e consumir dentro do hotel”

Vinicius Motter

O executivo também celebrou o momento de alta para o empreendimento, destacando um primeiro trimestre de crescimento na receita, especialmente com o retorno gradativo dos eventos que movimentam o público de negócios.

“O primeiro trimestre foi muito bom, tendo crescimento mês a mês, não só com A&B, mas no hotel como um todo, seja na ocupação ou no revpar. Março foi o maior destaque já que marcou a realização de diferentes eventos na cidade, o que é muito importante para nós”, salientou Motter, que não descartou ainda mais mudanças e investimentos internos no Ibis São Paulo Ibirapuera.

Accor: Expansão contínua no Brasil

Atualmente, a América do Sul tem 411 hotéis da Accor distribuídos em diferentes países. Contudo, a grande maioria dos empreendimentos está concentrada no mercado brasileiro que, em breve, terá a abertura de uma nova bandeira da rede: o Jo&Joe, no Rio de Janeiro, até o fim do primeiro semestre deste ano.

Com um conceito de albergue, o empreendimento carioca, localizado no Largo do Boticário, terá 320 camas distribuídos em 80 quartos. O complexo terá ainda restaurante, dois bares, áreas sociais, três piscinas, salão de jogos e espaço de coworking com sala privativa.

A expansão hoteleira no mercado brasileiro não para por aí. Segundo Olivier Hick, Chief Operating Office (COO) da Accor para o Brasil, a rede abriu 22 hotéis em 2021 e ao longo de 2022 devem ser inaugurados mais 18 hotéis, espalhados em diferentes regiões do país, e de diferentes bandeiras do grupo. Se engana quem pensa que o número considera conversões e troca de bandeiras. Todos serão empreendimentos resultantes de novas construções.

Olivier Hick, COO da Accor no Brasil
Olivier Hick, COO da Accor no Brasil

“Trabalhamos muito na pandemia com um novo segmento de lazer e ficamos surpresos que mesmo os hotéis Ibis Budget ou Ibis vermelho tiveram alta nesse mercado, que não existia antes e deixou a ocupação próxima de 100% em diferentes momentos”, apontou Hick, ressaltando ainda a recuperação revpar por todo o país.

De acordo com o executivo, a retomada para níveis próximos de revpar registrado em 2019, começou já em outubro de 2021 e, desde o início do ano, o índice cresceu em quase 30%, ficando bem próximo ao registrado no pré-pandemia.

“Antes mesmo da pandemia, em 2019, já trabalhávamos com a mudança dos conceitos dos hotéis e sabíamos da necessidade de passar uma ‘energia’ diferente, além de recrutar pessoas mais diversas, em um movimento de mudança de cultura que passa por todos os nossos gerentes gerais, dando mais liberdade para os colaboradores e um ambiente menos formal para os clientes”, salientou o executivo, apontando que a recuperação do índice na cidade de São Paulo deve levar um pouco mais de tempo do que as demais, mas já está ocorrendo.

Apesar do entusiasmo e foco atual nas adaptações para o público de lazer, Hick mantém a aposta que o corporativo deve retornar forte em algum momento deste ano, apontando ainda que cerca de 90% da movimentação dos hotéis no Brasil é de viajantes nacionais, seja a lazer ou de negócios.

Novos espaços e conceitos

Outro conceito trazido pela Accor para o Brasil que impulsionou os índices ao longo de 2021 foi a chegada do espaço de coworking Wojo. Oferecendo Wi-Fi gratuito e salas de reuniões para quem busca montar escritório fora de casa. Atualmente, o serviço está presente em 150 pontos em todo o país.

Agora, falando de expansão no continente sul-americano, a estimativa para os próximos dois a três anos é de alcançar a marca de 560 hotéis da rede, como detalhou o COO para o Brasil.

“Algumas marcas serão mais desenvolvidas do que outras, obviamente, já que muitos investidores ainda buscam retorno mais rápido devido a covid-19. Contudo, devemos apresentar tanto hotéis de bandeira mid-scale, como o Ibis e o Jo&Joe, quanto os de luxo, com o Mama Shelter”, concluiu Olivier Hick.

O futuro para a Accor parece sinalizar dias melhores, com novas aberturas e conceitos que abrangem ainda mais o público externo. Não se trata apenas de mudanças que foram forçadas pela pandemia. Apenas, talvez, aceleradas pelo contexto global das viagens. O grande desafio daqui em diante não será como atrair o público corporativo de volta para as salas de conferências e eventos presenciais, mas sim como continuar fidelizando o público de lazer que passou a descobrir a estrutura dos hotéis de cidade.

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