A recente entrada da Azul Linhas Aéreas no processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, por meio do chamado Chapter 11, reacende a insegurança no setor turístico, especialmente entre os agentes de viagens, que ainda enfrentam os impactos da crise causada pelo colapso da ViagensPromo.
Embora a companhia aérea tenha afirmado que suas operações seguirão normalmente durante o processo de reestruturação, o movimento cria um ambiente de incerteza. Os agentes, que estão na linha de frente do atendimento ao consumidor, acabam novamente expostos a riscos e responsabilidades que não são de sua alçada direta.
Somando-se a essa apreensão, o Congresso Nacional frustrou as expectativas do setor ao adiar a análise de um dos vetos mais importantes da nova Lei Geral do Turismo: aquele que trata da responsabilidade solidária das agências de viagens por falhas de terceiros. A votação estava prevista para acontecer no dia 27 de maio, mas foi postergada, e só deve retornar à pauta em agosto.
Caso o veto fosse derrubado, as agências deixariam de responder judicialmente por problemas causados por fornecedores como companhias aéreas, operadoras e hotéis, trazendo mais equilíbrio e segurança jurídica à categoria. Para muitos agentes, essa seria uma vitória histórica e uma reparação necessária frente aos inúmeros prejuízos já sofridos por conta de falências e paralisações no setor.
Outro ponto que precisa ser urgentemente debatido é a transparência financeira dos fornecedores de serviços turísticos. Empresas que vendem passagens, hospedagens ou pacotes devem estar sujeitas a critérios claros de transparência sobre sua saúde financeira. A falta de previsibilidade e a ausência de mecanismos de fiscalização colocam todo o ecossistema do Turismo em risco, afetando não só os passageiros, mas também os intermediários que atuam com profissionalismo e boa-fé.
Esse adiamento representa mais uma angústia para os profissionais do Turismo, que seguem trabalhando com afinco, mesmo sem as garantias legais que tanto reivindicam. Em um mercado instável, é o agente de viagens quem continua acolhendo passageiros, contornando crises e buscando soluções, muitas vezes, com recursos próprios.
Neste momento, mais do que nunca, é preciso fortalecer a união da categoria. É hora de mobilização, de voz ativa e de presença. Que as entidades representativas do setor redobrem seus esforços e que os agentes se mantenham engajados: só juntos poderemos avançar e conquistar o reconhecimento e a proteção que merecemos.

