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RAÍZES E INOVAÇÃO com Any Brocker

Felipe Lima
Felipe Lima
Chefe de Redação - E-mail: felipe@brasilturis.com.br

Any Brocker é formada em Turismo e com experiência na Disney, de onde trouxe a inspiração para um atendimento encantador e centrado na experiência do visitante. A profissional liderou a transformação da Brocker de um pequeno negócio familiar de ecoturismo para uma DMC consolidada, conectando hotelaria, parques, atrativos, eventos e o setor público. Ao longo de três décadas, conduziu projetos que marcaram o destino, como o passeio Pé da Cascata do Caracol e o Chocobus, sempre alinhados à sustentabilidade, à valorização cultural e à educação ambiental. Ligada às tradições e à história das famílias da região, ela se tornou uma das figuras mais influentes do turismo brasileiro, guiando a Brocker com propósito, inovação e profundo compromisso com o legado da Serra Gaúcha.

À frente da Brocker Turismo, Any acumula mais de três décadas transformando a Serra Gaúcha em um destino vibrante e acolhedor para turistas de todo o Brasil. Desde os primeiros roteiros de ecoturismo no Vale da Lageana até o hoje, com pacotes estruturados, passeios temáticos e uma frota própria, sua trajetória revela não apenas a evolução de uma empresa, mas o fortalecimento de uma identidade: a do “bem receber”, da paixão pela hospitalidade e do compromisso com o turismo responsável. Nesta entrevista, Any revisita marcos, desafios, conquistas e compartilha a visão que guiou cada passo da Brocker Turismo até aqui. Confira!

Quando você olha para os 30 anos da Brocker Turismo, qual foi o grande ponto de virada que mudou o rumo da empresa?

Ao longo desses 30 anos, tivemos vários pontos de virada que mudaram o rumo da empresa. Mas, se eu puder destacar um momento decisivo, foi entre 1999 e 2000, quando voltei do meu estágio na Disney com a ideia de implantar o turismo receptivo na Brocker.
Nos primeiros cinco anos, passamos por várias fases: começamos com o ecoturismo, depois migramos para o turismo estudantil, em seguida combinamos o estudantil com o turismo emissivo, até que deixamos o estudantil de lado para focar totalmente no emissivo, tanto lazer quanto corporativo. Mas foi ao retornar da Disney e me formar em Turismo que começamos a implantar de fato o turismo receptivo. Os primeiros anos foram desafiadores, mas a partir dali veio a grande virada e o crescimento mais sólido da Brocker.

Como foi construir a identidade e os valores da Brocker ao longo dessas três décadas?

A identidade e os valores da Brocker sempre surgiram de forma muito orgânica. Eles refletem muito da minha forma de pensar e agir, assim como das pessoas que estão ao meu lado nessa trajetória. Prezamos pela qualidade no serviço, pelo encantamento do cliente, pela segurança, alegria, competência e pelo cuidado em cada detalhe. Nosso dia a dia é baseado nisso: olhar atento, foco na experiência do cliente e uma busca constante por excelência.

Com o tempo, esse jeito de ser foi se espalhando pela equipe pela espontaneidade, pelo relacionamento humano e pela forma de atender com coração. É claro que, com o crescimento, manter essa cultura exige ainda mais dedicação, especialmente com a chegada de novos colaboradores. Mas é um trabalho contínuo. Fazemos isso por meio de ações constantes: reuniões, encontros, momentos de troca e integração. Tudo para manter vivos os nossos valores e a essência da Brocker, que nos trouxe até aqui.

Quais foram os principais marcos que definiram a trajetória da empresa nesses 30 anos?

Nosso trabalho impacta diretamente a economia da região, porque atuamos em parceria com praticamente todos os players: hotelaria, parques, eventos, secretarias de turismo de Estado e das cidades onde atuamos, setor público e privado, além dos mercados de lazer e corporativo. Isso fortalece toda a cadeia do turismo, que é a principal força econômica local.
Ao desenvolvermos produtos próprios e experiências exclusivas, sempre colocamos como base os pilares que acreditamos: cultura, história, natureza e educação ambiental. Queremos que cada turista saia daqui transformado, levando consciência, encantamento e conexão.

Nosso legado é ser uma empresa que inova, que inspira, que impulsiona o destino e contribui para um futuro melhor para as próximas gerações, mantendo viva a essência da Serra Gaúcha.

Como as parcerias estratégicas contribuíram para o crescimento da Brocker e quais foram as mais transformadoras?
As parcerias estratégicas sempre foram, e continuam sendo, fundamentais para o trabalho da Brocker. Somos uma consolidadora do destino turístico, atuando como uma DMC aqui na Serra Gaúcha. Nossa missão sempre foi conectar os diversos players do turismo local: hotelaria, atrativos, eventos e poder público.

No passado, quando ainda não existiam sistemas de venda online, a Brocker era responsável por bloquear e distribuir hospedagens aos operadores. Com o tempo, esse modelo evoluiu e os hotéis passaram a se conectar diretamente. Mesmo assim, mantivemos parcerias fortes com a hotelaria, seja na promoção de eventos, seja oferecendo nossos passeios e experiências aos hóspedes. Agora, estamos retomando esse canal de distribuição de hospedagem de forma online, com lançamento previsto para 2026.

Além disso, as parcerias público-privadas são um pilar essencial: trabalhamos sempre ao lado das secretarias de turismo do Governo do Estado do RS e dos municípios como Gramado, Canela, Bento Gonçalves e Nova Petrópolis, promovendo juntos o nosso destino e valorizando a região.

Também temos parcerias sólidas com parques, atrativos e eventos na divulgação, na venda de ingressos e na criação de collabs que conectam experiências únicas da Serra Gaúcha.

Acreditamos que todos esses players são fundamentais para o sucesso do nosso trabalho. E, ao mesmo tempo, temos consciência da importância da Brocker no fortalecimento e promoção do turismo local, atraindo visitantes e gerando movimento para toda a cadeia do setor.

Qual foi o momento mais desafiador da história da Brocker Turismo e como a empresa se reinventou?

Eu diria que os dois momentos mais desafiadores foram a pandemia e, mais recentemente, as enchentes no ano passado. 

Durante a pandemia, todos enfrentamos a mesma situação, no Brasil e no mundo. Foi preciso fazer um trabalho hercúleo: enxugar custos, manter a equipe na medida do possível, e, quando houve desligamentos, garantir que tudo fosse feito com respeito e responsabilidade, pagando todos os direitos. Isso nos permitiu, inclusive, recontratar a maioria dessas pessoas quando o movimento começou a retornar. Naquele momento, também voltamos ao nosso ponto de partida, à essência da Brocker, e foi aí que nasceu um dos nossos principais valores.

Depois vieram as enchentes. Tentamos reduzir a estrutura, mas não foi o suficiente. Alguns passeios também foram impactados, como o Pé da Cascata, onde tivemos danos em trechos das estradas. Foi preciso investir para retomar as operações, mesmo sem o faturamento ideal naquele período.

Temos trabalhado intensamente para promover nosso destino e para a retomada completa dos voos para Porto Alegre. Ainda não está 100%, mas está melhorando, e seguimos em articulação com o governo para isso, além de fortalecer a promoção turística.

Graças a Deus, nossa alta temporada com o Natal Luz está sendo muito positiva. E, no fim, esses grandes desafios nos deixam mais fortes, mais preparados e com ainda mais aprendizado para o que vier pela frente.

Quais foram os investimentos mais relevantes feitos nos últimos anos e como eles impactaram o posicionamento da empresa?

Todos esses investimentos em produtos e experiências próprias nos posicionam além de uma empresa de receptivo, além de uma DMC. Hoje, somos reconhecidos nacionalmente como uma das principais empresas no desenvolvimento de experiências e produtos turísticos no Brasil. Essa diferenciação nos permite criar vivências únicas, que valorizam os atrativos locais e oferecem ao turista algo que ele realmente precisa viver enquanto está aqui: experiências memoráveis, autênticas e com identidade própria.

Nos últimos anos, os maiores investimentos da Brocker foram voltados para o passeio do Pé da Cascata do Caracol, um produto turístico que trouxe um impacto muito positivo para a empresa e para a região. Esse projeto está totalmente conectado com o presente e o futuro do turismo: valoriza nossa história, cultura e, principalmente, a conexão com a natureza, com a saúde, o bem-estar e a educação ambiental, pilares que acreditamos e queremos fortalecer cada vez mais.

Estamos ampliando nossos investimentos naquela região com o objetivo de desenvolver novos produtos que sigam essa mesma linha. É algo que vem do que eu acredito pessoalmente e do que eu busco quando viajo: experiências autênticas, com propósito, que nos conectem com o lugar.

Além do Pé da Cascata do Caracol, também tivemos investimentos em outros produtos com o mesmo conceito, como o Chocobus, lançado no ano passado e que tem sido um verdadeiro sucesso. Em 2024, fizemos aportes importantes nesse projeto, assim como em nossa área comercial, com o objetivo de fortalecer a visibilidade da Serra Gaúcha como um dos principais destinos turísticos do Brasil.

Que legado você acredita estar construindo para o turismo na Serra Gaúcha e para as próximas gerações dentro da Brocker?

Acredito que o nosso trabalho tem um papel fundamental na economia e no turismo da Serra Gaúcha. Atuamos de forma integrada com praticamente todos os players locais: hotelaria, parques, eventos, secretarias de turismo, poder público e privado, mercado corporativo e de lazer. Com isso, fomentamos toda a cadeia econômica do turismo, que é a principal atividade da nossa região.

Quando desenvolvemos um produto próprio ou uma experiência exclusiva, sempre temos como pilares a valorização da cultura, da história, da natureza e a educação ambiental. Nosso objetivo é que o turista saia daqui melhor do que chegou, mais conectado com o lugar, mais consciente, mais encantado.

Queremos ser lembrados como uma empresa que inova constantemente, que cria experiências únicas e que colabora ativamente para o crescimento econômico e turístico da Serra Gaúcha. Um legado de desenvolvimento, conexão com o território e compromisso com as futuras gerações. 

 

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