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“O operacional vai para a máquina; o estratégico fica com a gente”, aponta painel do Lacte 21 sobre IA

Fabiane Escudero e Vanicio Cardoso mostram aplicações práticas da inteligência artificial na gestão de viagens corporativas

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

São Paulo (SP) — A inteligência artificial já não é mais uma promessa distante para o setor de viagens corporativas. Durante o painel “Tecnologia e IA Aplicada em Viagens Corporativas”, realizado no Lacte 21, promovido pela Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas, Fabiane Escudero, gestora de Viagens da Sensedia, e Venicio Cardoso, gerente regional de Vendas da Altour / Avipam para a América Latina, apresentaram uma visão prática de como a IA já impacta rotinas, competências e decisões estratégicas.

Logo no início, Cardoso chamou atenção para o uso ainda limitado da tecnologia por muitos profissionais. Após uma enquete com o público, destacou que boa parte utiliza IA apenas para melhoria de textos ou pesquisas básicas. “A gente tem uma Ferrari na mão e não está sabendo usar”, afirmou. Para ele, o ponto de virada está em adotar uma mentalidade “IA first”, ou seja, consultar a inteligência artificial antes mesmo de executar tarefas conhecidas. “Eu trato a inteligência artificial como se fosse meu irmão mais novo, superdotado, que faz consultoria comigo”, explicou.

Segundo o executivo, mesmo quem já domina determinado assunto pode extrair valor adicional ao recorrer à IA. “Se eu sei, eu começo a conjecturar com a inteligência artificial. Ela sempre vai me dar algo além do que eu tenho”, disse.

Cardoso também contextualizou a evolução histórica da tecnologia, lembrando que a IA não nasceu recentemente. Citou o teste de Turing, de 1950, a conferência de Dartmouth, em 1956, e marcos como a vitória do Deep Blue sobre o campeão mundial de xadrez em 1997, até chegar ao boom da IA generativa em 2023. Para ele, o momento atual combina modelos preditivos — que antecipam comportamentos — com modelos generativos, capazes de criar textos, imagens e relatórios.

No universo das viagens corporativas, isso já se traduz em aplicações concretas. Cardoso explicou como sistemas conseguem prever atrasos de voos antes mesmo das companhias aéreas, ao cruzar padrões climáticos e históricos operacionais. “Choveu muito, ele já sabe que não há como Congonhas comportar todas as descidas e subidas. A IA avisa o viajante antes”, exemplificou.

Um dos exemplos apresentados mostrou como agentes de IA podem orientar viajantes em tempo real, indicando regras internas, tolerâncias de tarifa e necessidade de aprovação adicional, sempre com base na política corporativa. Em outra demonstração, Venicio exibiu como a IA pode analisar planilhas de despesas, retirar dados sensíveis e gerar dashboards completos em minutos. “Quanto tempo eu levaria para criar um dashboard desses? Ele entrega em menos de dois minutos”, afirmou.

Para Fabiane, o impacto é direto no papel do gestor. “O operacional está sendo automatizado. A pergunta é: a gente quer ficar no operacional ou quer ser mais estratégico?”, provocou. Ela reforçou que a IA não substitui o profissional, mas muda suas atribuições. “O que a IA não faz é construir relacionamento. Quem senta na mesa e negocia somos nós.”

Cardoso foi na mesma linha ao lançar uma reflexão ao público: “Se a IA fizer tudo o que você faz hoje, qual é o seu diferencial amanhã?”. Para ele, a tecnologia acelera análises e organiza dados, mas cabe ao gestor interpretar cenários, negociar com fornecedores e orientar decisões.

Outro ponto abordado foi o uso correto dos chamados prompts — instruções dadas à IA. Quanto mais contexto, objetivo e direção, mais precisas são as respostas. “Não é ser engenheiro de prompt, é saber fazer as perguntas certas”, resumiu Cardoso.

Encerrando, os palestrantes destacaram que a inteligência artificial deixou de ser apenas ferramenta e passou a atuar como infraestrutura, permeando sistemas, processos e serviços. Para os gestores de viagens, a mensagem foi clara: usar IA para ganhar velocidade, reduzir tarefas repetitivas e assumir um papel mais consultivo dentro das organizações.

“O operacional vai cada vez mais para a máquina. O estratégico continua sendo nosso”, concluiu Fabiane.

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