O mercado brasileiro de viagens corporativas encerrou 2025 em um patamar histórico e simbólico para o turismo nacional. As agências associadas à Abracorp registraram faturamento aproximado de R$ 13,68 bilhões, segundo dados do BI da entidade, alcançando o maior resultado desde o início da série histórica. O número não apenas confirma a retomada do setor após os anos mais críticos da pandemia, como também sinaliza a consolidação de um novo ciclo de maturidade, estabilidade e profissionalização das viagens de negócios no Brasil.
Mais do que um dado contábil, o faturamento recorde reflete uma mudança estrutural no comportamento das empresas. Se, em um primeiro momento, a retomada das viagens corporativas foi marcada por cautela, foco em deslocamentos essenciais e forte racionalização de custos, o ano de 2025 evidenciou um retorno mais consistente das agendas presenciais. Reuniões estratégicas, visitas técnicas, feiras, congressos e convenções voltaram definitivamente ao planejamento das companhias, reforçando a percepção de que a presença física segue sendo insubstituível em determinados contextos de negócios.
A leitura da Abracorp é de que esse movimento deixou de ser conjuntural. O desempenho de 2025 sustenta uma projeção positiva, ainda que prudente, para 2026. A expectativa da entidade é que o setor mantenha crescimento moderado e possa atingir cerca de R$ 14 bilhões em faturamento neste ano, impulsionado pela continuidade das viagens corporativas, pela consolidação dos eventos presenciais e por contratos empresariais cada vez mais estruturados e de longo prazo.
Um mercado mais previsível – e mais exigente
Na prática, os números revelam a normalização definitiva do deslocamento executivo como ferramenta estratégica das empresas. O avanço do trabalho híbrido não eliminou a necessidade de viagens; ao contrário, reorganizou sua lógica. As empresas passaram a viajar menos por rotina e mais por estratégia, priorizando encontros de alto valor agregado. Isso elevou a complexidade da gestão de viagens corporativas e reforçou o papel das travel management companies (TMCs) como parceiras na tomada de decisão.
Para as agências associadas à Abracorp, esse novo momento se traduz em maior previsibilidade de receita, mas também em maior exigência por parte dos clientes. A simples emissão de passagens deixou de ser suficiente. Cresceu a demanda por soluções completas, que envolvem controle orçamentário, gestão de riscos, compliance, relatórios personalizados e integração com políticas internas das empresas.
Dentro desse cenário, o transporte aéreo segue como principal motor de receita do turismo corporativo. Levantamentos amplamente repercutidos no trade apontam que a Latam liderou o mercado brasileiro de viagens corporativas em 2025, com cerca de 41,7% da receita do segmento. A liderança, mantida pelo terceiro ano consecutivo, evidencia a força das companhias com maior malha aérea, ampla conectividade internacional e forte atuação no segmento corporativo.
Essa concentração, no entanto, também impõe desafios. Embora favoreça negociações de volume e estabilidade operacional, ela reduz a margem de manobra de agências e compradores corporativos em determinadas rotas e períodos de alta demanda. O tema da competitividade, inclusive, aparece com frequência nas discussões setoriais e deve ganhar espaço nas agendas institucionais ao longo de 2026.
A hotelaria corporativa, por sua vez, teve papel relevante no resultado consolidado. A retomada dos eventos presenciais e a previsibilidade das agendas empresariais favoreceram contratos corporativos, acordos de médio prazo e tarifas negociadas. O segmento MICE voltou a atuar como um dos principais vetores do turismo de negócios, impactando diretamente a receita das agências e fortalecendo toda a cadeia produtiva.
Governança, agenda institucional e o papel da Abracorp
Paralelamente à divulgação dos resultados financeiros, a Abracorp apresentou seu calendário institucional para 2026, reforçando a governança como um dos pilares desse novo momento do turismo corporativo. Entre os compromissos mais relevantes está a Assembleia Eleitoral marcada para 26 de março, que definirá a composição da nova diretoria e as diretrizes estratégicas da entidade para os próximos anos.
O processo eleitoral ocorre em um contexto de consolidação do setor e deve influenciar temas centrais para o futuro das TMCs, como transformação digital, relacionamento com fornecedores, sustentabilidade e fortalecimento da representatividade institucional. Ao longo do ano, a agenda inclui reuniões periódicas de associados, encontros dos comitês Operacional, MICE, RH e TI, além de fóruns e workshops voltados à qualificação das agências e ao diálogo com o mercado corporativo.
A programação reforça o papel da Abracorp não apenas como entidade representativa, mas como agente ativo na profissionalização do setor. Em um mercado cada vez mais orientado por dados, a atuação institucional ganha peso estratégico, especialmente na defesa de interesses comuns diante de fornecedores globais, na construção de boas práticas e no estímulo à inovação.
Para o mercado como um todo, o faturamento recorde funciona como termômetro e sinalização. As agências ganham fôlego para ampliar seus portfólios de serviços e investir em soluções de maior valor agregado, como gestão de risco, duty of care, relatórios ESG e inteligência aplicada à tomada de decisão. Fornecedores — especialmente companhias aéreas, redes hoteleiras e operadores de eventos — ajustam estratégias comerciais para capturar uma demanda corporativa mais qualificada e orientada por resultados.
Já os compradores corporativos passam a exercer pressão crescente por transparência, eficiência de custos e alinhamento às políticas internas das empresas. O turismo de negócios deixa de ser apenas centro de custo e passa a ser analisado sob a ótica de retorno sobre investimento, produtividade e impacto ambiental, tendência que deve se intensificar nos próximos anos.
Abracorp em números
- Faturamento das associadas em 2025: R$ 13,68 bilhões
- Projeção para 2026: cerca de R$ 14 bilhões
- Principal motor de receita: viagens aéreas corporativas
- Liderança no segmento aéreo: LATAM, com aproximadamente 41,7% da receita
- Agenda institucional de 2026: Assembleia Eleitoral em 26 de março
- Foco estratégico: governança, qualificação das TMCs e modernização do setor

