São Paulo (SP) – Durante a WTM Latin America 2026, realizada entre os dias 14 e 16 de abril, no Expo Center Norte, o Chile apresentou suas estratégias para ampliar a presença no mercado brasileiro. Em entrevista ao Brasilturis, María Paz Lagos, vice-ministra de Turismo do Chile, detalhou metas, conectividade e a diversificação da oferta turística do país.
Brasil como mercado estratégico
O Brasil ocupa posição central na estratégia chilena. Segundo María Paz Lagos, o país é atualmente o segundo maior emissor de turistas para o destino.
“O Brasil é muito importante para nós, porque é o nosso segundo maior mercado emissor de turistas. No ano passado, chegaram 700 mil turistas brasileiros ao Chile, e gostaríamos de alcançar 1 milhão de turistas brasileiros nos próximos anos.”
A executiva também destacou que a meta está alinhada ao planejamento do governo e depende do fortalecimento da promoção e da conectividade aérea.
Diversificação da oferta turística
Tradicionalmente associado à neve e ao enoturismo para o público brasileiro, o Chile quer ampliar o portfólio de experiências promovidas no País.
“Até agora, o Brasil tem sido muito fiel à demanda por neve, com brasileiros que vão esquiar. Também gostam da gastronomia e dos vinhos, mas viemos mostrar uma oferta diversa, que inclui turismo de aventura, pelo qual já recebemos prêmios como melhor destino de turismo de aventura do mundo e melhor destino de natureza”, declarou María Paz.
A estratégia inclui ainda o crescimento de segmentos como turismo esportivo e de eventos, com o objetivo de equilibrar a demanda ao longo do ano.
“Queremos crescer fortemente no turismo de eventos e no turismo esportivo, o que nos ajuda a reduzir a sazonalidade.”
Estímulo a viagens curtas
Outro foco apresentado durante a WTM Latin America é o incentivo às viagens de curta duração, aproveitando a proximidade geográfica entre Brasil e Chile.
“Queremos que os brasileiros também visitem o Chile em escapadas, como em fins de semana prolongados. A pessoa pode ter três dias livres, pegar um voo e ir ao Chile, desfrutar da gastronomia, da neve e de experiências próximas, já que estamos a cerca de uma hora da praia e a 45 minutos da neve”, afirmou.
A proposta também inclui a ampliação do tempo de permanência média, com mais experiências ao longo do território.
Experiências e identidade local
A diversidade natural e cultural foi outro ponto destacado pela vice-ministra, com ênfase na personalização das experiências.
“O Chile tem uma ampla oferta de geleiras, parques nacionais e trilhas para todos os níveis. Essa experiência se combina com a gastronomia, que possui identidade local, com influências indígenas, especialmente da cultura mapuche, além de características regionais”, ressaltou vice-ministra de Turismo do Chile.
Ela também ressaltou a variedade de produtos turísticos, que vão do deserto ao sul do país.
“O país oferece praias, neve, geleiras, parques, vinícolas e deserto. O deserto do Atacama, por exemplo, tem crescido muito com o astroturismo, que atrai brasileiros interessados na observação do céu.”
Conectividade e novos destinos
Para sustentar o crescimento, o Chile trabalha na ampliação da conectividade aérea, especialmente com voos diretos entre regiões.
“O desafio é ter voos entre regiões, para que não seja necessário passar por Santiago. Estamos trabalhando nisso, inclusive com companhias aéreas, e avaliando novas rotas para destinos como a Patagônia.”
A executiva também citou investimentos em infraestrutura, como aeroportos com operação 24 horas, para facilitar viagens curtas e aumentar a flexibilidade dos turistas.
Turismo como setor econômico
Por fim, María Paz Lagos destacou o objetivo de reposicionar o turismo na economia chilena.
“Gostaria que o turismo fosse visto como um setor econômico relevante, no mesmo nível de outras indústrias importantes para o Chile.”
Atualmente, o setor representa cerca de 3% do PIB chileno, com a meta de alcançar 4%, além da geração de mais empregos nos próximos anos.

