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Dólar recua e se aproxima de R$ 4,90 com cenário externo favorável

Movimento reflete apetite global por risco e repercussão da ata do Copom, com fluxo positivo para o Brasil

Rafael Destro
Rafael Destro
Redator - E-mail: Rafael@brasilturis.com.br

O dólar opera em queda frente ao real nesta terça-feira (5), acompanhando o movimento de maior apetite por risco no cenário internacional e a repercussão da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo informações da InfoMoney, a desvalorização da moeda norte-americana ocorre em um contexto de enfraquecimento global do dólar e fluxo positivo para mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Na avaliação de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o movimento reflete a combinação de um dólar mais fraco no exterior com fluxo positivo para ativos de risco, em meio à percepção de descompressão das tensões entre Estados Unidos e Irã, apesar de um cenário ainda considerado frágil.

No mercado doméstico, o diferencial de juros segue favorecendo o Brasil, mantendo o país atrativo para estratégias de carry trade. Outro fator que contribui para a dinâmica do câmbio é a atuação do Banco Central, que realizou leilão de swap cambial para rolagem de vencimentos, aumentando a oferta de dólares no curto prazo.

Por volta das 12h27, o dólar à vista registrava queda de 1,04%, sendo negociado a R$ 4,917 na venda.

No cenário internacional, dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos também influenciam o comportamento da moeda. As vagas de emprego em aberto recuaram em março, enquanto a alta nas contratações indica um processo de reequilíbrio após um período de desaceleração.

Já no Brasil, a ata do Copom trouxe novos elementos para o radar dos investidores. O Banco Central destacou que a demora na resolução do conflito no Oriente Médio pode gerar impactos mais duradouros na economia global, com reflexos nas expectativas de inflação.

“O Comitê mais uma vez debateu alterações mais amplas no balanço de riscos para a inflação”, disse o BC no documento.

Segundo Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, o documento menciona pela primeira vez o ano de 2028 como horizonte relevante, indicando possível desancoragem das expectativas inflacionárias além do prazo usual da política monetária.

Apesar disso, o mercado ainda projeta majoritariamente um novo corte de 25 pontos-base na taxa Selic na próxima reunião, embora parte dos investidores também considere a possibilidade de manutenção dos juros no patamar atual.

O nível elevado da Selic continua sendo apontado como um dos principais fatores para a entrada de capital estrangeiro no país, contribuindo para a valorização do real. Em 2026, a moeda norte-americana acumula queda relevante frente ao real, mesmo diante das incertezas no cenário geopolítico global.

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