O Museu do Futebol inaugura nesta quinta-feira (22) a exposição temporária “Amarelinha”, dedicada à trajetória da camisa da Seleção Brasileira ao longo das Copas do Mundo. A mostra reúne 18 uniformes originais utilizados entre 1958 e 2022 e integra a programação especial da instituição para o ano de Mundial masculino.
Instalada no estádio do Pacaembu, a exposição apresenta peças históricas utilizadas por jogadores como Sócrates, Rivellino, Ronaldo, Vinícius Júnior e Pelé. Entre os destaques está a camisa usada por Pelé na final da Copa do Mundo de 1970, diante da Itália, recolocada em exibição especialmente para a mostra.
“Com camisas de ídolos que jogaram ao longo dos últimos 70 anos, a exposição Amarelinha vai ser uma oportunidade de gerar diálogo entre várias gerações de fãs do futebol brasileiro. Elas são testemunhos de conquistas, momentos decisivos e também tristes que marcam a nossa história no esporte – e na vida. Queremos que a exposição desperte o orgulho pela alegria do nosso futebol, que está na nossa identidade como brasileiros”, afirma Marília Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo de São Paulo.
Com curadoria do jornalista Marcelo Duarte e da equipe do Centro de Referência do Futebol Brasileiro, a mostra recebeu itens emprestados de colecionadores particulares e também exibe conteúdos interativos, experiências táteis e uma linha do tempo sobre a evolução dos tecidos e tecnologias das camisas.
Além de revisitar a história do uniforme amarelo, a exposição relembra o contexto da mudança da camisa branca para a “canarinho” após a derrota do Brasil para o Uruguai na Copa de 1950. A mostra apresenta desenhos originais de Aldyr Schlee, responsável pelo design vencedor do concurso promovido pela então Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e pelo jornal Correio da Manhã.
“Amarelinha é uma oportunidade única de olhar para a camisa da Seleção Brasileira para além do símbolo que todos conhecemos. Cada uma dessas 18 peças carrega histórias de jogo, de atletas, de torcidas, de design e de tecnologia têxtil. Reuni-las no Museu do Futebol, a partir de coleções particulares e em diálogo com o público, é um acontecimento especial: um convite para observar essas camisas como objetos de museu, em todas as suas camadas de memória, informação e significado”, afirma Marília Bonas, diretora técnica do Museu do Futebol.
A programação inclui ainda uma área interativa com informações sobre seleções participantes das Copas do Mundo, curiosidades sobre uniformes históricos e conteúdos desenvolvidos em parceria com o FutBox.
“A história de Aldyr Schlee, criador da camisa amarela, é bastante curiosa. Ele morava na divisa do Brasil com o Uruguai e se sentia com o coração dividido. A parte que mais me toca é que, ao saber que o Uruguai havia derrotado o Brasil na final da Copa de 1950, Aldyr não entendia se as lágrimas eram de alegria ou tristeza. Amarelinha é uma chance rara de ver tantas camisas históricas reunidas. O alto valor das relíquias da Seleção Brasileira tem levado essas peças para fora, compradas por grandes colecionadores internacionais.”, disse Marcelo Duarte, curador da exposição.
“Há tempos que o Museu do Futebol trabalha pontualmente com o universo das camisas de times em suas programações culturais e projetos expositivos. Porém, com a exposição Amarelinha, chegou a hora de celebrar e apresentar ao público mais amplo o icônico universo do objeto mais aclamado do futebol: as camisas da seleção com suas curiosas histórias, texturas e visualidades. É com alegria que realizamos não somente as exibições das peças, mas debatemos toda a cadeia criativa, de produção e até da natureza dos tecidos que originam as Amarelinhas e suas correlatas boleiras.”, finalizou Maíra Machado, coordenadora do Núcleo de Exposições e Programação Cultural do Museu do Futebol.

