A CVC Corp intensificou seu processo de reestruturação operacional e financeira após um primeiro trimestre abaixo das expectativas do mercado e afirmou que, neste momento, não considera realizar novo aporte de capital por meio de emissão de ações. Segundo Felipe Gomes, vice-presidente de Finanças, Jurídico, Estratégia e Relações com Investidores da CVC Corp, a prioridade da companhia está na renegociação da atual debênture, com foco em alongar prazos e reduzir custos financeiros.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo afirmou que a empresa possui caixa suficiente para honrar os vencimentos previstos até 2028. “Temos uma parcela de R$ 80 milhões vencendo no final do ano, e temos mais de R$ 400 milhões no caixa. Hoje, então, não enxergamos um follow on dado o valor da ação. Não faria sentido”, declarou Gomes.
A companhia busca atravessar um cenário marcado por juros elevados, instabilidade geopolítica e retração no crédito privado. Segundo o executivo, existe uma janela favorável para renegociar a dívida atual em condições mais vantajosas.
A movimentação ocorre em meio a um processo de enxugamento operacional da operadora. A CVC confirmou o desligamento de mais de 100 profissionais em áreas administrativas, marketing, tecnologia e posições seniores, dentro de uma estratégia voltada à redução de despesas fixas e aumento de eficiência operacional.
Pressão no trimestre e revisão de estratégia
Os resultados do primeiro trimestre de 2026 mostraram desaceleração no ritmo de crescimento da companhia. A receita líquida consolidada avançou apenas 1%, alcançando R$ 365 milhões, impactada principalmente pela retração das operações na Argentina e pela redução das taxas de comissão nas operações brasileiras e internacionais.
Ao mesmo tempo, as despesas gerais, administrativas e comerciais cresceram 10% no período, pressionando os resultados. A companhia reportou prejuízo líquido contábil de R$ 72 milhões, enquanto a dívida líquida chegou a R$ 1,5 bilhão, equivalente a 3,4 vezes o Ebitda.
Entre os fatores apontados pela empresa para o desempenho estão o aumento do combustível de aviação, a instabilidade geopolítica no Oriente Médio e o impacto nas viagens internacionais, que provocaram cancelamentos de reservas estimados em R$ 109 milhões entre Brasil e Argentina.
A companhia também recalibrou projetos estratégicos. Um dos exemplos foi a decisão de absorver internamente, dentro da Visual Turismo, o projeto da marca premium argentina Biblos, antes previsto como operação independente no Brasil.
Rumores sobre Decolar seguem sem proposta formal
Felipe Gomes também voltou a negar a existência de proposta formal envolvendo a Decolar, controlada pela Prosus. No início de maio, rumores de mercado indicaram possível interesse da companhia argentina em uma oferta pública de aquisição da CVC.
Segundo Gomes, nenhuma comunicação oficial foi encaminhada ao conselho da operadora. “Somos uma empresa de capital aberto, e qualquer empresa que tiver interesse em uma proposta ou de participar do capital da CVC Corp precisa formalizar proposta e levar ao conselho”, concluiu.







