O governo federal pretende antecipar a construção da segunda pista de pouso e decolagem do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), como parte da renegociação do contrato de concessão do terminal. A proposta, conduzida pelo Ministério de Portos e Aeroportos (Mpor) em conjunto com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), busca evitar um possível colapso operacional do sistema aeroportuário paulista nos próximos anos.
Atualmente, Viracopos opera com apenas uma pista e registra cerca de 124,6 mil pousos e decolagens por ano. Pelo contrato original, firmado em 2012, a construção de uma segunda pista só seria obrigatória quando o terminal atingisse 178 mil operações anuais. Agora, o governo quer desvincular a obra da demanda e acelerar sua execução, segundo o jornal Folha de São Paulo.
A avaliação técnica do Mpor considera que os aeroportos de Congonhas, Guarulhos e Viracopos poderão atingir o limite operacional em um intervalo entre três e 12 anos, dependendo do cenário de crescimento da aviação e dos investimentos futuros. Segundo estudos utilizados pelo governo, a nova pista em Campinas levaria aproximadamente cinco anos para ficar pronta, o que reforçou a decisão de antecipar o projeto.
Saturação aérea preocupa governo
O sistema aeroportuário paulista concentra boa parte da movimentação aérea do País e vem operando próximo do limite em determinados horários. Estudos citados pelo governo apontam cenários distintos para a saturação da infraestrutura aeroportuária.
Um levantamento técnico da 7ª Rodada de concessões aeroportuárias projeta esgotamento da capacidade em aproximadamente três anos. Já o Plano Aeroviário Nacional estima prazo de cinco anos, mesmo considerando ampliações previstas em Guarulhos e Congonhas. Em projeção mais conservadora, estudo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) indica saturação em até 12 anos.
Dentro desse contexto, Viracopos passou a ser tratado como peça estratégica para ampliar a capacidade operacional da aviação paulista, principalmente diante das limitações físicas de expansão em Congonhas.
Novo desenho reduz expansão original
A renegociação também prevê mudanças relevantes no projeto original de expansão de Viracopos. O governo aceitou reduzir a área planejada do aeroporto de 27 km² para aproximadamente 20 km².
A revisão considera o alto custo das desapropriações, dificuldades operacionais e uma mudança de visão sobre o papel do terminal no sistema aeroportuário paulista. A ideia inicial de transformar Viracopos em um mega-hub com múltiplas pistas independentes passou a ser considerada economicamente complexa.
Além disso, a proposta inclui a participação obrigatória da concessionária Aeroportos Brasil Viracopos (ABV) em futuras concessões de aeroportos regionais deficitários, dentro do programa federal AmpliAR. Os terminais previstos ficam em estados como Acre, Amazonas, Bahia e Pará.
O processo de renegociação ocorre após anos de disputas regulatórias e judiciais envolvendo a concessão. Segundo dados citados pela reportagem da Folha de S.Paulo, o passivo da concessionária junto à Anac supera R$ 5 bilhões, enquanto a ABV também reivindica valores bilionários da União.

