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Brasil e Estados Unidos ampliam cooperação bilateral para fortalecer aviação civil

Missão da Anac aos Estados Unidos debateu segurança operacional, eVTOLs, infraestrutura aeroportuária e harmonização regulatória entre os países

Kamilla Alves
Kamilla Alves
Gestora Web - E-mail: milla@brasilturis.com.br

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) reforçou a cooperação bilateral com os Estados Unidos durante missão oficial realizada na última semana. A agenda incluiu reuniões com autoridades norte-americanas e representantes da indústria para discutir segurança operacional, harmonização regulatória, mobilidade aérea avançada e modernização da infraestrutura aeroportuária.

O principal encontro ocorreu entre Tiago Faierstein, diretor-presidente da Anac, e Bryan Bedford, administrador da Federal Aviation Administration (FAA), autoridade de aviação civil dos Estados Unidos. A reunião debateu ações conjuntas voltadas ao desenvolvimento da aviação civil e ao fortalecimento da parceria entre os dois países.

Além da FAA, a missão brasileira também cumpriu compromissos na sede da Boeing, em Seattle, e realizou encontros com a United States Trade and Development Agency (USTDA), o Department of Transportation (DOT), a Airlines for America e outros órgãos ligados ao setor aéreo norte-americano.

Durante o encontro, Tiago Faierstein, diretor-presidente da Anac, destacou o potencial de expansão do mercado aéreo brasileiro. “Hoje, no Brasil, registramos cerca de 0,5 viagem aérea por habitante ao ano. Tenho plena convicção de que esse número pode crescer muito”, afirmou.

Segundo a Anac, países como Chile e Argentina já apresentam índice próximo de uma viagem aérea anual por habitante, enquanto mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, chegam a três viagens por pessoa ao ano.

Mobilidade aérea avançada entra na pauta bilateral

Entre os temas prioritários da missão esteve o avanço da mobilidade aérea avançada, especialmente relacionado aos eVTOLs, aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical que vêm ganhando espaço nas discussões globais sobre mobilidade urbana.

Roberto Honorato, diretor substituto da Anac, apresentou à FAA as iniciativas brasileiras voltadas à certificação e regulação dessas aeronaves. Segundo o executivo, a proposta da agência é acelerar os processos regulatórios sem comprometer requisitos de segurança operacional.

A FAA demonstrou interesse nos critérios utilizados pelo Brasil para análise de impactos operacionais e testes em condições climáticas extremas. Honorato explicou que os estudos vêm sendo conduzidos em parceria com a indústria aeronáutica.

Outro tema abordado foi a infraestrutura necessária para os chamados vertiportos, espaços destinados a pousos, decolagens e recarga de baterias dos eVTOLs. Giovano Palma, superintendente de Infraestrutura Aeroportuária da Anac, destacou que o Brasil trabalha no desenvolvimento de um modelo regulatório alinhado à segurança, acessibilidade e integração urbana.

A agência brasileira também apresentou o conceito de sandbox regulatório, mecanismo que permite testar novas tecnologias em ambiente controlado antes da implementação definitiva das regras.

Planejamento de longo prazo e fortalecimento industrial

Durante as reuniões, Bryan Bedford ressaltou a importância de iniciativas bilaterais com visão estratégica para os próximos 20 anos, diante da rápida evolução tecnológica do setor aéreo.

Tiago Faierstein também destacou o papel da Anac como indutora do desenvolvimento industrial da aviação brasileira, estimulando inovação tecnológica, geração de empregos e fortalecimento da cadeia produtiva nacional.

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