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IA acelera transformação das agências de viagens e deve crescer 28,7% ao ano até 2030

Setor aposta em personalização, automação e inteligência de dados para acompanhar mudança no comportamento dos viajantes

Kamilla Alves
Kamilla Alves
Gestora Web - E-mail: milla@brasilturis.com.br

A inteligência artificial (IA) vem redefinindo a forma como empresas do turismo operam, se relacionam com os clientes e desenvolvem estratégias de vendas. Em um cenário marcado pela digitalização do consumo e pela busca crescente por experiências personalizadas, a tecnologia deixa de ser apenas um diferencial competitivo e passa a ocupar posição estratégica na transformação do setor.

Segundo levantamento da MarketsandMarkets, o mercado global de inteligência artificial aplicada ao turismo deve crescer de US$ 2,95 bilhões para US$ 13,38 bilhões até 2030, registrando uma taxa média anual de crescimento de 28,7%. O avanço acompanha uma mudança no comportamento dos viajantes, cada vez mais conectados e dispostos a utilizar ferramentas digitais durante todas as etapas da jornada de viagem.

Dados do Traveler Value Index 2025, estudo realizado pela Expedia Group, indicam que 88% dos consumidores pretendem viajar neste ano. Ao mesmo tempo, o processo de descoberta e planejamento das viagens tem se tornado mais influenciado por tecnologia, redes sociais e recomendações personalizadas.

Nesse contexto, empresas de turismo começam a substituir modelos baseados exclusivamente em processos operacionais por estruturas que combinam automação, análise de dados e personalização em escala.

Para Rafael Cohen, CEO da Blis AI, traveltech especializada no desenvolvimento de agentes de inteligência artificial para o setor de viagens, a tecnologia está alterando as regras de competitividade do mercado.

“As agências que continuarem apenas operando reservas e pacotes tendem a perder espaço. A IA está mudando a expectativa do consumidor, que agora busca experiências personalizadas, respostas instantâneas e atendimento muito mais inteligente”, afirma.

Segundo o executivo, a capacidade de integrar dados de comportamento, histórico de viagens, orçamento e preferências dos clientes permite criar recomendações mais assertivas e relevantes.

“Hoje, a IA consegue entender perfil de viagem, orçamento, histórico de consumo e até preferências comportamentais para montar recomendações muito mais assertivas. Isso muda completamente o papel das agências”, explica Cohen.

A tendência é reforçada por um estudo da McKinsey, que aponta que empresas com crescimento mais acelerado geram 40% mais receita a partir de estratégias de personalização em comparação aos concorrentes de menor desempenho. A consultoria também identificou que 71% dos consumidores esperam receber experiências personalizadas das marcas com as quais se relacionam.

No turismo, isso significa que a disputa entre empresas passa a ocorrer não apenas pelo preço ou pelo destino ofertado, mas também pela capacidade de compreender o viajante e oferecer soluções adaptadas ao seu perfil.

Além da personalização, a inteligência artificial vem sendo aplicada em áreas como atendimento automatizado, recomendação de produtos, gestão de relacionamento, precificação dinâmica e análise preditiva de demanda.

O movimento também impulsiona mudanças estruturais no mercado. Para Cohen, empresas que investirem em tecnologia e inteligência de dados terão vantagens competitivas importantes nos próximos anos.

“A IA exige investimento em tecnologia, integração de dados e capacidade analítica. Isso naturalmente favorece empresas mais preparadas digitalmente e pressiona modelos tradicionais que ainda dependem de processos manuais”, avalia.

A transformação já começa a ser percebida na jornada do consumidor. Relatório recente da Expedia Group mostra que os viajantes utilizam cada vez mais ferramentas de IA para pesquisar destinos, comparar opções e planejar roteiros. No entanto, a decisão final de compra ainda está fortemente associada à confiança nas marcas, fenômeno que a empresa definiu como “AI Trust Gap”.

Para o executivo da Blis AI, o avanço da tecnologia não elimina a importância do atendimento humano, mas redefine sua função dentro das empresas de turismo.

“O futuro do turismo não será sobre quem consegue vender mais pacotes, mas sobre quem consegue gerar mais inteligência, personalização e experiência para o viajante”, conclui.

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