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Lummertz propõe União Nacional do Turismo para fortalecer setor

Ex-ministro defende articulação entre empresas, entidades e poder público para transformar o turismo em estratégia nacional de desenvolvimento

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

São Paulo (SP) – A criação de uma União Nacional do Turismo foi a principal proposta apresentada por Vinicius Lummertz, ex-ministro do Turismo e ex-secretário de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, durante a abertura do Seminário Lide Turismo, realizado nesta quarta-feira (10), na Casa Lide, na capital paulista.

Diante de lideranças empresariais e representantes de diferentes segmentos da indústria de viagens, Lummertz fez uma exposição sobre os dados do setor e defendeu uma atuação coordenada da cadeia turística para transformar o Turismo em uma estratégia de desenvolvimento para o país.

Ao iniciar sua apresentação, o ex-ministro destacou a relevância econômica do Turismo no cenário global. Segundo ele, o setor deverá movimentar cerca de US$ 16 trilhões nos próximos anos, representando mais de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e gerando quase 500 milhões de empregos.

Lummertz argumentou que o Brasil possui vantagens competitivas naturais, especialmente nos segmentos de natureza, aventura, viagens customizadas e cruzeiros marítimos, mas ainda não consegue converter esse potencial em crescimento proporcional.

“O turismo vai crescer naquele lugar que o Brasil é o número um do planeta. Safari, natureza e aventura. E o que acontece com o turismo de natureza do brasileiro?”, questiona. “Os parques naturais, se você tirar o Cristo Redentor e as Cataratas, vão para três milhões de visitantes. Travado ideologicamente, travado sem projeto”, afirma.

O ex-ministro também chamou atenção para as projeções de crescimento do setor. Segundo ele, enquanto o turismo global deve avançar cerca de 45% nos próximos anos, o Brasil registra perspectivas menores. “Por que o Brasil vai crescer somente 13%, se nós podemos crescer 35?”, questiona.

Entraves estruturais

Na avaliação de Lummertz, o Turismo ainda não é tratado no Brasil como uma ferramenta de competitividade nacional. Para ilustrar seu argumento, comparou o setor a um sistema circulatório responsável por conectar pessoas, negócios e oportunidades econômicas.

“Não tem como só defendendo um pedaço do Turismo fazer com que o sistema circulatório funcione. É igual o sistema sanguíneo. Se você tem um problema na última artéria, ele vai acusar”, disse.

Nesse contexto, destacou a importância da conectividade aérea para ampliar o acesso a destinos turísticos e estimular o desenvolvimento regional. O ex-ministro citou a necessidade de fortalecer a malha de aeroportos regionais e criticou medidas que elevam custos da atividade.

“Aquela cidade que está a 12 horas de carro passa a estar a uma hora quando existe conectividade aérea. Isso é competitividade nacional”, afirmou.

Lummertz também apontou entraves estruturais que limitam a expansão do turismo brasileiro, como a burocracia para licenciamento de empreendimentos turísticos e a falta de integração entre infraestrutura, transporte e desenvolvimento de produtos turísticos.

Ao citar experiências observadas na China, defendeu planejamento conjunto entre os diferentes agentes envolvidos. “Lá tudo é integrado e feito ao mesmo tempo. Não é fazer a estrada e não fazer o parque natural. É fazer tudo ao mesmo tempo de forma planejada. Isso nós não temos no Brasil”, observa.

Ao longo da apresentação, o ex-ministro argumentou que diferentes segmentos da cadeia turística ainda atuam de forma fragmentada, dificultando a construção de uma agenda comum para o setor.

“Hotelaria defende hotelaria. A aviação defende a aviação. Os parques defendem os parques. A hora que nós conjugamos o verbo defender, nós já estamos com problema. Nós temos que atacar”, declara.

União Nacional do Turismo

Como alternativa, propôs a criação da chamada União Nacional do Turismo, iniciativa que reuniria companhias aéreas, aeroportos, hotéis, operadores, parques, entidades setoriais e representantes do poder público em torno de objetivos comuns para o desenvolvimento da atividade. “O desafio não é defender o setor. O desafio é construir uma proposta para o país em uma União Nacional do Turismo”, afirma.

Segundo Lummertz, o grupo não precisaria assumir caráter institucional formal, mas deveria funcionar como um fórum permanente de articulação capaz de formular propostas estruturantes para o turismo brasileiro e dialogar com o governo federal antes que os problemas se transformem em crises.

“Que saia daqui uma moção para que as aéreas, os aeroportos, a Abav Nacional, Abracorp se juntem e construam um documento. Não é para criar uma instituição, mas criar um grupo que seja guardião dessa mensagem”, conclui.

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