A Airbus concluiu o primeiro voo de teste do A350-1000ULR, aeronave projetada para operar voos de até 22 horas sem escalas e destinada a atender o Projeto Sunrise, da Qantas. O modelo permitirá ligações diretas entre Sydney, na Austrália, e destinos como Londres e Nova Iorque.
A aeronave foi pilotada por uma equipe de testes da fabricante europeia e equipada com instrumentos específicos para avaliação de desempenho. Segundo a Airbus, o voo marcou o início de uma campanha de testes com duração prevista de dois meses para certificar as modificações implementadas no modelo.
Com autonomia ampliada, o A350-1000ULR poderá superar o atual recorde de voo comercial mais longo do mundo, atualmente operado pela Singapore Airlines entre Singapura e Nova Iorque, em uma rota de aproximadamente 15.350 quilômetros e mais de 18 horas de duração. A ligação entre Sydney e Londres, por exemplo, alcançaria cerca de 18.500 quilômetros.
O A350-1000ULR, sigla para Ultra Long Range, é uma variante do A350-1000 da Airbus. Entre as principais diferenças em relação à versão convencional está a instalação de um tanque adicional com capacidade para mais 20 mil litros de combustível, ampliando a autonomia em mais de 1.800 quilômetros, segundo a fabricante.
Durante o voo inaugural de testes do , a tripulação realizou verificações gerais de desempenho e avaliou a nova arquitetura do sistema de combustível. A Airbus também informou que serão conduzidos testes relacionados à ventilação e ao controle de temperatura da cabine, além de um novo sistema de refrigeração da cozinha de bordo desenvolvido para operações de longa duração.
As primeiras 12 unidades do modelo foram encomendadas pela Qantas. Após sucessivos adiamentos, a companhia australiana prevê receber a primeira aeronave em abril de 2027. Inicialmente, a estreia das operações estava prevista para 2025, depois transferida para o final de 2026.
O investimento integra o Projeto Sunrise, iniciativa da Qantas voltada à operação de voos ultralongos entre a Austrália e importantes centros globais. O nome faz referência à possibilidade de os passageiros observarem o nascer do sol duas vezes durante determinadas viagens devido à diferença de fusos horários.
Para aumentar o conforto em voos de longa duração, a companhia configurará a aeronave com capacidade para até 238 passageiros, abaixo dos cerca de 300 assentos da versão padrão. A cabine contará com seis assentos de primeira classe, 52 na classe executiva, 40 na econômica premium e 140 na econômica.
O projeto inclui ainda uma área de bem-estar destinada a alongamento, alimentação e hidratação dos passageiros, além de acesso a Wi-Fi durante todo o voo. A Qantas informou também que trabalhou com especialistas em sono para desenvolver soluções de iluminação e horários de refeições que ajudem a reduzir os efeitos do jet lag.
Até o final de abril de 2026, a família A350 acumulava mais de 1,5 mil encomendas de 68 clientes. Atualmente, mais de 700 aeronaves do modelo estão em operação por 41 companhias aéreas em serviços de longa distância ao redor do mundo.

