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Parque Nacional dos Campos Ferruginosos receberá R$ 2,8 milhões para visitação

Acordo entre MTur, ICMBio e Vale prevê estruturação turística da unidade de conservação localizada no interior do Pará

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

O Ministério do Turismo (MTur), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a mineradora Vale assinaram nesta quinta-feira (11) um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para viabilizar um investimento de R$ 2,8 milhões destinado à estruturação da visitação pública no Parque Nacional dos Campos Ferruginosos, no Pará.

A assinatura ocorreu no Palácio do Planalto, com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. Os recursos serão integralmente custeados pela Vale, que mantém operações de mineração na região.

Localizado entre os municípios de Parauapebas e Canaã dos Carajás, o parque será preparado para receber visitantes por meio de ações voltadas ao uso público e ao desenvolvimento da atividade turística.

“Hoje é um dia importante. Estou aqui, junto com o nosso ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, celebrando uma grande conquista para o Estado do Pará. Esse projeto do Parque Nacional dos Campos Ferruginosos é fruto de uma boa parceria entre Ministério do Turismo, a Vale e o ICMBIO, fazendo com que o local possa atrair turistas, gerar emprego e renda, promover a educação ambiental e preservar o meio ambiente”, afirmou Geraldo Alckmin, vice-presidente da República.

Segundo o MTur, o projeto busca conciliar preservação ambiental e desenvolvimento econômico por meio do turismo de natureza. “Vamos transformar o potencial dessa região, estruturando o uso público do parque com inteligência e responsabilidade. A intenção é que o visitante não apenas faça um passeio, mas compreenda e respeite a riqueza da natureza da região”, afirmou Gustavo Feliciano, ministro do Turismo.

Três frentes de atuação

A iniciativa está estruturada em três eixos. O primeiro contempla ações de planejamento e gestão do uso público, incluindo estudos e diretrizes para recepção de visitantes. O segundo prevê o desenvolvimento de produtos ligados ao turismo de aventura, com destaque para o potencial de visitação em cavernas. Já o terceiro será voltado à capacitação de profissionais e comunidades locais para inserção na cadeia produtiva do turismo.

O objetivo é criar as condições técnicas e operacionais necessárias para receber visitantes de forma organizada, mantendo a proteção dos recursos naturais e culturais da unidade.

“O turismo é uma das atividades econômicas mais capazes de transformar paisagens preservadas em oportunidades sustentáveis. Ele demonstra que conservar não significa impedir o desenvolvimento, significa promover um desenvolvimento mais inteligente, mais duradouro e mais inclusivo”, acrescentou Gustavo Feliciano.

Turismo de natureza em crescimento

O anúncio ocorre em um cenário de crescimento da visitação em áreas protegidas no Brasil. Em 2025, os parques nacionais registraram 11,8 milhões de visitantes, o maior volume da série histórica, superando os 10,9 milhões contabilizados em 2024.

Dados do Programa Natureza com as Pessoas, desenvolvido pelo ICMBio em parceria com o Ministério do Turismo, indicam que cada R$ 1 investido em unidades de conservação federais gera retorno de R$ 15,60 para a economia. Ainda segundo o estudo, os visitantes dessas áreas movimentaram R$ 40,7 bilhões em 2025.

Sobre o parque

O Parque Nacional dos Campos Ferruginosos abriga um ecossistema raro associado a formações rochosas ricas em ferro, conhecido como vegetação de canga ou campos rupestres ferruginosos. A unidade reúne espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, além de ambientes aquáticos e cavernas.

A área possui cerca de 377 cavernas catalogadas, que abrigam fauna especializada e registros arqueológicos relacionados às primeiras ocupações humanas da Amazônia.

De acordo com estimativas, a região do parque e seu entorno concentram aproximadamente 943 espécies de vertebrados, sem considerar os peixes. O Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (Salve) identificou 73 espécies ameaçadas ou com potencial ocorrência na unidade, entre mamíferos, aves, anfíbios e invertebrados terrestres.

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