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Hotéis da Europa adaptam serviços durante onda de calor

Empreendimentos ajustam horários de atividades, reforçam itens de hidratação e investem em climatização para enfrentar temperaturas recordes

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

Com a Europa enfrentando temperaturas recordes neste verão, hotéis em diferentes países do continente vêm adotando medidas para reduzir os impactos da onda de calor sobre a experiência dos hóspedes. Entre as ações estão mudanças nos horários de atividades, reforço na climatização, adaptações na oferta gastronômica e distribuição de itens refrescantes.

No Hotel Le Grand Mazarin, em Paris, administrado pela Maisons Pariente, os hóspedes passaram a receber água gelada, toalhas frias e borrifadores de água para o rosto. Segundo Luc Seiler, gerente de hospedagem do Hotel Le Grand Mazarin, a equipe de governança também mantém as cortinas fechadas durante a limpeza dos apartamentos para evitar o aquecimento dos ambientes.

“Como muitos hotéis de Paris, adaptamos nossos serviços para garantir que nossos hóspedes permaneçam o mais confortáveis possível”, afirma.

Na rede B. Signature Hotels & Resorts, que opera cinco hotéis na capital francesa, as equipes de concierge passaram a reorganizar os roteiros dos visitantes, recomendando passeios culturais pela manhã, almoços em restaurantes climatizados e até noites no próprio hotel durante os períodos de maior calor.

“Estamos incentivando uma experiência mais completa de serviço de quarto, quase como uma ‘noite de cinema de luxo’, permitindo que os hóspedes desfrutem de boa comida, bebidas geladas, champanhe ou coquetéis e façam uma pausa depois de um dia quente na cidade”, explicou Agathe Jousse, diretora-geral adjunta da B. Signature Hotels & Resorts.

Calor altera operação turística

As altas temperaturas também impactaram a operação de empresas de turismo. Segundo Mark Bonte, CEO da French Side Travel, atrações como o Louvre, a Torre Eiffel, o Palácio de Versalhes e o Museu d’Orsay precisaram fechar temporariamente ou alterar seus horários de funcionamento.

Para contornar a situação, a operadora passou a concentrar atividades ao ar livre nas primeiras horas da manhã e direcionar clientes para museus menores e atrações em ambientes fechados.

“Até regiões como a Normandia, normalmente menos afetadas, registraram temperaturas excepcionalmente altas. Nossa equipe precisou realocar hóspedes de hotéis sem ar-condicionado, algo que nunca havia ocorrido naquela região”, comenta.

Hotéis italianos mudam programação e resfriam piscinas

Na Itália, o Casa Angelina, na Costa Amalfitana, passou a priorizar atividades de bem-estar ao nascer do sol, passeios de barco pela manhã e experiências noturnas, como cruzeiros ao pôr do sol e pescarias de lula após o anoitecer.

Já o JW Marriott Venice Resort & Spa precisou reduzir a temperatura de suas piscinas. “Não havia praticamente diferença entre a temperatura externa e a da água da piscina. Por isso, estamos adicionando água fria para oferecer mais conforto aos hóspedes”, pontua Cristiano Cabutti, gerente-geral do JW Marriott Venice Resort & Spa.

O hotel também transferiu os almoços servidos em áreas externas para ambientes internos durante os períodos de calor mais intenso, ampliou a oferta de água e observou mudanças no consumo dos hóspedes. “Agora a procura é maior por alimentos mais refrescantes: um pouco menos de massas e mais saladas e sorvetes”, explica Cabutti.

Londres amplia opções em ambientes internos

Na capital britânica, o Hotel Café Royal implantou um carrinho de bebidas refrescantes no lobby, oferecendo água gelada e água de coco, além de distribuir um kit de boas-vindas com protetor solar e lenços refrescantes. O hotel também lançou uma nova linha de sorvetes artesanais.

O The Londoner passou a oferecer sorvetes gratuitos nos dias mais quentes, enquanto o Westin London City registrou aumento na procura por pratos leves, como poke bowls, e criou novas atividades em ambientes internos, incluindo aulas de ioga e oficinas de cerâmica. “São esses pequenos cuidados, oferecidos no momento certo, que fazem a maior diferença durante uma onda de calor”, afirmou Eugene Leonard, diretor-geral do Hotel Café Royal.

Ar-condicionado passa a ser prioridade

Segundo especialistas, as ondas de calor estão acelerando mudanças estruturais na hotelaria europeia.

Alexandra Dumoulin, diretora do escritório de Londres da consultoria HVS, afirmou que os investimentos em sistemas de ar-condicionado, antes concentrados em hotéis de luxo e no sul da Europa, passaram a alcançar diferentes categorias de empreendimentos.

“Estamos enfrentando essas ondas de calor há cerca de dez anos. Cada uma parece ser a pior quando acontece, mas esse fenômeno já vem ocorrendo há bastante tempo, e a indústria começou a reagir. A adoção de ar-condicionado nos hotéis europeus acelerou significativamente”, salienta.

Segundo Dumoulin, hotéis sem sistemas eficientes de climatização enfrentam aumento nas reclamações, queda na satisfação dos hóspedes e risco de perda de competitividade durante o verão.

A avaliação é compartilhada por Agathe Jousse, que destacou os investimentos da B. Signature Hotels & Resorts na modernização dos sistemas de climatização.

“O ar-condicionado tornou-se um fator de decisão muito mais importante do que era anteriormente, especialmente para hóspedes internacionais. Para muitos viajantes, principalmente dos Estados Unidos, ele deixou de ser um luxo e passou a ser uma expectativa básica”, afirma.

Dumoulin acrescenta que os projetos de renovação dos hotéis têm priorizado sistemas de climatização (HVAC), painéis solares e tecnologias automatizadas para desligar iluminação e refrigeração em quartos desocupados, reduzindo o consumo de energia.

Apesar das temperaturas extremas, ela observa que a demanda por viagens ao continente permanece elevada.

“Acredito que o mercado europeu tem demonstrado grande resiliência. No sul da Europa e ao longo da costa do Mediterrâneo, especialmente nos segmentos alto padrão e luxo, as tarifas aumentaram significativamente e continuam crescendo devido à elevada demanda por esses destinos”, conclui.

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