O cruzeiro Scarlet Lady, da Virgin Voyages, fretado pela Atlantis Events para um roteiro voltado ao público LGBTQ+, foi impedido de atracar em Alexandria, no Egito, nesta quinta-feira (9). A decisão ocorreu poucos dias após as autoridades da Turquia proibirem escalas da embarcação em Kusadasi e Istambul.
Segundo a Atlantis Events, organizadora da viagem, a autorização para desembarque em Alexandria foi revogada poucas horas antes da chegada ao porto, sem explicação oficial. O navio transporta cerca de 2 mil passageiros e havia incluído a escala no Egito como alternativa ao cancelamento das paradas na Turquia.
Rich Campbell, presidente da Atlantis Events, afirmou que a situação foi inédita para a empresa. “Realmente inédita”, classificou o executivo, acrescentando que a decisão foi “estranha e triste”. Segundo Campbell, a companhia realizou o mesmo itinerário em 2025 sem enfrentar qualquer restrição.
De acordo com relatos publicados pela imprensa internacional, os passageiros receberam um comunicado nas cabines informando o cancelamento da escala. Na mensagem, a organização destacou que também foi surpreendida pela decisão das autoridades egípcias.
A parada em Alexandria foi incluída depois que o governo da Turquia vetou a entrada do navio em seus portos. Segundo as autoridades turcas, a embarcação havia sido fretada por “grupos conhecidos por comportamentos que não se alinham à estrutura de nossa sociedade e aos nossos valores morais”. O governo afirmou que não havia “absolutamente nenhuma possibilidade” de autorizar a visita.
Em entrevista anterior à CNN, Campbell afirmou que foi a primeira vez, em 36 anos de atuação da Atlantis Events, que a empresa foi impedida de atracar em um país “por causa de quem somos”. Com a decisão do Egito, a operadora passou a registrar duas recusas durante a mesma viagem.
A Virgin Voyages também informou que lamenta o cancelamento da escala em Alexandria. Como alternativa, o Scarlet Lady seguirá para Kotor, em Montenegro. A companhia destacou que já havia operado o mesmo roteiro anteriormente sem incidentes e afirmou que continuará trabalhando para minimizar os impactos aos passageiros.
O cruzeiro de dez dias partiu de Atenas no último dia 5 e tem chegada prevista em Veneza. Dos cerca de 2 mil viajantes a bordo, aproximadamente 1.100 são norte-americanos. Os demais passageiros são provenientes de países como Reino Unido, Canadá e Austrália.
Embora relações entre pessoas do mesmo sexo não sejam ilegais no Egito e na Turquia, a comunidade LGBTQ+ enfrenta restrições e estigma social nos dois países. No Egito, autoridades utilizam leis relacionadas à moralidade pública e à chamada “devassidão” para punir integrantes da comunidade. Na Turquia, apesar de a homossexualidade ser legal, o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan mantém posições conservadoras sobre o tema e frequentemente faz declarações contrárias aos direitos da população LGBTQ+.








