Grupo PGA capta R$ 25 milhões pelo Regime Fácil da B3

Emissão de notas comerciais pelo Regime Fácil foi celebrada em toque de campainha na B3; operação marca entrada do grupo pernambucano no mercado de capitais

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

São Paulo (SP) – O Grupo PGA realizou, nesta terça-feira (18), um toque de campainha na sede da B3, para marcar sua estreia no mercado de capitais. Sediada em Ipojuca (PE) e responsável pela construção e operação de empreendimentos hoteleiros no Nordeste, companhia captou R$ 25 milhões por meio da emissão de notas comerciais, utilizando as novas regras do Regime Fácil. A operação contou com assessoria do Itaú Empresas na definição estratégica e na estruturação.

Em vigor desde 16 de março de 2026, o Regime Fácil foi criado para ampliar o acesso de companhias de menor porte ao mercado de capitais e diversificar as alternativas de financiamento. O modelo é destinado a empresas com faturamento bruto anual inferior a R$ 500 milhões e estabelece procedimentos simplificados para reduzir as barreiras de entrada nesse mercado.

As notas comerciais utilizadas na operação são títulos de crédito por meio dos quais empresas captam recursos junto a investidores, incluindo pessoas físicas e jurídicas, fundos de investimento e instituições financeiras. Segundo o Grupo PGA, a operação representa uma nova possibilidade de acesso a capital para a companhia e amplia o espectro de credores com os quais poderá trabalhar.

Durante a cerimônia, Eduardo Malheiros, diretor do Grupo PGA, afirmou que a operação representa uma mudança na estratégia de financiamento da empresa. “Hoje não estamos celebrando apenas uma operação financeira. Estamos abrindo uma nova avenida para o crescimento da nossa empresa. Estamos aproximando bons projetos do capital necessário para realizá-los”, declara.

No discurso, Malheiros também associou a entrada no mercado de capitais à trajetória de expansão do grupo e às parcerias construídas ao longo dos anos. Ao falar sobre a relação com a Marriott International, destacou o acesso a conhecimento, distribuição e marcas da companhia, além da identificação com o princípio de colocar as pessoas em primeiro lugar.

“Hotel não é apenas um hotel. Hotel é um emprego que é gerado, cria oportunidades, movimenta fornecedores, desenvolve pessoas e transforma a região aonde ele está inserido”, pontua. Segundo o executivo, a expansão da atividade hoteleira deve ser acompanhada pelo desenvolvimento das pessoas envolvidas nos empreendimentos e das comunidades no entorno.

Grupo PGA B3
Eduardo Malheiros, diretor do Grupo PGA, em seu discurso de abertura do evento. Crédito: Matheus Alves/Brasilturis

Parceria com a Marriott

A presença de executivos da Marriott International no evento também evidenciou a estratégia de expansão conjunta com o Grupo PGA. Paulo Manso, vice-presidente de desenvolvimento de negócios Brasil da Marriott International, afirmou que a empresa considera a família Malheiros e o Grupo PGA um de seus principais parceiros no país.

Segundo Manso, a Marriott tem como um dos pilares de sua estratégia global a expansão de sua presença no Brasil. “Ter parceiros importantes como a família Malheiros, PGA, e trazer toda a força da Marriott, mais do que nunca, acreditamos realmente nesse novo momento da Marriott”, comentou durante a coletiva.

O executivo também antecipou que a companhia avalia novos negócios no país em conjunto com o grupo pernambucano, embora não tenha detalhado eventuais novas marcas ou projetos. Atualmente, entre os empreendimentos mencionados estão o The Westin Porto de Galinhas e o projeto do The Westin João Pessoa, cuja construção já está em andamento.

O relacionamento entre as empresas também inclui a operação de hotéis da marca City Express. Manso destaca ainda que a parceria não se limita ao desenvolvimento imobiliário, mas envolve a permanência dos investidores na operação hoteleira.

“É muito importante para o hotel que nós tenhamos um investidor também que fique no negócio, que continue operando”, ressalta. Para o executivo, a movimentação representa uma mudança no perfil do investidor brasileiro, que estaria mais especializado e interessado na continuidade dos negócios hoteleiros.

Grupo PGA B3
Executivos do Grupo PGA e Marriott durante o evento na B3. Crédito: Matheus Alves/Brasilturis

Investimentos e novos projetos

Malheiros reforça que o grupo trabalha continuamente na renovação de seus empreendimentos e citou investimentos previstos para o The Westin Porto de Galinhas. Segundo o executivo, o hotel deverá inaugurar em setembro um rooftop, além de um Club Lounge da Westin voltado aos hóspedes elegíveis ao programa de fidelidade da Marriott e um novo restaurante.

O investimento mencionado para as intervenções é superior a R$ 30 milhões. Malheiros também afirmou que o grupo trabalha com tecnologias de inteligência artificial aplicadas à operação hoteleira e mantém um departamento dedicado ao tema. “Acho que hotelaria é isso, é dinâmica. Você não pode ter nenhum momento que você fique parado no tempo e espere a coisa acontecer. Hotelaria é se renovar todo dia, é trazer novidades, é trazer mais tecnologia”, sintetiza.

Ana Helena Malheiros, diretora do The Westin Porto de Galinhas, também destacou a relação com a Marriott e a troca de experiências proporcionada pela parceria. Segundo ela, a operação é pautada pela construção de conexões e pelo aprendizado diário. “Eu acredito nessa conexão, eu acredito na verdade, eu acredito que a gente está ouvindo verdadeiramente as histórias. É sempre uma troca, diariamente é uma troca”, afirma.

A executiva também comenta a ampliação dos mercados trabalhados pelo hotel, com destaque para o público europeu. Portugal, segundo Ana Helena, ganhou importância na estratégia comercial, enquanto a conectividade aérea contribui para a chegada de estrangeiros a Pernambuco. “Temos ampliado bastante o mercado europeu, ainda mais com o novo voo de Recife para a Europa”, ressalta.

Grupo PGA B3
Representantes do Grupo PGA, Marriott International e Itaú celebram toque de campanhia. Crédito: Matheus Alves/Brasilturis

Operação financeira

A operação financeira celebrada na B3, de acordo com Malheiros, amplia a capacidade do grupo de aproximar projetos de novas fontes de capital. “A emissão é um marco na trajetória da companhia e  os recursos fortalecem nossa capacidade de investir em novos projetos e expandir as operações”, pontua.

Para Flavia Mouta, diretora de Listagem e Relacionamento da B3, o Regime Fácil cria uma alternativa para empresas em processo de expansão acessarem o mercado de capitais. “A emissão de títulos de dívida corporativa por meio do Regime Fácil se destaca como uma alternativa ágil e estratégica para empresas que buscam financiamento no mercado de capitais”, comenta.

Já Gabriela Denadai, diretora do Itaú Empresas, destaca que a preparação para a entrada no mercado de capitais envolve, além da captação, processos de governança e alinhamento da operação à estratégia de crescimento da companhia.

A B3 disponibilizou, ainda, um guia sobre o Regime Fácil, com informações sobre as regras, modalidades de oferta e etapas para a listagem das empresas.

LEIA MAIS NOTÍCIAS

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, 
necessariamente, a opinião deste jornal

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

MAIS LIDAS

NEWSLETTER

    AGENDA 2026

    REDES SOCIAIS

    PARCEIROS