São Paulo (SP) – A Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS) apresentou, durante a 53ª Abav Expo, uma pesquisa sobre a aplicação da neurociência na análise da experiência turística. Realizado em parceria com a Embratur Lab e empresas de tecnologia, o estudo buscou compreender, por meio de dados neurobiológicos, as respostas emocionais dos visitantes durante experiências no Estado.
Apresentada por Henrique Teruo Akiba, neurologista e pesquisador, a pesquisa utilizou eletroencefalografia de alta precisão para monitorar os impulsos neurobiológicos de participantes durante jornadas no Recanto Ecológico Rio da Prata, em Jardim, e no Bioparque Pantanal, em Campo Grande. A iniciativa foi contemplada pelo concurso de experiências sustentáveis em destinos turísticos brasileiros, promovido pela Embratur em 2024.
Durante a apresentação, Akiba explicou que a metodologia permite acompanhar níveis de atenção, engajamento, relaxamento, excitação e estresse ao longo das experiências. Os dados foram posteriormente cruzados com entrevistas realizadas com os participantes, permitindo relacionar as respostas emocionais inconscientes às percepções declaradas pelos visitantes.
“O turismo, no final, trata de emoções humanas e de memorabilidade, algo muitas vezes intangível. Dependendo da experiência das pessoas, só vamos descobrir o que aconteceu de fato quando aparece a resposta em uma avaliação no Google ou em algum site de relacionamento. Por isso, é importante realizar medidas que detectem a resposta emocional inconsciente das pessoas”, explicou Henrique Teruo Akiba.
Entre os resultados apresentados, a pesquisa identificou diferentes momentos de impacto ao longo da experiência no Rio da Prata. A aproximação do visitante ao atrativo apresentou aumento de excitação e estresse, seguido por redução desses indicadores à medida que ocorria o contato com a natureza e a água. A caminhada técnica apareceu como um dos momentos de maior intensidade entre os marcadores analisados.
O estudo também identificou pontos de atrito que podem interferir na experiência do visitante, incluindo aspectos relacionados ao uso de equipamentos, temperatura da água, trechos escuros e outros elementos da operação. Segundo Akiba, a análise permite identificar não apenas os momentos que podem ser potencializados, mas também aqueles que apresentam oportunidades de melhoria.
“Os dados mostram que esse estímulo emocional antes da flutuação pode ser fundamental para converter ansiedade, receio e estresse em engajamento e ideia de superação. Nesse sentido, histórias e pausas contemplativas, nas nascentes e nos demais elementos naturais, podem tornar essa experiência ainda mais instigante e interessante para as pessoas”, afirmou.
Para a Fundtur-MS, a aplicação da neurociência representa uma possibilidade de utilizar dados objetivos na avaliação das experiências turísticas, complementando as pesquisas tradicionais de satisfação. A proposta é que a metodologia possa ser replicada em outros atrativos e destinos brasileiros, contribuindo para decisões relacionadas à experiência do visitante, investimentos e desenvolvimento de produtos turísticos.










