Colônia do Sacramento (Uruguai) – A relação de Colônia do Sacramento com o mercado brasileiro vem ganhando novos contornos. Além do tradicional centro histórico, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, o destino uruguaio quer apresentar ao viajante brasileiro um departamento mais amplo, com experiências ligadas à gastronomia, produção de queijos e vinhos, turismo esportivo, eventos e até casamentos.
A estratégia foi detalhada ao Brasilturis por Martín Alvarez, secretário de Turismo de Colonia de Sacramento, durante a edição do Agentes Ta On na Estrada que se iniciou na última quarta-feira (7) e se estende até o próximo domingo (11). Segundo o executivo, a aproximação com o trade é uma das principais ferramentas para ampliar a presença de Colonia nos roteiros vendidos no Brasil.“Nós fazemos muito foco em mostrar o resto do departamento”, explica Alvarez.
A localização continua sendo um dos principais ativos do destino. Colônia do Sacramento está diante de Buenos Aires e pode ser acessada a partir da capital argentina em aproximadamente uma hora de ferryboat. Essa conexão faz com que a cidade receba um fluxo expressivo de argentinos, além de visitantes de outros mercados internacionais. O próprio mercado brasileiro também se beneficia dessa estrutura. Segundo Alvarez, muitos brasileiros chegam a Colônia via Buenos Aires, aproveitando a conectividade aérea da capital argentina com diferentes partes do mundo.
A gastronomia é uma das ferramentas utilizadas para apresentar esse território ao visitante. A influência de comunidades europeias ajudou a desenvolver uma tradição ligada à produção de leite, queijos e outros produtos de pequenas propriedades rurais.
É nessa região que está a Rota do Queijo, experiência apresentada aos profissionais brasileiros convidados pela Azul Viagens durante a visita. O circuito reúne propriedades e produtores e transforma a gastronomia em uma porta de entrada para conhecer o interior de Colônia. “A gente tem muitas granjas, muitos produtos de granja, queijarias. Vocês estiveram na Rota do Queijo, que é um produto muito atrativo para nós e que se vende muito”, destaca Alvarez.
A diversificação também aparece na estratégia de turismo esportivo. Colônia realizou neste ano sua primeira prova de 21 quilômetros e já prepara uma programação maior para a próxima temporada. A previsão é realizar a primeira maratona de 42 quilômetros, além de uma segunda edição da prova de 21 quilômetros. A intenção é utilizar eventos esportivos para gerar fluxo em períodos específicos e apresentar o destino a novos públicos.

O segmento MICE também está entre as prioridades. Colônia busca ampliar a realização de congressos, reuniões e eventos corporativos, aproveitando espaços que podem ser adaptados a diferentes formatos. O turismo de casamentos é outra frente que começa a ser trabalhada pelo destino. “Fazemos muito foco em turismo MICE, em turismo de eventos e reuniões. Também estamos começando a trabalhar com o turismo de casamentos”, conta.
Brasil é mercado prioritário
O destino recebe entre 400 mil e 500 mil turistas por ano, de acordo com Alvarez. A maior parte desse fluxo é formada por uruguaios e argentinos, justamente pela proximidade, mas o mercado brasileiro apresenta crescimento gradual. Segundo o secretário, as ligações com Porto Alegre voltaram a ganhar força, enquanto a capital argentina permanece estratégica por sua conectividade internacional. Além disso, o acesso rodoviário também representa uma oportunidade. As boas condições das estradas permitem que parte dos visitantes gaúchos chegue ao destino de carro.
Para ampliar a presença entre os brasileiros, Colônia mantém uma estratégia de participação em feiras e eventos do setor. Alvarez cita a presença recorrente em WTM, Festuris e outras iniciativas de promoção, além de ações específicas realizadas no Rio Grande do Sul.
O destino também mantém um acordo de cidades-irmãs com Caxias do Sul, utilizado para desenvolver ações de promoção cruzada. A proximidade geográfica faz do Rio Grande do Sul um dos mercados brasileiros prioritários para Colônia. “Fazemos muito foco na zona do Rio Grande do Sul, pela proximidade”, explica o secretário.
A estratégia também passa por aproximar o destino diretamente de quem comercializa viagens. Alvarez considera a presença dos agentes de viagens fundamental para transformar o interesse pelo destino em vendas. “É muito importante receber quem vende destinos no mundo para que nos coloque na sua grade de destinos e possa comercializá-los. Nós fazemos muito foco nisso”, afirma.
Tranquilidade como diferencial
Para Alvarez, entretanto, os principais diferenciais de Colônia não estão apenas nos produtos turísticos. A combinação de tranquilidade, segurança e hospitalidade é utilizada como argumento para atrair eventos e experiências que enfrentam restrições em grandes cidades. O secretário cita como exemplo o crescimento dos encontros de carros clássicos. Veículos que encontram dificuldades para circular ou realizar atividades desse tipo em grandes centros podem encontrar em Colônia uma estrutura mais adequada.
“Cada vez mais recebemos, por exemplo, rally de carros clássicos, esse tipo de coisa que não pode mais acontecer nas grandes cidades e aqui pode. Eles se movimentam com segurança, com segurança no trânsito, além da cordialidade da nossa gente”, afirma.
Na visão do secretário, são características que não podem ser reproduzidas simplesmente com investimentos em hotéis ou infraestrutura turística. “Paisagens bonitas e hotéis cinco estrelas existem em todas as partes do mundo, mas nesse tipo de coisa realmente nos diferenciamos”, resume.
Parceria Azul Viagens
A possibilidade de ampliar o acesso aéreo diretamente a partir do Brasil também está no radar. Alvarez revela que chegou a conversar com a Azul durante o Festuris sobre a possibilidade de estabelecer uma conexão com o departamento. As conversas também coincidiram com a construção da parceria entre Colônia e Caxias do Sul. Segundo o secretário, a intenção é encontrar alternativas que permitam uma ligação mais direta entre o destino uruguaio e o mercado brasileiro.
O destino conta ainda com o Aeroporto Internacional de Carmelo, que recebe voos privados com frequência. De acordo com Alvarez, são registrados entre seis e oito voos privados por dia, dependendo do período. “Hoje é um aeroporto que recebe voos privados com muito boa frequência para o que é o Uruguai, mas apostamos em gerar algum tipo de conectividade diretamente do nosso departamento com o Brasil”, afirma.
A estratégia reforça o movimento de Colonia para deixar de ser apenas uma parada rápida em roteiros pelo Uruguai e se consolidar como destino com experiências próprias. Para o trade brasileiro, a proposta é ampliar a oferta para além do centro histórico e transformar gastronomia, vinho, esporte, eventos e a tranquilidade do interior em novos argumentos de venda.
O Brasilturis viaja a convite da Azul Viagens.

