Minor Hotels mira brasileiros e prepara expansão de marcas de luxo na América Latina

Com 55 hotéis em seis países da região, grupo investe em novas bandeiras, experiências de alto padrão e fidelização para atrair viajantes brasileiros

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

O Brasil ocupa uma posição de destaque entre os principais mercados emissores de turistas para a América Latina, com presença expressiva em destinos como Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México. Entre janeiro e abril de 2026, por exemplo, foram registrados 1,16 milhão de embarques do Brasil com destino à Argentina, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O país liderou o fluxo internacional de passageiros brasileiros no período, seguido pelos Estados Unidos e pelo Chile, outro mercado latino-americano de grande relevância para o turismo nacional.

Destinos como Buenos Aires, Cancún, Deserto do Atacama e Montevidéu fazem parte do repertório de viagens dos brasileiros há muitos anos. A proximidade entre os idiomas português e espanhol, as afinidades culturais e as condições cambiais favoráveis em determinados períodos contribuem para estimular esse movimento. Nesse cenário, o Brasil tornou-se um mercado fundamental para o desempenho da hotelaria regional. “Em absolutamente todos os países da região em que temos operação, os brasileiros figuram no top 10 de ocupação”, destaca Viviana Guerrero, diretora comercial para as Américas da Minor Hotels Europe & Americas. De origem tailandesa, o grupo mantém 55 propriedades distribuídas entre Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia, Peru e México.

Brasil ocupa posição estratégica na emissão de turistas

As preferências dos turistas brasileiros apresentam mudanças frequentes, influenciadas por fatores econômicos e pelas características de cada temporada. Na Argentina e no Chile, destinos tradicionalmente procurados por esse público, a variação cambial e a intensidade das nevascas durante o inverno exercem influência sobre a demanda. Entretanto, o interesse dos brasileiros já ultrapassa os roteiros de neve e praia, com maior procura por experiências culturais e destinos menos convencionais. “O brasileiro tem um perfil de viagens essencialmente de lazer, mas os interesses específicos desse público têm mudado ao longo dos últimos anos. Observamos um aumento expressivo de brasileiros trocando os destinos tradicionalmente mais visitados por roteiros focados em cultura e arqueologia em metrópoles como a Cidade do México e Lima, no Peru”, pontua Viviana.

A diversificação das preferências desse consumidor, associada à resistência da demanda turística dentro da própria América Latina, sustenta os planos de crescimento da Minor Hotels Europe & Americas. O grupo identifica na movimentação doméstica e nas viagens entre países vizinhos uma característica favorável ao desenvolvimento de seus negócios, já que a combinação desses fluxos reduz a exposição às oscilações de mercados externos e permite atender diferentes perfis de hóspedes ao longo do ano.

Para acelerar a entrada de novas bandeiras na região, a companhia prioriza o modelo de negócios asset-light, baseado principalmente em franquias e contratos de administração hoteleira. A estrutura permite expandir a presença das marcas sem depender exclusivamente de investimentos diretos na propriedade dos empreendimentos. Segundo Viviana, o crescimento deve preservar os padrões internacionais de atendimento da rede. “A excelência no serviço é garantida por meio de um acompanhamento rigoroso e treinamento constante das equipes locais”, detalha.

Mercado de luxo ganha espaço nos planos da rede

Tradicionalmente presente nos segmentos premium e corporativo, por meio de marcas como NH Hotels e NH Collection, a Minor Hotels identificou oportunidades para introduzir na América Latina bandeiras de alto luxo já estabelecidas nos mercados europeu e asiático. A estratégia acompanha transformações no comportamento dos consumidores de maior poder aquisitivo, que passaram a atribuir importância crescente à exclusividade, à autenticidade e às experiências proporcionadas pela hospedagem. “Atualmente, o foco está na exclusividade da experiência e no potencial ‘instagramável’ que a propriedade oferece. Ao trazer para cá bandeiras já estabelecidas em outras partes do mundo, o desafio estratégico é fundir seus rígidos padrões globais de wellness às necessidades culturais latino-americanas.”

A diversificação do portfólio já pode ser observada em empreendimentos recentes. Inaugurado no segundo semestre de 2025, o nhow Lima marcou a estreia da bandeira nas Américas, depois de sua presença em cidades como Londres, Berlim e Amsterdã. Localizado em Miraflores, um dos bairros mais conhecidos da capital peruana, o hotel incorpora referências culturais do país à proposta de hospedagem. “O Peru é um mercado emergente impressionante e que segue crescendo. O nhow Lima é uma ode à cultura inca. Cada um dos cantos do hotel conta uma história e mostra com muita arte tudo o que é possível viver no país. É uma oferta diferente que, além da hospedagem, também tem entretenimento, com um pool bar no rooftop que tem vista para toda a cidade e quer agitar a vida noturna”, explica Viviana.

Na Argentina, o Anantara Ushuaia, anunciado em 2025, representa uma iniciativa voltada ao turismo de luxo em um destino de forte apelo entre os brasileiros, especialmente durante o inverno. No México, a companhia desenvolve projetos destinados a diferentes segmentos. Entre eles está o Tivoli Mérida Residences, com abertura prevista para 2027 e proposta baseada no conceito de residências vinculadas a marcas hoteleiras. O grupo também prepara o NH Studios em Guadalajara, direcionado a estadias de média e longa duração, e o Avani Cancún, voltado ao turismo de lazer. No Paraguai, o NH Collection Assunção terá foco principalmente no mercado corporativo e ficará instalado no edifício mais alto da capital.

Programa de fidelidade integra estratégia de crescimento

Além dos investimentos em novas propriedades e marcas, a Minor Hotels considera a fidelização um instrumento importante para manter o relacionamento com os hóspedes e estimular a utilização de diferentes hotéis de seu portfólio. O programa Minor Discovery registrou a entrada de mais de 1,2 milhão de associados apenas no ano passado. A plataforma também está integrada à Global Hotel Alliance (GHA), parceria que oferece aos participantes acesso a uma rede internacional formada por mais de 800 hotéis.

Para estimular novas adesões, a companhia combina ações de comunicação com iniciativas realizadas diretamente nas propriedades. O treinamento dos profissionais responsáveis pelo atendimento ocupa papel central nessa estratégia, especialmente durante o primeiro contato dos hóspedes com os serviços disponíveis. “Apostamos intensamente na capacitação das equipes locais de cada hotel, treinando os funcionários para apresentar os benefícios do programa diretamente aos hóspedes logo no check-in, o que tem se mostrado um método altamente eficaz para tangibilizar o valor da plataforma e garantir novas conversões de forma orgânica”, completa Viviana.

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