O dólar foi a moeda estrangeira mais transacionada por pessoas físicas no Brasil entre janeiro e dezembro de 2025. De acordo com ranking anual elaborado pela Travelex Confidence, a moeda norte-americana concentrou 51,74% do volume total de operações de câmbio realizadas no país no período.
Na comparação com 2024, o volume de transações em dólar cresceu 17,28%. Já em relação a 2023, ano marcado por forte aquecimento do turismo no pós-pandemia, houve retração de 13,59%, indicando uma normalização do mercado após aquele pico.
Segundo Jorge Arbex, diretor do Grupo Travelex Confidence, o desempenho do dólar em 2025 foi influenciado pela desvalorização da moeda norte-americana no mercado global. A queda acumulada foi de 11,18% frente ao real, o maior recuo desde 2016. “Com o dólar mais barato, houve maior propensão de consumo por parte das pessoas físicas, impulsionando a demanda para viagens ao exterior”, afirma.
O calendário esportivo também teve impacto relevante sobre o volume de operações. A realização do campeonato mundial de clubes nos Estados Unidos, entre junho e julho, com a participação de quatro times brasileiros, levou mais de 25 mil torcedores ao país. “Eventos dessa magnitude influenciam diretamente no volume de moedas estrangeiras transacionadas no pré e durante a realização do mesmo”, afirma Arbex.
Além disso, a preparação de turistas brasileiros para a Copa do Mundo de 2026, que será sediada nos Estados Unidos, já começou em 2025. “Quem já está com viagem planejada acaba aproveitando as oscilações negativas do dólar frente ao real para comprar a moeda gradativamente. Trata-se de uma estratégia comum e eficaz para reduzir custos no planejamento financeiro”, explica o executivo.
No ranking das cinco moedas mais transacionadas em 2025, o euro ficou na segunda colocação, com 38,52% do volume total, crescimento de 7,9% em relação a 2024 e queda de 11,57% frente a 2023. A libra esterlina aparece em terceiro lugar, com 3,26%, seguida pelo dólar canadense, com 2,97%.
O iene japonês manteve a quinta posição pelo segundo ano consecutivo, com 1,13% do volume transacionado. Para Arbex, o dado reflete o interesse contínuo dos brasileiros pelo Japão, reforçado pela isenção de vistos entre os dois países desde 2023. “Isso passou a fomentar ainda mais a procura por esse roteiro, o que impacta naturalmente o crescimento das transações envolvendo o iene”, afirma.
No segmento de transferências internacionais, a principal natureza em 2025 foi a categoria “transferência entre contas da mesma pessoa natural ou jurídica”, associada à disponibilidade de recursos no exterior. Essa modalidade representou 36% do volume total transacionado no ano, com ticket médio de R$ 27,9 mil, crescimento de 32,2% em relação a 2024 e de 12,3% frente a 2023.
Entre os principais destinos de envio de recursos, os Estados Unidos lideraram com 42,45% do volume, seguidos por Portugal, com 15,43%. No fluxo inverso, considerando a origem dos recebimentos no Brasil, os EUA também ficaram na primeira posição, com 64,01%, à frente da Alemanha, com 10,67%, e do Canadá, com 6,16%.

