O dólar voltou a subir frente ao real na manhã desta terça-feira (10), refletindo a cautela dos mercados diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A divisa americana reage após a forte queda registrada na sessão anterior, quando declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriram que o conflito na região poderia terminar em breve.
Por volta das 9h43, o dólar à vista registrava alta de 0,18%, sendo negociado a R$ 5,174 na venda. No mercado futuro, o contrato mais líquido negociado na B3, com vencimento em abril, avançava 0,07%, cotado a R$ 5,2025.
A valorização ocorre em um ambiente de cautela global, impulsionado pelas incertezas envolvendo a escalada de tensões no Oriente Médio e possíveis impactos no mercado de energia e no comércio internacional.
Declarações sobre guerra impactam mercado
Na véspera, Donald Trump afirmou que o conflito na região poderia terminar antes do prazo inicialmente previsto. Ao mesmo tempo, o presidente americano indicou que os ataques poderiam ser intensificados caso o Irã bloqueasse o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã classificou as declarações como “absurdas” e afirmou que o bloqueio do estreito continuaria até o fim das ações militares conduzidas pelos Estados Unidos e por Israel.
A região do Estreito de Ormuz é considerada uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo, o que faz com que qualquer ameaça de interrupção no fluxo da commodity tenha impacto direto nos mercados financeiros.
Banco Central atua no mercado
No Brasil, os investidores também acompanham a atuação do Banco Central do Brasil no mercado cambial. A autoridade monetária programou para as 11h30 um leilão de 50 mil contratos de swap cambial tradicional, operação voltada à rolagem do vencimento programado para 1º de abril.
Os contratos de swap cambial funcionam como instrumentos utilizados pelo Banco Central para oferecer proteção cambial ao mercado e reduzir oscilações mais intensas na cotação da moeda.
Apesar da leve alta registrada nesta manhã, analistas destacam que o comportamento do dólar segue condicionado ao cenário externo, especialmente à evolução das tensões geopolíticas e às expectativas sobre política monetária nos Estados Unidos.

