Belo Horizonte (MG) – Durante a edição de 2026 do Minas Travel Market (MTM), realizada nos dias 23 e 24 de abril no Minas Centro, a Associação Brasileira de Agências de Viagens de Minas Gerais (Abav-MG) reforçou seu papel estratégico na articulação do setor turístico em Minas Gerais, com foco na interiorização, qualificação do agente de viagens e ampliação da presença internacional do estado. Em entrevista ao Brasilturis, Alexandre Brandão, presidente da Abav-MG, destacou as frentes de atuação da entidade e os desafios para o crescimento do mercado.
Para além da parceria na realização da feira, a estratégia da Abav-MG está centrada na descentralização das ações. A entidade mantém um calendário próprio de eventos regionais ao longo do ano, com o objetivo de aproximar fornecedores e agentes do interior. “Nossa atuação hoje é muito dinâmica no interior de Minas. Além da feira aqui, fazemos mais quatro eventos. Já estivemos em Montes Claros, vamos para Divinópolis, Juiz de Fora e, depois, Ipatinga e Governador Valadares”, lista.
Brandão ressalta que essa presença é fundamental para reduzir a lacuna de acesso à informação e capacitação fora dos grandes centros. “O agente do interior é muito carente de informação boca a boca. Ele vê muita coisa na mídia, mas receber um operador, conversar, ter acesso a conteúdo e orientação é diferente”, afirma.
Segundo ele, temas como responsabilidade civil e aspectos jurídicos da atividade ainda são pouco difundidos entre esses profissionais. “Tem gente que nem sabe o que é seguro de responsabilidade civil. Então, essa presença nossa é fundamental para o setor, o crescimento da associação e para a robustez do sistema Abav”, acrescenta.
Outro eixo de atuação envolve a promoção de produtos turísticos regionais. A entidade tem buscado parcerias para divulgar circuitos temáticos e experiências em Minas Gerais. “Acabamos de assinar um contrato para estar presentes na Feira Nacional do Café, em Três Pontas, para divulgar nosso trabalho e circuitos como o do vinho, do café e do queijo”, diz Brandão. Ele também cita o potencial de produtos como o turismo ferroviário e o turismo religioso, com experiências integradas no estado.
Internacionalização em foco
No campo estratégico, a internacionalização aparece como um dos principais desafios. “O grande propósito, além do B2B, é trazer gente para conhecer Minas Gerais, aproveitar nossa gastronomia, nosso ecoturismo e nosso patrimônio histórico”, afirma.
Apesar dos avanços no mercado doméstico, o dirigente reconhece limitações na conectividade internacional. “Hoje representamos menos de 2% do movimento internacional. Temos sete destinos internacionais e precisamos ampliar isso”, pontua.
Brandão destaca que o estado já possui uma base consolidada no mercado doméstico, com forte conectividade aérea. “Hoje voamos para 24 capitais do Brasil direto, e o aeroporto tem 64 destinos diretos. Como hub doméstico, está muito bem consolidado. Agora precisamos crescer no internacional”, diz. A meta, segundo ele, é ampliar a presença de operadores estrangeiros e fortalecer a promoção do destino no exterior, inclusive com ações dentro da própria MTM.
O cenário, no entanto, apresenta entraves. O presidente da Abav-MG chama atenção para a redução recente da oferta aérea no país e seus impactos no setor. “Tivemos uma redução de cerca de 10% nos voos domésticos, o que representa menos 10 mil assentos por dia. Isso nos prejudica muito”, afirma. Ele também critica medidas adotadas pelo governo federal no setor. “Falaram em ajudar, mas não ajudaram. Algumas ações acabam prejudicando mais do que ajudando”, diz.
Apesar dos desafios, a avaliação é de que o turismo mineiro mantém potencial de crescimento, especialmente com a combinação entre mercado emissor forte e capacidade de atração de visitantes. “Em muitos aspectos, somos o segundo maior mercado do Brasil. O desafio agora é transformar essa força também em receptivo internacional”, conclui Brandão.








