Belo Horizonte (MG) – A Federação dos Circuitos Turísticos de Minas Gerais (Fecitur) marcou presença pela primeira vez na Minas Travel Market 2026, feira de turismo realizada nos dias 23 e 24 no Minas Centro. Na ocasião, a entidade reforçou a importância da regionalização como estratégia para estruturar e promover destinos turísticos no estado.
Segundo Teresa Lemos, presidente da entidade, a participação na feira representa um avanço institucional e uma oportunidade de posicionar os circuitos turísticos como produtos integrados. “É nossa primeira vez na feira enquanto Federação. Compramos um espaço devido à importância da regionalização do turismo no Brasil”, afirma.
A dirigente destacou que o modelo de regionalização é fundamental em um país onde a maioria dos municípios possui baixa capacidade individual de atração turística. “No Brasil, 70% dos municípios são menores de 20 mil habitantes. Então, eles não têm atratividade isoladamente. É por isso que trabalhamos com regiões turísticas”, explica.
Em Minas Gerais, esse modelo já apresenta escala consolidada. “Temos 853 municípios. Hoje somos 48 regiões turísticas com mais de 756 municípios associados, trabalhando e desenvolvimento o setor de turismo”, salienta. Segundo Teresa, essa organização contribui para o desempenho do estado. “Por isso que os nossos números crescem mais que a média nacional”, pontua.
A presença na MTM, de acordo com a executiva, amplia a visibilidade dessas regiões. “Estar nessa feira é uma vitrine para o mundo. Essa conexão é que faz dessa feira tão atrativa para nós, como destino, mas também para fazer bons contatos e negócios”, conta Teresa.

Iniciativas e frentes de atuação
Entre as iniciativas apresentadas pela federação, estão projetos alinhados a tendências de mercado.
Um dos destaques é o “Chiquinho das Gerais”, ferramenta baseada em inteligência artificial voltada ao atendimento ao turista. “Ele vem com uma resposta imediata. Fala das rotas, de onde dormir, onde comer, quando o turista pergunta”, explicou Teresa. A proposta é apoiar a tomada de decisão, sem substituir agentes de viagem ou guias. “Ele dá aquele spoiler e depois direciona para os profissionais do Turismo”, reforça.
Outra frente é o chamado turismo do sono, inserido no contexto do turismo rural. A iniciativa propõe experiências em ambientes de silêncio e contato com a natureza. “Você escolhe um lugar que não escuta nada, ou apenas o barulho da cachoeira, do passarinho. Você se reconecta com a natureza e com você mesmo”, explica.
No cenário geral, a presidente da Fecitur avalia que o turismo brasileiro vive um momento de oportunidades, apesar das incertezas internacionais. “Estamos em um momento difícil internacional, mas o Brasil é um país acolhedor. Os números mostram crescimento de turistas internacionais”, afirma, citando dados da Embratur.
Ela também observa o fortalecimento do turismo doméstico. “O turista pode até diminuir o tempo de viagem, mas ele não deixa de viajar”, complementa, ressaltando a necessidade de adaptação às novas demandas.
Por fim, Teresa reforça o papel estruturante da regionalização no desenvolvimento do setor. “Antes, os municípios eram concorrentes. Hoje, com a regionalização, conseguimos conectar esses pequenos municípios que eram invisíveis”, afirma. Segundo ela, o modelo permite distribuir fluxos, gerar renda e ampliar a oferta turística, incluindo segmentos como turismo de base comunitária e afro-turismo.








