O turismo brasileiro segue em ritmo de expansão, mas a contratação de seguro viagem ainda avança em velocidade inferior ao crescimento da demanda. É o que aponta estudo inédito da Affinity Seguro Viagem, baseado em dados oficiais da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Parte dos números já havia sido adiantada ao Brasilturis durante a WTM Latin America.
Segundo o levantamento, entre janeiro e dezembro de 2025, mais de 28,4 milhões de brasileiros viajaram para o exterior, enquanto o mercado doméstico movimentou 101,2 milhões de passageiros. No mesmo período, o segmento de seguro viagem arrecadou cerca de R$ 916,7 milhões, sendo 94,26% desse total relacionado a viagens internacionais, o equivalente a R$ 864,1 milhões.
Ao cruzar os dados de arrecadação com o número de embarques internacionais, o estudo estima que apenas 3,05 milhões de viajantes contrataram seguro viagem ao sair do país. Na prática, isso significa que mais de 25,3 milhões de brasileiros embarcaram sem qualquer tipo de cobertura.
Alexandre Lança, diretor de marketing da Affinity Seguro Viagem, avalia que o cenário exige maior conscientização do consumidor. “Os dados mostram um descompasso claro entre o aumento do turismo e a conscientização sobre proteção. Viajar para o exterior sem seguro ainda é uma decisão comum, mas que pode trazer impactos financeiros e operacionais muito sérios em situações inesperadas”, afirma.
Para o executivo, o momento também representa oportunidade para o trade turístico ampliar o debate junto ao viajante. “O seguro viagem precisa deixar de ser visto como um item opcional e passar a ser entendido como parte essencial do planejamento. Assim como passagem e hospedagem, ele é um componente básico da experiência de viagem”, complementa.
O estudo também destaca a concentração da contratação no mercado internacional, impulsionada por exigências de entrada em alguns destinos e pelos custos mais elevados de assistência médica fora do Brasil. Ainda assim, a adesão permanece abaixo do potencial estimado pelo setor.
“O brasileiro já retomou o desejo de viajar — e isso é evidente nos números. Agora, o próximo passo é evoluir na cultura de prevenção. O crescimento do setor precisa vir acompanhado de mais informação e responsabilidade”, finaliza Lança.
A metodologia utilizou os dados oficiais de arrecadação da Susep, que incluem apólices vendidas por operadoras, seguradoras e também seguros vinculados a cartões de crédito. A partir desse montante, a Affinity Seguro Viagem estimou um ticket médio com base em dados históricos e em sua performance comercial para projetar o volume aproximado de seguros emitidos no segmento internacional.

