O Litoral Norte de São Paulo iniciou mais cedo a temporada de avistamento de baleias e outros cetáceos, com registros confirmados ainda em abril. Após um 2025 considerado recorde, com mais de 800 avistamentos, a expectativa do setor é de um novo ciclo positivo para o turismo regional, especialmente durante os meses de baixa temporada.
Entre maio e novembro, a região — formada por Bertioga, Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba — se transforma em rota de passagem das baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae), que migram das águas frias do hemisfério Sul em direção ao litoral brasileiro para reprodução. A biodiversidade local inclui ainda diferentes espécies de golfinhos, tartarugas e grandes peixes marinhos, ampliando o potencial do destino para o turismo de natureza.
“O avistamento de cetáceos já está consolidado como um importante produto turístico do Litoral Norte e ganha força a cada temporada. Hoje, essa experiência movimenta toda a cadeia do turismo na baixa temporada, atrai visitantes em busca de contato com a natureza e reforça o posicionamento da nossa região como referência em ecoturismo sustentável. O mais importante é que esse crescimento é realizado com responsabilidade, por meio da qualificação das operadoras, da educação ambiental e da preservação da nossa biodiversidade marinha. Esse é um ativo valioso que gera emprego, renda e desenvolvimento para os municípios, ao mesmo tempo em que promove conscientização e valoriza uma das maiores riquezas que temos, que é o nosso patrimônio natural”, afirma Toninho Colucci, presidente do consórcio turístico.
Avistamentos antecipados e dinâmica natural
A ocorrência de baleias ainda em abril, antes do período de maior concentração — tradicionalmente entre junho e julho —, é considerada um comportamento esperado dentro da dinâmica migratória da espécie. Segundo especialistas do Instituto Baleia Jubarte, há variações naturais na chegada dos animais ao longo dos anos.
“Já existiu registro de avistamento de baleias-jubarte no mês de abril em anos anteriores, e isso é normal. Há uma flutuação e variação natural na chegada delas. Além disso, as baleias podem passar mais próximas à costa ou mais distantes — quando passam mais distantes, podem não ser vistas. Nossa temporada no Litoral Norte de SP tem uma maior concentração de baleias nos meses de junho e julho”, explica Rafaela Souza, coordenadora da instituição na região.
Impacto econômico e turismo responsável
O crescimento da procura por informações sobre a atividade antes mesmo do início oficial da temporada indica maior maturidade do segmento. A expectativa do trade é de aumento no fluxo de visitantes, com impacto direto na economia local, beneficiando operadores náuticos, guias, meios de hospedagem e restaurantes.
“As expectativas estão altas. Muitas pessoas já estão procurando informações sobre o avistamento de baleias. Para nós, a expectativa é sempre de uma temporada de sucesso, com um turismo sendo realizado de maneira responsável. Todos os anos preparamos ações para orientação sobre as regras de avistagem, educação ambiental para a conservação das baleias, golfinhos e ambientes marinhos, e além disso, de ver a economia local crescer e girar nesse período considerado como baixa temporada”, afirma Rafaela.
Para garantir segurança e preservação, a recomendação é contratar operadoras credenciadas, que seguem normas de avistamento e participam de programas de qualificação. Em municípios como Ilhabela e São Sebastião, há selos que certificam empresas comprometidas com boas práticas ambientais.
Regras e boas práticas
A atividade segue normas definidas por legislação federal, como distância mínima de 100 metros dos animais, proibição de perseguição e necessidade de desligar o motor na aproximação. Também não é permitido mergulhar com as espécies, medida essencial para preservar o comportamento natural dos cetáceos e garantir a continuidade da atividade turística.

