A Aena Brasil prepara uma ampla concorrência para definir os operadores das futuras áreas comerciais do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Segundo Santiago Yus, presidente da concessionária no país, a iniciativa deve representar “a maior licitação da história dos aeroportos” brasileiros voltada ao segmento comercial.
O anúncio foi feito durante entrevista ao programa Conexão Infra, da CNN Brasil, nesta quinta-feira (7). A estratégia integra o projeto de modernização de Congonhas e busca elevar a participação das receitas comerciais no faturamento da concessionária por meio da chegada de novas operações gastronômicas, cafeterias, salas VIP e lojas de luxo.
“A gente está saindo agora para o mercado com a maior licitação que eu acho que vai acontecer na história dos aeroportos do Brasil”, afirmou Santiago Yus durante a entrevista.
Atualmente, Congonhas possui cerca de 9 mil metros quadrados de área comercial. O plano da Aena prevê ampliar esse espaço para aproximadamente 20 mil metros quadrados, mais do que o dobro da estrutura existente hoje.
“Temos uma composição aproximadamente de 65% de receita regulada, que são os valores que as companhias aéreas e os passageiros pagam, e uns 35% de receita comercial. Com a nossa ideia, queremos dar impulsão em toda essa receita comercial para poder chegar a 40%, 45% da receita total, que já é o percentual de um aeroporto internacional, inclusive”, declarou o executivo.
A previsão da companhia é iniciar o processo de concorrência ainda em 2026. Segundo Yus, a etapa de formalização contratual e elaboração dos projetos deve ocorrer ao longo de 2027, enquanto as obras internas das futuras operações comerciais devem começar no segundo semestre do mesmo ano.
“Nossa ideia é fazer o processo de licitação ainda em 2026, para que já em 2027 seja feita toda a parte de formalização de contratos, de elaboração dos projetos. A ideia é que no segundo semestre de 2027 a gente já consiga começar com o que chamamos de ‘obras privativas’, que são as obras que fazem nossos cenários comerciais. Na virada para o novo terminal, esperamos que toda a oferta comercial esteja pronta”, explicou.
O Conselho de Administração da Aena, cuja matriz fica na Espanha, já aprovou a iniciativa. De acordo com a concessionária, os primeiros lotes da concorrência devem envolver operações de alimentação, com dois blocos principais. Depois, serão abertas oportunidades para cafeterias e fast-food. Em uma etapa posterior, entram varejo, lounges VIP e lojas premium.
Para Santiago Yus, a expansão comercial faz parte de uma mudança no conceito operacional do aeroporto, aproximando Congonhas de modelos internacionais voltados à experiência de consumo e permanência dos passageiros.
A iniciativa acompanha a ampla reforma do Aeroporto de Congonhas, cujo novo terminal tem entrega prevista para junho de 2028. O projeto contempla cerca de R$ 2,4 bilhões em investimentos e prevê ampliação de áreas de embarque, modernização dos pátios de aeronaves e revitalização dos pavimentos de taxiamento, além do aumento da capacidade operacional do terminal.

