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Ana Carolina Medeiros defende foco em valor para impulsionar turismo

Executiva questiona se o Brasil busca volume ou valor agregado no turismo e pede estratégia de longo prazo

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

São Paulo (SP) – A necessidade de posicionar o Brasil como um destino capaz de gerar valor agregado, e não apenas ampliar o número de visitantes, esteve no centro da exposição de Ana Carolina Medeiros, presidente da Abav Nacional, durante o Seminário Lide Turismo, realizado nesta quarta-feira (10), na Casa Lide, em São Paulo.

Ao abordar o tema das viagens de incentivo, a executiva defendeu uma atuação conjunta das entidades do setor e destacou que o turismo tem capacidade de transformar economias locais, gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento regional. “Nossa apresentação hoje vai apenas complementar tudo o que já foi dito, porque o que nós estamos falando aqui é o mesmo objetivo. Essa união é necessária”, afirma.

Segundo Ana Carolina, o turismo é uma das atividades econômicas com maior capacidade de gerar resultados rápidos para cidades e regiões. A dirigente citou destinos que tiveram sua economia impulsionada pela atividade turística e ressaltou o papel do setor na criação de empregos e oportunidades.

“O turismo fez essas cidades crescerem, renascerem, gerar emprego, gerar economia. Isso demonstra o tanto que o turismo é rápido e que ele tem retorno imediato de empregabilidade e de capacitação para todas as pessoas, principalmente moradores dessas pequenas cidades”, salienta.

Entre os exemplos mencionados pela presidente da Abav Nacional estão Gramado (RS), os Lençóis Maranhenses (MA) e Fernando de Noronha (PE). Para ela, muitos destinos brasileiros alcançaram projeção nacional e internacional graças ao turismo.

Ao tratar especificamente das viagens de incentivo, tema central do seminário, Ana Carolina destacou que esse segmento oferece experiências diferenciadas e de difícil acesso para o público em geral.

“Jamais uma pessoa, mesmo com condições financeiras, consegue comprar aquele destino que uma viagem de incentivo oferece. Uma visita a uma fábrica muito especializada, por exemplo, ou determinados passeios e destinos que somente a viagem de incentivo proporciona”, reforça.

Na avaliação da executiva, esse tipo de viagem gera benefícios tanto para os participantes quanto para as empresas que promovem as ações. “Talvez seja a única vez que aquelas pessoas consigam ir àqueles destinos. Para as empresas, você consegue cada vez mais ter reconhecimento e valorização com resultados de formas memoráveis”, destaca.

Volume ou valor?

Durante sua apresentação, Ana Carolina levantou uma reflexão sobre o posicionamento estratégico do Brasil no mercado global de turismo. “O Brasil está competindo por volume ou por valor?”, questiona. “Esse é o grande desafio que nós temos hoje para quem trabalha com turismo”, pontua.

A dirigente alerta para a necessidade de evitar problemas associados ao overturism, citando como exemplo o caso de Barcelona, destino que enfrenta desafios relacionados à pressão sobre a infraestrutura urbana e ao custo de moradia para a população local.

Ao mesmo tempo, ressalta que o Brasil reúne atributos capazes de sustentar um crescimento turístico equilibrado, citando a diversidade de atrativos naturais distribuídos pelo território nacional.

“O nosso país é o maior país do mundo em relação a, em um só país, ter tudo o que nós temos como uma selva amazônica, os Lençóis Maranhenses, Foz do Iguaçu (PR), Pantanal, um litoral absurdamente grande e maravilhoso”, afirma.

Entre os desafios apontados para ampliar a competitividade brasileira estão o chamado custo Brasil, a logística, a conectividade aérea, a percepção internacional sobre segurança e a necessidade de trabalhar com dados consolidados para orientar investimentos e políticas públicas.

Receptivo

A presidente da Abav Nacional também defendeu o fortalecimento do turismo receptivo no país. Segundo ela, a qualificação das empresas responsáveis por receber visitantes internacionais ainda representa um dos principais gargalos do setor.

“Nós não estamos ainda preparados no país para fazer o receptivo profissional, receptivo capacitado. Nós precisamos capacitar as agências de viagens receptivas para receber cada vez melhor e maior, desde um cliente VIP até um turismo de incentivo com 100, 200 ou 300 pessoas”, afirmou.

Ao encerrar sua participação, Ana Carolina apoiou a proposta apresentada anteriormente por Vinicius Lummertz para a criação de uma articulação permanente entre as entidades do setor, com foco na construção de um projeto nacional para o turismo.

“A UNT é um projeto fantástico. Não precisamos precisa criar uma nova associação, mas pegar as principais associações e criar um grande projeto. Juntos nós temos condições de crescer e colocar o Brasil na rota que ele deveria estar há bastante tempo”, conclui.

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