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“Com 15% de juros ao ano, quem vai investir no Turismo?”, questiona Arbaitman

Líderes do Lide Turismo e da Abracorp afirmam que juros elevados retraem viagens, reduzem investimentos e dificultam a geração de empregos no setor

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

São Paulo (SP) – Entre os diversos temas debatidos durante o Seminário Lide Turismo, realizado nesta quarta-feira (10), um assunto acabou ganhando destaque transversal em praticamente todas as discussões: o impacto dos juros elevados sobre o turismo brasileiro.

Em entrevista ao Brasilturis, os líderes do Lide Turismo Marcos Arbaitman, presidente da Maringá Turismo, e Siderley Santos, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), afirmaram que a atual taxa Selic tem provocado retração nos investimentos, reduzido a atividade econômica e dificultado a expansão de empresas ligadas ao setor de viagens.

Para Arbaitman, o cenário cria uma distorção que desestimula o empreendedorismo e penaliza justamente quem investe, gera empregos e assume riscos. “Atualmente o Brasil paga no mínimo 15% para quem não faz nada. Se ele tiver algum recurso, aplica. Não precisa comprar avião, nem trabalhar, na verdade. É uma grande injustiça, porque recebe muito mais do que a rentabilidade do negócio”, afirma.

A declaração surgiu após os debates promovidos pelos CEOs da Latam, Gol e Azul durante o seminário. Segundo Arbaitman, os executivos demonstraram preocupação com a dificuldade de rentabilizar operações em um ambiente marcado por custos elevados, tributação e juros altos.

Jerome Cadier, CEO da Latam, falou de uma questão muito importante. Um avião demora cerca de seis anos para cobrir o custo do investimento. Em um país com juros nesse nível, fica muito mais difícil tomar a decisão de investir”, argumenta.

Impacto na demanda

Além de afetar grandes projetos e investimentos, o cenário também tem reflexos diretos sobre o consumo e a demanda por viagens. De acordo com Arbaitman, empresas de diferentes setores reduziram investimentos, eventos e deslocamentos enquanto aguardam maior previsibilidade econômica.

“Nós estamos vivendo um momento em que as grandes empresas reduziram o nível de viagens e também os investimentos. Todas estão aguardando o resultado das próximas eleições. Sentimos isso em viagens de negócios, viagens particulares e eventos”, relata.

Segundo o empresário, o impacto pode ser observado na própria operação da empresa. “Nossa área de eventos costumava realizar 112 eventos por semana. Hoje faz entre 64 e 68. Houve uma queda no mercado em todos os sentidos”, afirma.

Santos complementa a posição de Arbaitman, reforçando que o turismo corporativo continua sendo um dos principais motores da cadeia de viagens, mas também sofre diretamente desses efeitos. Para ele, a Selic elevada afeta tanto empresas quanto consumidores e acaba reduzindo a circulação de pessoas e recursos na economia.

“Com esses juros tão elevados, fica difícil o investimento em viagens. Todo mundo passa a controlar despesas, revisar orçamentos e adiar decisões. O consumo diminui, as empresas ficam mais cautelosas e isso afeta toda a cadeia”, afirma.

Questionados sobre a possibilidade da redução da Selic como solução para a questão, os executivos recuam e apontam o combate à alta inflacionária como prioridade para a economia. “A inflação tem que ser contida, porque isso é fundamental. Hoje, a taxa está em 14,75%, mas o Banco Central não tem condições de reduzir, nem pode pensar nisso, porque influenciaria ainda mais o mercado”, argumenta.

Expectativas positivas

Apesar das críticas ao cenário econômico, os dois executivos afirmam que continuam otimistas em relação ao potencial do turismo brasileiro. Segundo Arbaitman, o setor segue investindo e gerando empregos, mesmo diante das dificuldades. “Nem Deus nos livre querer viver de rendimento. Nós queremos viver de trabalho. O brasileiro deve estar feliz tendo o seu trabalho, executando o seu trabalho e fazendo o Brasil crescer”, afirma.

Santos também acredita que o setor possui condições de avançar, desde que haja maior coordenação entre governo e iniciativa privada. “O Brasil tem todas as condições de se consolidar como uma das principais potências do turismo de lazer e do turismo de negócios. O futuro é positivo, mas precisamos criar um ambiente que estimule investimento, geração de emprego e crescimento”, conclui.

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