São Paulo (SP) – A Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa) realizará entre os dias 16 e 20 de junho sua próxima Missão Comercial Internacional, desta vez com destino ao Marrocos. A iniciativa reunirá representantes de 22 operadoras associadas com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o destino, fortalecer relações comerciais e identificar oportunidades de negócios para o mercado brasileiro.
Marina Figueiredo, presidente executiva da Braztoa, conta que a escolha de um destino para receber uma missão comercial passa por uma série de fatores que envolvem tanto o interesse dos operadores quanto o potencial de desenvolvimento da oferta turística. “Tentamos olhar inicialmente para destinos onde entendemos que vai conseguir contribuir de alguma forma para alguma mudança de panorama”, explica.
“Não precisa ser um destino novo ou desconhecido necessariamente. Muitas vezes buscamos destinos que não estão no radar do operador, mas também olhamos para destinos como o Marrocos, que já é conhecido, mas que ainda apresenta um gap entre o potencial que tem e o que efetivamente é explorado”, explica.
De acordo com Marina, embora o Marrocos já faça parte do portfólio de diversos operadores brasileiros, muitos profissionais ainda não conhecem o destino presencialmente e mantêm dúvidas sobre sua estrutura turística, logística e possibilidades de comercialização.
“É uma grande oportunidade do operador aproximar-se de um destino que ele tem interesse e que vamos conseguir agregar conhecimento, contatos e oportunidades de negócio”, afirma.
A executiva ressalta que a seleção de um destino também depende do interesse institucional em acessar o mercado brasileiro. “Tem que haver essa mistura do destino querer estar mais próximo do mercado brasileiro e enxergar possibilidades de crescimento. É exatamente o caso do Marrocos”, pontua.
Experiência e negócios
Diferentemente de um famtour tradicional, a Missão Comercial da Braztoa busca combinar vivência do destino com geração efetiva de oportunidades comerciais. “O objetivo é oportunizar ao operador conhecer o destino e já voltar com oportunidades reais de negócio”, diz Marina. “Tem encontro de negócios com fornecedores, envolvimento institucional e uma curadoria feita pelo próprio destino para apresentar empresas que estejam preparadas para atuar com o mercado brasileiro”, aponta.
Segundo ela, um dos diferenciais das missões promovidas pela entidade é justamente a participação de órgãos oficiais de turismo. “Não é um hotel que chama ou um receptivo específico. Tem que existir um compromisso institucional do destino de querer acessar esse mercado e de trabalhar junto aos fornecedores locais para garantir oportunidades de negócios”, salienta.
A aproximação entre a Braztoa e os destinos acontece de forma natural, principalmente em feiras e eventos internacionais. A entidade atua como ponte entre os órgãos oficiais de turismo e as operadoras associadas, ajudando a estruturar ações compatíveis com o estágio de desenvolvimento de cada mercado.
“No caso do Marrocos, já vínhamos conversando desde o ano passado. Eles têm interesse em ampliar sua presença no Brasil, contam com voo direto e já realizam ações de promoção no mercado brasileiro”, ressalta.

Potencial para crescer
Embora já seja comercializado por parte das operadoras brasileiras, o Marrocos ainda é frequentemente vendido em combinação com destinos europeus, especialmente Portugal e Espanha. “A ideia é estruturar o Marrocos não apenas como uma experiência complementar, mas também como um destino com potencial para ser trabalhado de forma independente”, explica Marina.
A executiva destaca fatores como a conectividade aérea, a riqueza cultural, a gastronomia, a história e a busca crescente dos viajantes por experiências autênticas e imersivas. “Marrocos está muito aderente às principais tendências que observamos no setor hoje. É um turismo autêntico, imersivo e conectado ao interesse crescente dos viajantes por culturas diferentes”, afirma.
Outro aspecto observado pela entidade é o potencial do país para o turismo de eventos. Além de receber grandes festivais, o Marrocos será uma das sedes da Copa do Mundo de 2030, ao lado de Espanha e Portugal. “Muitos operadores já nos disseram que estão indo com um olhar voltado para a Copa, buscando fornecedores e entendendo como estruturar produtos relacionados ao evento”, revela.
Foco em Marrakesh
Por se tratar de uma missão de curta duração, a programação ficará concentrada em Marrakesh, principal porta de entrada turística do país e uma das regiões mais consolidadas para o mercado internacional. “Acabamos focando em uma missão rápida e iniciando pelo que hoje está mais consolidado e turístico, que é Marrakesh”, explica Marina.
Apesar disso, os participantes terão contato com fornecedores que atuam em outras regiões do país durante os encontros de negócios programados ao longo da viagem. “Mesmo não conhecendo outras regiões presencialmente, os operadores terão oportunidade de entender os produtos disponíveis, as possibilidades de comercialização e identificar oportunidades futuras”, explica.

Retomada das missões
A missão ao Marrocos integra o processo de retomada das viagens internacionais promovidas pela Braztoa após a interrupção provocada pela pandemia. Nos últimos meses, a entidade realizou ações semelhantes no Chile, na Catalunha e em Andorra.
Marina conta que o formato atual preserva a essência das iniciativas anteriores, mas incorpora mudanças alinhadas às tendências do turismo contemporâneo. “Hoje temos um olhar muito mais forte para experiências e imersão. Antigamente havia muito foco em visitas técnicas e inspeções de hotéis. Agora buscamos proporcionar uma vivência mais profunda do destino”, detalha.
A executiva acrescenta que a Braztoa utiliza estudos de mercado e dados do setor para orientar os destinos sobre os interesses dos operadores brasileiros e as tendências de consumo dos viajantes.
Trabalho coletivo
Para Marina, a principal mensagem que a missão ao Marrocos pretende transmitir ao mercado é a importância da construção coletiva para o desenvolvimento turístico. “Quando estamos falando de acessar um mercado, isso precisa ser feito de forma conjunta. Nenhum ator sozinho consegue promover grandes transformações ou aproximar um destino de um mercado inteiro”, afirma.
A presidente executiva ressalta ainda que a missão representa apenas uma etapa de um processo mais amplo de relacionamento e promoção. “A missão é uma ação muito importante e gera resultados efetivos, mas ela não pode ser uma iniciativa isolada. O destino precisa manter ações de continuidade depois, fortalecendo a relação com os operadores e com o mercado brasileiro”, conclui Marina.







