Extravio de bagagens cai 23%, mas ainda custa US$ 6,3 bilhões ao setor aéreo

Relatório da Sita aponta redução nas perdas de malas em 2025 impulsionada pelo uso de inteligência artificial, rastreamento em tempo real e integração de sistemas

Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

O setor aéreo mundial registrou uma redução de 23% na taxa de extravio de bagagens em 2025, segundo o relatório Baggage IT Insights 2026, da Sita. O resultado foi alcançado mesmo com o crescimento da demanda, que passou de 4,8 bilhões para 5 bilhões de passageiros transportados no período.

De acordo com o levantamento, o número de bagagens extraviadas caiu 19% em relação a 2024, totalizando 24 milhões de malas, índice inferior ao registrado antes da pandemia. Ainda assim, o problema gerou um custo estimado de US$ 6,3 bilhões para a indústria aérea em 2025, equivalente a cerca de 15% do lucro total do setor.

O relatório atualizou o custo médio de cada bagagem extraviada para US$ 260, acima dos US$ 150 considerados anteriormente. Segundo a Sita, considerando o lucro líquido médio de US$ 8 por passageiro, uma única mala perdida equivale ao lucro obtido com mais de 30 assentos vendidos. Cinco bagagens extraviadas podem comprometer o lucro de um voo inteiro.

Na América do Sul, o custo médio por bagagem extraviada foi de US$ 240, o terceiro menor entre as regiões analisadas. A taxa específica de extravio para o continente não foi divulgada separadamente, mas a região das Américas registrou índice de 5,6 bagagens extraviadas a cada mil passageiros.

Segundo a Sita, a redução nas ocorrências está relacionada à adoção de tecnologias como compartilhamento de dados em tempo real, roteamento por inteligência artificial, despacho biométrico de bagagens e integração com dispositivos dos passageiros.

Nicole Hogg, diretora de portfólio de bagagem da Sita, afirma que a gestão de bagagens vem passando por uma transformação digital. Segundo a executiva, os passageiros estão cada vez mais envolvidos no acompanhamento de suas malas por meio de ferramentas de rastreamento.

Entre os resultados apresentados no relatório, a integração do recurso Find My, da Apple, ao sistema Sita WorldTracer reduziu em 90% as perdas definitivas de bagagens durante o primeiro ano de operação e diminuiu em 26% o tempo médio necessário para recuperar malas atrasadas. Mais recentemente, o sistema também passou a incorporar o Find Hub, do Google, para compartilhamento de localização.

O relatório cita ainda o caso da Thai Airways, que adotou a solução Auto Reflight, da Sita, reduzindo de três minutos para um segundo o tempo de processamento por bagagem em nove aeroportos.

David Lavorel, CEO da Sita, avalia que, diante das limitações físicas da infraestrutura aeroportuária, o aumento da capacidade passa pelo uso de dados, inteligência artificial e operações preditivas, desde o check-in até a entrega das bagagens.

O estudo aponta que as bagagens atrasadas representam aproximadamente 70% do custo total associado ao problema, principalmente pelas despesas com recuperação, redirecionamento e entrega. Já as bagagens perdidas ou danificadas concentram custos relacionados às indenizações pagas aos passageiros.

As conexões entre voos seguem como a principal causa dos extravios, respondendo por 39% dos casos registrados em 2025, embora esse percentual tenha diminuído em comparação ao ano anterior.

A pesquisa também mostra que três em cada quatro companhias aéreas pretendem investir em inteligência artificial nos próximos dois anos. Além disso, metade das empresas planeja ampliar a oferta de atualizações em tempo real sobre a localização das bagagens aos passageiros. O rastreamento de bagagens já supera 50% de conformidade com a Resolução 753 da Iata, com expectativa de atingir conformidade total até 2027.

Entre as tendências apontadas para os próximos anos estão a etiquetagem de bagagens na residência do passageiro, a coleta diretamente no veículo do cliente e operações em que a bagagem poderá ser transportada em voos diferentes daquele utilizado pelo viajante.

LEIA MAIS NOTÍCIAS

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, 
necessariamente, a opinião deste jornal

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

MAIS LIDAS

NEWSLETTER

    AGENDA 2026

    REDES SOCIAIS

    PARCEIROS