A cidade de Viena, capital da Áustria, passou a cobrar uma taxa turística de 5% sobre o valor da hospedagem, substituindo a alíquota anterior de 3,2%. A medida entrou em vigor no início de julho e busca acompanhar o crescimento do turismo, além de garantir recursos para a manutenção dos serviços públicos. A prefeitura, no entanto, já anunciou a intenção de elevar o imposto para 8% a partir de julho de 2027.
Diferentemente de muitas cidades europeias, onde a taxa corresponde a um valor fixo por diária, em Viena o cálculo é feito sobre o preço da acomodação. Assim, um quarto com diária de 100 euros, sem café da manhã, que antes gerava um imposto de aproximadamente 2,81 euros, passou a recolher cerca de 4,35 euros. Caso o novo reajuste seja implementado, o valor chegará a aproximadamente 6,78 euros por noite em 2027.
Existem exceções à cobrança, como menores hospedados em acomodações destinadas a fins escolares ou de formação profissional e em albergues da juventude. Também ficam isentos os visitantes que permanecerem na capital austríaca por mais de três meses.
“Se disponibilizar alojamentos em Viena para estadias temporárias (ou seja, um máximo de três meses) mediante pagamento, terá de pagar um imposto”, informa o site da prefeitura. A regra vale para hotéis, pousadas, hospedagens com café da manhã, casas e apartamentos de temporada, quartos para hóspedes, apartamentos particulares, camas extras, motorhomes, caravanas, casas móveis, tendas e outros tipos de acomodação.
Com a mudança, Viena passa a figurar entre as cidades europeias com maior carga de taxa turística, embora ainda fique abaixo de Amsterdã, nos Países Baixos, onde o percentual é de 12,5%.
Segundo a administração municipal, a medida busca preservar a qualidade da infraestrutura diante do crescimento do fluxo turístico. Dados recentes apontam que o número de pernoites na cidade saltou de 8,8 milhões, em 2005, para 20,1 milhões em 2025.
Setor hoteleiro e agências criticam aumento
O reajuste provocou reações negativas de representantes da hotelaria e das agências de viagens. O porta-voz da Associação Austríaca de Hotéis afirmou à agência France-Presse que Viena passa a ter “a segunda mais elevada da Europa”, atrás apenas de Amsterdã.
O representante também argumentou que os hotéis já enfrentam elevados custos com impostos, energia, salários e alimentos. “Matar a galinha dos ovos de ouro não é propriamente uma boa ideia”, declarou.
As agências de viagens também demonstraram preocupação com o aumento da carga tributária, somada ao imposto de 12 euros já cobrado sobre passagens aéreas. Gregor Kadanka, presidente da Associação Austríaca de Agências de Viagens, afirmou à AFP que a soma de taxas compromete a competitividade do destino. Como exemplo, citou a decisão da Ryanair de priorizar voos para Bratislava em vez de ampliar as operações diretas para Viena após a adoção da taxa aérea.
Segundo Kadanka, Viena “está a perder o brilho”, tornando-se um destino cada vez mais caro em comparação com outras capitais da Europa Central.
Prefeitura defende investimento na cidade
A prefeitura sustenta que a elevação da taxa é necessária para preservar a qualidade da infraestrutura urbana diante do aumento do turismo. Para a administração municipal, o imposto representa uma forma de compartilhar os custos de manutenção da cidade entre o poder público e a atividade turística.
“O turismo está a utilizar mais do que nunca as infraestruturas de primeira classe da cidade e beneficia também da sua manutenção e expansão — por isso, é compreensível que deva contribuir com a sua parte”, afirmou Isabella Rauter, responsável pela comunicação do gabinete de turismo de Viena, à AFP.
Ela acrescentou que “o imposto local é, igualmente, um investimento no futuro do destino e melhora a cidade não só para os visitantes, mas também para os habitantes de Viena”.








