ministro dos Transportes de Cabo Verde, João do Carmo, afirmou que o governo avalia uma reestruturação da TACV/Cabo Verde Airlines em razão da fragilidade financeira da transportadora e dos elevados custos necessários para manter sua operação. A declaração foi dada a jornalistas na cidade da Praia.
À margem de um encontro com a Unidade de Gestão de Projetos Especiais do Estado e representantes do Banco Mundial, João do Carmo explicou que o “Estado não aguenta essa responsabilidade mensal”.
“A situação é muito crítica: estamos a falar de uma empresa que vive permanentemente numa situação financeira negativa. Vamos colocar sobre a mesa todos os cenários”, declarou, citado pela RTP.
Diante desse cenário, o ministro afirmou que nenhuma hipótese foi descartada. A primeira alternativa prevê uma ampla reestruturação da companhia. Outra possibilidade envolve a formação de parcerias estratégicas ou a entrada de investidores no capital da transportadora. Um terceiro caminho considera a revisão do atual modelo de negócios.
Em uma situação extrema, acrescentou João do Carmo, também está sendo considerada “o cenário de liquidação da empresa”, embora tenha ressaltado que essa é a alternativa menos adequada e que qualquer decisão desse tipo dependeria da análise de outras opções.
“Seria irresponsabilidade nossa falar exclusivamente da liquidação da TACV, do nada, sem nenhum estudo, sem recorrer a alternativas. Contudo, seria mais irresponsabilidade nossa ainda manter os TACV como estão. O país não aguenta”, explicou.
As dificuldades financeiras da TACV/Cabo Verde Airlines são conhecidas há anos e já levaram o governo cabo-verdiano a avaliar a possibilidade de abandonar a operação internacional, hoje disputada por companhias aéreas de baixo custo, para concentrar as atividades nos voos domésticos, segmento em que a empresa mantém o monopólio.
Essa recomendação também foi feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em maio deste ano. Na ocasião, o organismo alertou que “os preços dos combustíveis mais elevados e a entrada e expansão de companhias aéreas de baixo custo nas rotas externas implicam maiores perdas para a TACV”, sugerindo ao governo que reconsiderasse “a reafetação destes recursos para melhorar a conectividade interilhas”.
Os dados financeiros mais recentes mostram que a companhia aérea registrou prejuízo líquido de 637,6 milhões de escudos cabo-verdianos (5,8 milhões de euros) no terceiro trimestre de 2024, permanecendo entre as empresas classificadas com maior nível de risco.







