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Assédio sexual no trabalho: por que turismo e eventos precisa olhar para isso agora?

Leandro Pimenta
Leandro Pimenta
CEO da tg.mob, formado em Comunicação Social e com MBA em Gestão de Negócios e pós-graduando em ESG na FIA Business School.

Falar sobre assédio sexual no trabalho nunca é confortável, mas o desconforto não pode ser desculpa para inação. Os dados mais recentes do Tribunal Superior do Trabalho mostram um crescimento de 35% nas ações entre 2023 e 2024, ultrapassando 8 mil novos processos no ano passado. O número evidencia um problema estrutural que atinge sobretudo mulheres, jovens e pessoas LGBTQIAPN+, que muitas vezes permanecem em silêncio por medo de retaliação ou de comprometer sua permanência no trabalho.

No turismo e nos eventos, esse cenário se intensifica. É um setor que opera com jornadas longas, equipes temporárias, deslocamentos constantes, forte contato com o público e ambientes que combinam pressão, rapidez e, em muitos casos, clima festivo. Isso aumenta a vulnerabilidade de motoristas, recepcionistas, promoters e profissionais de linha de frente. Ignorar essa realidade significa naturalizar riscos que não podem fazer parte da nossa operação. O mercado precisa assumir uma postura mais madura e responsável.

A resposta passa por soluções práticas, consistentes e contínuas. Treinamentos recorrentes sobre conduta e respeito. Protocolos claros de prevenção. Canais confidenciais e acessíveis de denúncia. Equipes preparadas para intervir em situações críticas. Processos de acolhimento às vítimas. Revisão contratual com fornecedores incluindo cláusulas específicas sobre assédio. Auditorias internas periódicas para garantir que as políticas ESG estejam ativas, monitoradas e transparentes.

A ideia de que o problema desaparece sozinho é ilusória. O aumento das denúncias revela um movimento de coragem e exige que as empresas estejam preparadas para agir com eficiência. O turismo existe para proporcionar boas experiências, mas isso não pode se limitar ao cliente. Proteger quem constrói essas experiências é uma diretriz estratégica e humana. Assédio não é uma pauta opcional. É cultura, é governança e é respeito.

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