A prefeitura de Atenas avalia impor restrições à emissão de novas licenças para hotéis na capital grega, diante do avanço do turismo e do crescimento da oferta de hospedagem. A discussão foi levantada pelo prefeito Haris Doukas durante o evento “This is Athens – Agora”.
A cidade já mantém, atualmente, a proibição de novas licenças para aluguéis de curta duração em três bairros do centro. Agora, o debate se amplia para o setor hoteleiro.
“Precisamos ver se e quantos hotéis a mais precisamos e onde. Precisamos pensar em quanta carga turística adicional podemos suportar”, afirmou Doukas. “Não podemos nos tornar Barcelona. Existem áreas saturadas que não comportam novas camas”, disse.
Segundo dados do Insete, a região da Ática soma 68.934 leitos hoteleiros, dos quais cerca de 35 mil estão concentrados no centro de Atenas. O aumento expressivo da oferta nos últimos anos levanta questionamentos sobre sustentabilidade urbana e equilíbrio entre moradia e turismo.
Cidades como Barcelona e Amsterdã já adotaram restrições semelhantes, com suspensão de novas licenças para hotéis em áreas consideradas saturadas.
A prefeitura de Atenas também lançou um Observatório para monitorar o impacto do turismo na cidade, em meio ao crescimento contínuo do fluxo internacional.
Setor pede planejamento
O presidente da Associação Hoteleira de Atenas – Ática e Sarônica, Evgenios Vassilikos, destacou a necessidade de planejamento estratégico para a distribuição de leitos. Segundo ele, além de hotéis e aluguéis de curta duração, também cresceu o número de acomodações não classificadas como turísticas, como apartamentos mobiliados e quartos para alugar.
“Não precisamos reinventar a roda. Existem práticas implementadas no exterior”, afirmou, citando o exemplo de Barcelona, onde desde 2017 não são emitidas novas licenças para hotéis e os aluguéis de curta duração serão proibidos a partir de 2028.
Atenas consolidou-se como o destino mais popular da Grécia. Em 2025, as chegadas internacionais alcançaram 12 milhões, enquanto o número total de visitantes foi estimado em cerca de 10 milhões, reforçando o debate sobre limites de capacidade e desenvolvimento sustentável do turismo urbano.








