Combustível pressiona custos da Latam, mas grupo mantém resiliência operacional

Alta do querosene de aviação pode gerar impacto bilionário, enquanto companhia ajusta capacidade, avalia demanda e preserva crescimento rentável

Kamilla Alves
Kamilla Alves
Gestora Web - E-mail: milla@brasilturis.com.br

A escalada no preço do combustível tornou-se o principal fator de pressão para a Latam Airlines Group neste ano, impondo ajustes operacionais e revisão de premissas financeiras. Ainda assim, a companhia sustenta uma leitura de resiliência, apoiada em eficiência operacional, liquidez robusta e estratégia de crescimento com rentabilidade.

Durante a apresentação de resultados realizada nesta terça-feira (5), Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, afirmou que o cenário exige cautela, mas não compromete a trajetória da empresa. “A principal variável que está influenciando o negócio agora é o custo do combustível, e ela não depende da Latam”, disse. Segundo o executivo, o grupo seguirá crescendo, ainda que com ajustes na operação.

Na prática, os impactos já começaram a aparecer. De acordo com Cadier, a companhia realizou ajustes pontuais de capacidade, com redução de cerca de 3% na operação de junho em relação ao planejado inicialmente. Até o momento, não houve cancelamentos relevantes, mas o executivo reconhece que decisões mais estruturais podem ser tomadas para o terceiro e quarto trimestres.

“Os ajustes de capacidade acontecem com antecedência. Cancelar voos de curto prazo gera pouca economia, porque os voos já estão vendidos”, explicou.

Do ponto de vista financeiro, o CFO Ricardo Bottas detalhou a magnitude do impacto. Segundo ele, a alta do combustível gerou efeito de cerca de US$ 40 milhões no primeiro trimestre, mas a projeção para o segundo trimestre é significativamente mais alta. “Com base na premissa de US$ 170 por barril, o impacto pode superar US$ 700 milhões em apenas três meses”, afirmou.

A companhia partiu de uma referência de US$ 90 por barril no fim de 2025 para patamares que chegaram a US$ 200 durante picos de volatilidade ligados a tensões no Oriente Médio. Atualmente, o preço oscila entre US$ 160 e US$ 170, sem previsibilidade clara de estabilização.

Mesmo com o aumento expressivo de custos, a Latam mantém sua política de gestão de receitas baseada em demanda e posicionamento de produto. Bottas destacou que não há estratégia oportunista de preços. “Não existe nenhuma implementação de nova estratégia para aproveitar o cenário. O que existe é consistência na entrega de um produto diferenciado”, afirmou.

O executivo explicou ainda que o repasse do custo ao consumidor depende do timing de vendas e da resiliência da demanda. Como boa parte dos bilhetes é comercializada com antecedência, o impacto tende a ser absorvido gradualmente ao longo dos trimestres seguintes.

Além disso, a empresa reforça sua posição financeira como diferencial competitivo. “A força do nosso balanço e a nossa liquidez nos permitem enfrentar esse momento adverso de forma saudável e resiliente”, disse Bottas.

A companhia encerrou o trimestre com liquidez elevada e sem pressão relevante de endividamento de curto prazo, o que amplia sua capacidade de resposta diante da volatilidade.

Para o restante do ano, a Latam adota postura de monitoramento constante do mercado, com possíveis ajustes adicionais na oferta, sempre condicionados à ev olução do preço do combustível e à resposta da demanda.

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