Séries, filmes, shows e grandes eventos esportivos estão deixando de ocupar um papel complementar nas viagens para se tornarem motivadores da escolha do destino. Dados da Civitatis mostram que o entretenimento tem provocado picos de reservas em diferentes mercados e ajudam a traçar um novo comportamento do viajante em 2026.
O fenômeno aparece tanto em destinos associados a produções audiovisuais quanto em cidades que recebem grandes turnês e competições. Na Escócia, por exemplo, as reservas de atividades cresceram 43% em 2025, enquanto o tour relacionado à série Outlander avançou cerca de 35% na comparação com 2024.
“O turista já não procura só destinos: ele procura experiências que já viveu emocionalmente. Quando alguém termina uma série ou sai de um show, a viagem deixa de ser um sonho distante e passa a ser o próximo passo natural”, afirma Alexandre Oliveira, Country Manager da Civitatis Brasil.
Das telas para os destinos
O chamado turismo de tela também vem prolongando a vida turística de destinos associados a grandes franquias. Dubrovnik e Belfast, ligadas ao universo de Game of Thrones, registraram crescimento nas reservas entre 2024 e 2025, segundo a plataforma.
Outro exemplo está na Coreia do Sul. Entre janeiro e abril deste ano, as reservas de atividades no país realizadas por brasileiros cresceram 50% ante igual período de 2025. O movimento acompanha a disseminação internacional da cultura sul-coreana, especialmente por meio do K-pop e dos K-dramas.
Algumas produções mantêm esse poder de atração mesmo décadas depois da estreia. Em Londres, as reservas para o tour dos estúdios de Harry Potter aumentaram aproximadamente 15% em 2025. Já na Nova Zelândia, Hobbiton permanece como atração ligada ao universo de O Senhor dos Anéis.
Shows transformam viagens em eventos
Na música, o impacto tende a se concentrar nas datas das apresentações. Durante os shows do Coldplay em Budapeste, em junho de 2024, as reservas de atividades cresceram 65% na comparação anual. Munique registrou avanço de 119% e Atenas, de 106% durante passagens da turnê. Em Madri, apresentações de Ed Sheeran em maio de 2025 foram acompanhadas por crescimento de 23%.
Porto Rico apresenta um dos casos mais expressivos. Em meio à projeção internacional de Bad Bunny, as reservas no destino cresceram mais de 234% em 2025. No início de 2026, chegaram a atingir cinco vezes o volume registrado no mesmo período do ano anterior.
Segundo Oliveira, o viajante não se limita à apresentação musical. A presença no destino também movimenta hospedagem, gastronomia, museus e outras experiências, ampliando os efeitos do evento sobre a cadeia turística.
Esporte também interfere na demanda
O comportamento se repete nos eventos esportivos. Nas proximidades da final da Liga dos Campeões de 2024, realizada em Londres entre Real Madrid e Borussia Dortmund, as reservas de atividades na cidade avançaram 33% ante o ano anterior. No período equivalente de 2025, quando Londres não recebeu a decisão, houve queda próxima de 15%.
Além do fluxo, algumas modalidades atraem viajantes com gastos elevados. Segundo dados citados no levantamento, visitantes que acompanham um Grande Prêmio de Fórmula 1 gastam, em média, mais de US$ 2,4 mil no destino além do ingresso e permanecem aproximadamente quatro noites.
Para o trade, o comportamento abre espaço para trabalhar a demanda com antecedência. Calendários de turnês, estreias e competições permitem que operadoras, agências e fornecedores identifiquem previamente destinos com potencial de procura.
“A grande virada é que o entretenimento se tornou previsível. Os calendários de estreias, turnês e grandes eventos existem com meses de antecedência, o que permite antecipar a demanda em vez de apenas reagir a ela”, conclui Oliveira.







