O Ministério Público de São Paulo (MPSP) investiga o caso de uma visitante de 28 anos que sofreu um traumatismo cranioencefálico após andar na montanha-russa Montezum, no Hopi Hari, em Vinhedo (SP). A apuração foi aberta em agosto e inclui um pedido de perícia policial na atração, segundo informações do Fantástico, da TV Globo.
O episódio ocorreu em abril, durante uma viagem de Julia Rimoli e João Pedro Bossoni, moradores de Londrina (PR), ao parque. O casal utilizou a Montezum pela manhã e retornou à atração cerca de cinco horas depois.
Imagens apresentadas pela reportagem mostram Julia consciente durante a subida da montanha-russa. Cerca de dois minutos depois, o carrinho retornou à plataforma e a visitante estava desacordada e apresentava convulsões.
Ela foi atendida pela equipe do parque e encaminhada à Santa Casa de Vinhedo. Exames identificaram hemorragia intracraniana e edema cerebral, levando à realização de uma cirurgia de emergência.
Julia permaneceu internada por 57 dias e passou por sete cirurgias. Cinco meses após o episódio, continua em processo de reabilitação. Segundo a família, ela perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo e apresenta dificuldades na fala e na memória.
Perícia deve apurar circunstâncias do caso
O diagnóstico foi de traumatismo cranioencefálico (TCE). Em laudo apresentado pelo Fantástico, o neurocirurgião Victor Batistela relacionou o trauma a um mecanismo de contragolpe durante o percurso.
Segundo o médico, movimentos bruscos de aceleração, desaceleração e rotação do crânio podem provocar ruptura de vasos sanguíneos, hemorragia intracraniana e edema cerebral.
Além da investigação do MPSP, a família de Julia acionou a Justiça para solicitar uma perícia que esclareça as circunstâncias do episódio.
A Montezum foi inaugurada em 1999 e é uma montanha-russa de madeira. A atração possui cerca de 42 metros de altura, percurso superior a um quilômetro e pode alcançar 103 km/h.
A reportagem do Fantástico também apresentou outros casos envolvendo visitantes que relataram lesões após utilizar a atração. Em 2018, Nathalia Assenjo Motta sofreu deslocamento de vértebras e precisou colocar 12 pinos e duas hastes na região cervical. O parque pagou indenização por danos materiais.
Outro episódio ocorreu em 2014. Márcio, identificado pela reportagem apenas pelo primeiro nome, ficou tetraplégico após sofrer lesões nas vértebras. Ele morreu em 2023 por complicações decorrentes de uma infecção urinária. Segundo o advogado ouvido pelo programa, laudo do caso relacionou o comprometimento neurológico a um movimento de chicote.
Hopi Hari afirma que Montezum possui certificação
Em nota enviada ao Fantástico, o Hopi Hari afirmou que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo Grupo TÜV Nord e passa por inspeções anuais. O parque declarou ainda seguir a ABNT NBR 15926-2023, norma brasileira aplicável a equipamentos de parques de diversão.
Segundo o empreendimento, mais de 870 mil pessoas visitaram o Hopi Hari desde janeiro deste ano e aproximadamente 470 mil utilizaram a Montezum.
O parque também citou um parecer do MPSP, emitido em outro procedimento em agosto de 2026, que, segundo a nota, apontou regularidade no funcionamento da atração sob a perspectiva da tutela coletiva e não identificou risco coletivo, defeito de projeto ou negligência.
Sobre Julia, o Hopi Hari informou que prestou os primeiros socorros, acompanhou sua internação e custeou despesas durante a permanência em Vinhedo. A empresa também disponibilizou seguro à família.
A Montezum tem uma reforma prevista para o fim de 2026, anunciada pelo parque em janeiro. A investigação sobre o episódio envolvendo Julia segue em andamento.
Confira, abaixo, a nota oficial enviada ao Fantástico pelo Hopi Hari:
“A Montezum Possui certificação internacional emitida pelo Grupo TUV Nord, uma das maiores organizações de inspeção e testes de atrações do mundo. As inspeções acontecem anualmente no caso de atrações radicais como a Montezum, e bianuais, em atrações de baixa complexidade. Outros importantes protocolos de segurança, treinamento de pessoal e de atenção ao visitante fazem parte da rotina diária do Hopi Hari em todas as suas atrações. O parque também segue rigorosamente a norma nacional para parques de diversões ‘ABNT NBR 15926-2023 Equipamentos de Parques de Diversão’.
Antes mesmo de acessar a Montezum, placas contendo dados sobre a atração estão colocadas em pontos de fácil visualização para que todos os visitantes tenham informações claras e detalhadas sobre o funcionamento da montanha russa, além de recomendações e restrições. Ainda quando estão na fila para acessar a atração, um sistema de áudio destaca as recomendações e restrições. E, no momento do embarque, os operadores da atração também reforçam as informações, por meio de um sistema de som. Os procedimentos seguem normas internacionais adotadas em atrações ao redor do mundo e integram rotinas obrigatórias de segurança e operação. De janeiro de 2026 até o momento, mais de 870 mil pessoas frequentaram o parque e, deste total, aproximadamente 470 mil pessoas passaram pela atração, que é a mais visitada do Hopi Hari.
Também é importante destacar que, recentemente, o Ministério Público emitiu parecer sobre a atração enfatizando não haver risco coletivo, defeito no projeto da montanha russa ou qualquer negligência. No texto do parecer, o MP destaca “a regularidade do funcionamento da atração “Montezum” sob a ótica da tutela coletiva e difusa da segurança e saúde dos consumidores”. O parecer acrescenta, ainda, que “o estabelecimento prestador do serviço adota protocolos rigorosos de prevenção, manutenção e segurança operacional”.
E enfatiza que ‘a montanha-russa Montezum é submetida a rotinas periódicas de inspeção técnica diária , abrangendo a estrutura de madeira, trilhos, fixações, travas de segurança, cintos, sensores fotoelétricos, painéis elétricos e sistemas de frenagem, com supervisão por equipe de engenharia e certificações técnicas pertinentes. Ademais, constata-se a existência de sinalização visual e sonora no local, informando previamente a classificação da atração como radical, as forças e movimentos nela envolvidos, além das expressas contra indicações de uso a pessoas com problemas na coluna, gestantes e portadores de condições clínicas específicas’, descreve o parecer. As placas indicativas com as informações nelas contidas, também estão anexadas neste email.
O Hopi Hari esclarece ainda que a visitante do Paraná acessou a atração por duas vezes no mesmo dia de sua visita ao parque, conforme imagens anexadas. A primeira ida à Montezum ocorreu às 11h da manhã e a segunda, cerca de cinco horas depois, por volta de 16h30 do mesmo dia.
O episódio envolvendo a jovem paranaense ocorreu em sua segunda passagem pela atração, quando apresentou um quadro de convulsão e recebeu pronto atendimento das equipes do parque, seguindo todos os protocolos de segurança. A providência inicial foi prestar os primeiros socorros no ambulatório do parque. A visitante foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo, onde permaneceu internada até apresentar condições de retorno à sua cidade. A direção do parque acompanhou de perto o tratamento prestado, sempre em contato com os familiares, custeando as despesas durante a permanência em Vinhedo.
O Hopi Hari segue investindo em normas, procedimentos e treinamentos visando a segurança das atrações do parque que, nos últimos 5 anos, já recebeu mais de 5,5 milhões de visitantes.
Sobre as ocorrências mencionadas de anos anteriores, esclarecemos que os dados pertencem a gestões passadas. A atual administração tem seu foco estrito na rigorosa cultura de segurança implementada nos últimos 5 anos, responsável por receber mais de 5,5 milhões de visitantes de forma segura.
Normas que seguimos e que regem as inspeções que seguimos 100%.
• Decisão Normativa 52, de 25 de agosto de 1994, do CONFEA.
• Ato Normativo nº 02, de 14 de dezembro de 2001, CREA-SP.
• ABNT NBR 15926:2023, Equipamentos de Parques de Diversão.
• ABNT NBR 16071:2012, “Playgrounds”.
• ABNT NBR 5410:vigente, Instalações Elétricas de Baixa Tensão.
• ABNT NBR 9050, Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços equipamentos urbanos.
• ABNT NBR ISO 21101:2014, Turismo de Aventura – Sistema de Gestão de Segurança – Requisitos.
• NR 10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade.
• NR 13 – Caldeiras, Vasos de Pressão e Tubulações.
Equipe técnica que trabalha dedicada, na atração
• 1 técnico em mecânica (média de 5h por dia)
• 1 técnico em elétrica (média de 2h por dia)
• 12 carpinteiros (média de 7h por dia)
Argumentos sobre a decisão do MPT
• Não foram analisadas somente documentação, tivemos inspeções e avaliações técnicas dos engenheiros do CAEx para elaboração dos pareceres.
Manutenção
• Preventiva diária (realizada diariamente antes da abertura do parque)
• 5-6 horas de trabalho realizado por um técnico em mecânica
• 1-2 horas de trabalho realizado por um técnico em elétrica
• 3-4 horas de trabalho realizado pela equipe de carpintaria (3-4 pessoas)
• Preventiva semanal (realizada toda semana nos dias de parque fechado)
• 6-7 horas de trabalho realizado por um técnico em mecânica
• 2-3 horas de trabalho realizado por um técnico em elétrica
• 14-15 horas de trabalho realizado pela equipe de carpintaria (8-9 pessoas)
• Preventiva mensal (realizado durante o mês em que foi gerada, conforme programação)
• 4-6 horas de trabalho realizado por um técnico em mecânica
• 2-3 horas de trabalho realizado por um técnico em elétrica
• Anual (realizada nos trens após 1800-2000 horas de trabalho ou a cada dois anos)
• 30-50 dias de trabalho realizado pela equipe mecânica (2 mecânicos+1 supervisor)
Sobre o registro de 40 reclamações de visitantes
Em resposta ao questionamento da reportagem, cabe destacar a devida proporcionalidade dos dados: o registro de cerca de 40 reclamações na plataforma Reclame Aqui ao longo dos últimos dois anos refere-se a um universo de aproximadamente 1,2 milhão de visitantes que passaram pela Montezum no mesmo período — o que demonstra um índice estatístico irrisório e abaixo da média mundial, diante do expressivo volume de operações da atração.
Em recente manifestação a respeito do assunto, o Ministério Público deu parecer onde destaca que “o histórico operacional demonstra que eventuais queixas de desconforto muscular constituem episódios isolados, inerentes ao impacto físico esperado em equipamentos de tal natureza, sem qualquer padrão de defeito sistêmico no brinquedo ou falha na prestação do serviço”, diz o parecer.
Os casos relatados são encaminhados ao SAV (Serviço de Atendimento ao Visitante) que trata com atenção os relatos de queixas sobre lesões ou desconfortos físicos, passíveis em uma atração amplamente anunciada como radical, mantendo contato com o reclamante para inicialmente ouvir seu relato e seguir se necessário com o acompanhamento.”













