A Agência Europeia de Segurança Aérea (AESA) desaconselha operações no espaço aéreo da Arábia Saudita em todos os níveis de voo e altitudes. A orientação consta no mais recente Boletim de Informações sobre Zonas de Conflito (CZIB), com validade até 16 de novembro, e considera os riscos decorrentes da instabilidade militar na região.
“Como consequência do conflito militar entre os Estados Unidos e o Irã, a situação de segurança regional permanece altamente instável, com significativa atividade militar a afetar o espaço aéreo saudita”.
A agência atribui a atualização do alerta ao aumento dos ataques dos Houthis contra alvos no território saudita. Segundo o documento, desde setembro o grupo passou a atingir “significativamente a frequência e o alcance geográfico dos ataques contra alvos marítimos, energéticos e de infraestrutura sauditas”.
O material também menciona ataques recentes contra Riade, capital do país, e o Aeroporto Internacional King Khalid, com registro de mortes e feridos em território saudita. De acordo com a AESA, as ações passaram a representar uma ameaça maior à infraestrutura aeroportuária.
Os ataques também “demonstraram um foco maior na infraestrutura aeroportuária do que anteriormente, aumentando os riscos para aeronaves em solo e durante a decolagem e o pouso nas áreas afetadas”.
A agência alerta ainda para os riscos associados ao uso de mísseis e drones e à atuação dos sistemas de defesa aérea. “Esses ataques recorrentes com mísseis e drones, juntamente com a ativação de sistemas de defesa aérea, criam um risco maior de identificação incorreta de aeronaves civis, bem como riscos associados a sobrevoos de mísseis e drones, atividades de intercetação e queda de destroços”, explica a agência.
A ampliação geográfica dos ataques também preocupa a autoridade europeia, que considera que essa dinâmica “aumenta a exposição potencial da aviação civil”. Diante do cenário, a AESA recomenda aos operadores que mantenham uma “monitorização rigorosa e planeamento de contingência”.
Apesar das medidas adotadas pelas autoridades sauditas para administrar o tráfego aéreo, a agência avalia que o cenário permanece sujeito a mudanças rápidas. “Embora a Arábia Saudita tenha demonstrado capacidade de gerir o seu espaço aéreo de forma eficaz, inclusive através de medidas táticas de desconflicto e Controlo de Segurança de Tráfego Aéreo de Emergência (ESCAT), o ambiente operacional permanece vulnerável a uma rápida deterioração devido a riscos externos além do controlo das autoridades nacionais”, refere ainda a AESA, que diz que vai continuar a acompanhar a situação.









