A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido da defesa de João Ricardo Rangel Mendes, fundador da Hurb, para substituir a prisão preventiva por medidas cautelares alternativas. O empresário está foragido desde 7 de janeiro de 2026, quando foi expedida uma nova ordem de prisão. A decisão da 32ª Vara Criminal da Capital, datada de 7 de outubro, mantém a determinação ainda não cumprida.
A defesa alegou excesso de prazo e pediu a aplicação de medidas menos restritivas. Segundo a decisão, os advogados afirmaram que as obrigações impostas ao empresário “serão cumpridas, rigorosamente”.
O pedido foi negado porque a Justiça considerou que os motivos que fundamentaram a prisão continuam válidos. A decisão também rejeitou a alegação de excesso de prazo, sob o entendimento de que o processo tramita normalmente. O Ministério Público se manifestou contra a solicitação.
Na decisão, a Justiça também destacou que Mendes já havia recebido autorização para responder ao processo em liberdade sob condições, mas descumpriu as determinações. Entre as ocorrências apontadas estão a saída do estado sem autorização judicial, o uso de documento falso e o descarregamento da tornozeleira eletrônica. Esses episódios motivaram a nova ordem de prisão.
Histórico de prisões
Mendes responde por furto qualificado e adulteração de sinal identificador de veículo. Em maio de 2025, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou denúncia contra o empresário, após sua prisão por suspeita de furtar obras de arte e outros objetos de um hotel e de um escritório de arquitetura na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.
O empresário deixou a prisão em 21 de julho de 2025, mediante condições para permanecer em liberdade, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, restrições de deslocamento e a apresentação mensal de relatórios médicos à Justiça.
Em 5 de janeiro de 2026, Mendes voltou a ser preso no Aeroporto Regional de Jericoacoara, no Ceará. Segundo o Ministério Público, ele portava documento falso e estava com a tornozeleira descarregada. Após audiência de custódia, foi solto, mas a Justiça do Rio decretou novamente sua prisão preventiva dois dias depois.
Crise da Hurb e ações de consumidores
A Hurb acumulou reclamações de clientes que compraram pacotes de viagem e não conseguiram viajar ou receber o dinheiro de volta. Em janeiro de 2026, reportagem da coluna de Mariana Barbosa, no UOL, apontou que Mendes devia mais de R$ 100 milhões a milhares de consumidores. A empresa não teria recursos suficientes para pagar os serviços previstos nos pacotes vendidos.
Consumidores que obtiveram decisões judiciais favoráveis também enfrentam dificuldades para recuperar os valores. Em abril, reportagem da coluna de Rogério Gentile, no UOL, mostrou que ações contra a empresa estavam sendo encerradas sem ressarcimento porque não eram encontrados bens ou recursos para penhora. Em um único dia, ao menos 13 processos foram extintos na Justiça paulista por esse motivo.
Defesa e manifestação do Ministério Público
O advogado Vicente Donnici informou ao UOL que deixou a defesa de Mendes naquela semana e disse não saber quem assumiu o caso. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) foi questionado sobre a identidade dos atuais responsáveis pela defesa, mas, até a publicação da reportagem original, não havia respondido.
O Ministério Público informou que verificava as informações solicitadas pelo UOL. O órgão foi questionado sobre sua manifestação a respeito do pedido da defesa, as providências para localizar Mendes e a eventual inclusão do empresário na lista de procurados da Interpol.

