A Imex America 2026 encerrou sua 15ª edição com mais de 17,8 mil participantes e 96 mil reuniões de negócios agendadas, além de debates sobre o futuro dos eventos corporativos. Realizada entre 13 e 15 de outubro, em Las Vegas, nos Estados Unidos, a feira é considerada o maior encontro do segmento Mice das Américas, que reúne os mercados de reuniões, incentivos, congressos e exposições. Presente no evento, a Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev) identificou quatro tendências que devem influenciar o planejamento de organizadores, fornecedores e empresas em 2027.
1. Neurociência e inclusão orientam novas experiências
A aplicação da neurociência ao planejamento de eventos foi um dos temas que despertaram a atenção de Luana Nogueira, diretora executiva da Alagev. A abordagem propõe compreender como os participantes respondem aos conteúdos, estímulos e ambientes, com atenção a fatores como percepção, concentração e comportamento. Esses aspectos podem ser considerados em todas as etapas da experiência, desde a inscrição até o encerramento, para melhorar o engajamento e mensurar o retorno sobre o investimento.
A inclusão de pessoas neurodivergentes também esteve entre os assuntos abordados na feira. Uma das sessões apresentou recomendações para tornar os encontros mais acessíveis a públicos com diferentes características cognitivas e sensoriais, por meio de adaptações na intensidade dos sons, na configuração dos ambientes e nas possibilidades de participação.
2. Bem-estar passa a integrar toda a programação
Outra tendência observada pela entidade foi a incorporação de iniciativas relacionadas à saúde e ao bem-estar em diferentes momentos dos eventos. Em vez de restringir essas ações a atividades específicas, a proposta é considerar as necessidades dos participantes desde a confirmação da presença até a circulação pelos espaços de exposição e o acompanhamento das palestras.
Entre as soluções identificadas estão ferramentas de gamificação para incentivar hábitos saudáveis e a inclusão de discussões sobre qualidade de vida nos palcos. A estratégia procura criar condições mais adequadas para que os visitantes aproveitem os conteúdos, estabeleçam contatos profissionais e participem das atividades com maior conforto.
3. Estandes apostam em experiências e interação
Os formatos de exposição também passaram por transformações, segundo a Alagev. Durante a Imex America, diferentes marcas utilizaram recursos visuais, ativações interativas, serviços de hospitalidade e experiências gastronômicas para despertar o interesse do público e favorecer o relacionamento com potenciais parceiros comerciais.
Hologramas, ambientes imersivos e estímulos sensoriais estiveram entre as ferramentas apresentadas por destinos e empresas. Essas iniciativas procuram tornar a visita aos estandes mais atrativa, prolongar o contato entre expositores e compradores e criar oportunidades de negócios a partir de experiências diferenciadas.
4. Relacionamento presencial mantém relevância comercial
Mesmo com a presença crescente de recursos tecnológicos, os resultados da Imex America demonstraram a importância dos encontros presenciais para o setor. Das 96 mil reuniões agendadas, 82 mil corresponderam a encontros individuais entre compradores e expositores. Outras 14 mil envolveram reuniões coletivas e apresentações comerciais, em uma programação que somou 48 mil horas de negociações durante os três dias de evento.
Para Luana Nogueira, os aprendizados da feira indicam que o mercado deverá equilibrar objetivos comerciais e qualidade da experiência dos participantes. “Não basta reunir pessoas em um mesmo espaço. É preciso entender como elas se conectam, absorvem os conteúdos e interagem com as marcas ao longo de toda a jornada. Vimos na IMEX uma preocupação com esses aspectos, inclusive com a aplicação da neurociência para avaliar o retorno dos investimentos. Para 2027, o desafio será transformar essas práticas em experiências que façam sentido para o público, sem perder de vista o principal papel dos eventos: aproximar pessoas e gerar negócios”, afirma.








