São Paulo (SP) – A eletrificação das frotas, a conectividade e a transformação dos modelos de negócios devem orientar os próximos anos da indústria automotiva. Essa foi a principal avaliação dos executivos que participaram, nesta quarta-feira (28), do painel “O Futuro da Mobilidade: tendências e perspectivas para o setor automotivo”, realizado durante a Expo Abla 2026, no São Paulo Expo.
Moderado por Milad Kalume Neto, sócio e diretor executivo da K.LUME Consultoria, o debate reuniu Carlos Meinert, diretor de Vendas Corporativas para a América do Sul da General Motors; Diego Fernandes, COO da GWM Brasil; Alexandre Baldy, vice-presidente sênior do Grupo BYD no Brasil; Guillermo Lastra, diretor da Ford Pro Latam; e Fernando Varela, vice-presidente de Operações Comerciais da Stellantis Brasil e de Veículos Comerciais Leves para a América do Sul.
Para Diego Fernandes, a eletrificação já faz parte da realidade do mercado, enquanto conectividade, conveniência e segurança ganham importância nas decisões de compra. O executivo também destacou o crescimento dos serviços por assinatura, especialmente entre consumidores interessados em experimentar novas tecnologias sem adquirir um veículo.
Alexandre Baldy, por sua vez, apontou as locadoras como agentes fundamentais para acelerar a adoção de veículos elétricos e híbridos. Segundo ele, a experiência proporcionada pelo aluguel permite que consumidores conheçam as tecnologias e avaliem seus benefícios, especialmente em relação aos custos de utilização e manutenção.
O executivo destacou ainda que motoristas de aplicativos e taxistas estão entre os públicos mais receptivos à eletrificação, devido à necessidade de reduzir despesas operacionais.
Novos modelos de negócio
Carlos Meinert destacou que a transformação da indústria exige uma atuação das montadoras que ultrapasse a comercialização de veículos. Segundo ele, serviços de pós-venda, conectividade e análise de dados serão essenciais para oferecer soluções mais completas às locadoras e aos clientes corporativos.
Na mesma linha, Guillermo Lastra defendeu que as negociações entre fabricantes e locadoras considerem o custo total de operação, incluindo financiamento, seguros, manutenção e valor residual, em vez de apenas o preço inicial dos automóveis.
Fernando Varela ressaltou a importância de uma transição energética adaptada às características brasileiras, com espaço para veículos elétricos, híbridos e motores flex. O executivo também destacou o papel do etanol e a necessidade de maior previsibilidade para os investimentos da indústria.
Apesar das diferentes estratégias, os participantes concordaram que a velocidade da eletrificação dependerá das necessidades dos consumidores e das particularidades de cada segmento.
Para as locadoras, o principal desafio será equilibrar inovação tecnológica, eficiência operacional e rentabilidade, com atenção especial à valorização dos veículos no mercado de seminovos e à oferta de serviços cada vez mais personalizados.









