São Paulo (SP) – A Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla) terá uma nova liderança a partir de janeiro de 2027. Paulo Miguel Junior, atual vice-presidente da entidade, foi eleito para assumir a presidência no triênio 2027-2029, ao lado de Luiz Felipe Nemer, atual presidente da Federação Nacional das Locadoras de Veículos (Fenaloc), que ocupará a vice-presidência. A nova gestão terá pela frente desafios relacionados ao cenário econômico, à modernização da legislação e às transformações do mercado de mobilidade.
Em entrevista ao Brasilturis durante a Expo Abla 2026, realizada nos dias 27 e 28 de outubro, no São Paulo Expo, o presidente eleito apresentou as principais perspectivas para seu mandato. Segundo ele, o momento exige atenção especial às condições econômicas do País, sobretudo diante dos juros elevados e do endividamento das famílias, fatores que afetam diretamente a atividade das locadoras.
Apesar das dificuldades, Paulo Miguel avalia que o setor possui oportunidades de crescimento, especialmente no segmento de terceirização de frotas. Isso porque, em períodos de instabilidade econômica, empresas tendem a vender veículos próprios para obter recursos e passam a contratar serviços de locação.
“É um cenário que, analisando as outras crises pelas quais o Brasil já passou, pode ser muito favorável ao setor de locação de veículos na terceirização de frota”, destacou.
Modernização da legislação será prioridade
Entre as pautas que devem receber atenção da nova presidência está a atualização de normas que, segundo Paulo Miguel, dificultam a operação das locadoras. O dirigente explicou que a entidade já apresentou propostas ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante uma reunião realizada em setembro, antes do primeiro turno das eleições.
Uma das principais reivindicações é a desvinculação das multas de trânsito cometidas pelos motoristas dos veículos pertencentes às locadoras. A proposta busca atribuir diretamente ao condutor a responsabilidade por infrações relacionadas à direção, como avanço de sinal vermelho e estacionamento irregular.
“Se é uma multa referente ao veículo, um pneu careca, uma lâmpada queimada, essa é responsabilidade da locadora. Mas a de condução, de passar no sinal vermelho, de estacionar no local proibido, é do condutor, não é da locadora”, explicou.
O presidente eleito também mencionou propostas relacionadas à responsabilidade civil e à tributação estadual. Segundo ele, a intenção é retomar as conversas com o governo federal para dar continuidade às discussões, embora ainda não exista uma data definida para um novo encontro.
Frota deve alcançar 1,8 milhão de veículos
Ao analisar o desempenho do setor, Paulo Miguel apresentou perspectivas positivas para o encerramento de 2026. Segundo ele, a frota nacional de automóveis e comerciais leves das locadoras deve alcançar aproximadamente 1,8 milhão de unidades, ante 1,717 milhão registrado ao final de 2025.
O executivo também destacou o crescimento das aquisições de veículos. Até setembro, as locadoras compraram cerca de 570 mil unidades, contra 420 mil no mesmo período do ano anterior. O resultado representa um avanço aproximado de 35,7%.
Paulo Miguel ponderou, entretanto, que nem todas essas aquisições representam crescimento efetivo da frota, uma vez que parte dos veículos foi destinada à renovação dos automóveis existentes.
Atualmente, cerca de 54% da frota das locadoras é destinada a contratos de longo prazo, incluindo terceirização para empresas e veículos por assinatura. Os outros 46% correspondem à locação diária, segmento que atende turistas, consumidores ocasionais e motoristas de aplicativos.
Somente entre os profissionais que trabalham com transporte por aplicativo, a estimativa é de aproximadamente 300 mil veículos alugados.
Turismo e eletrificação no radar
Para o Turismo, Paulo Miguel reconheceu que as condições econômicas podem limitar o crescimento da demanda por locação de veículos em 2027. Por outro lado, o avanço de novas modalidades de mobilidade e a diversificação das frotas devem criar oportunidades para as empresas do setor.
Entre as tendências mencionadas está a expansão da locação de motocicletas, impulsionada pela demanda por transporte individual e serviços de entrega. O executivo também apontou o avanço dos veículos eletrificados, embora considere que os preços ainda representam uma barreira para sua adoção em maior escala.
Segundo ele, aproximadamente 75% da demanda das locadoras permanece concentrada em veículos de entrada, como hatches, sedãs compactos e picapes pequenas. Nesse contexto, os automóveis elétricos e híbridos ainda enfrentam dificuldades para competir em preço com os modelos tradicionais a combustão.
Outro ponto de atenção é a desvalorização dos seminovos, especialmente diante da chegada de novas montadoras e das mudanças nos preços dos veículos novos. Para Paulo Miguel, a gestão da renovação das frotas será determinante para a rentabilidade das empresas.
Mesmo diante das incertezas, o presidente eleito acredita que o setor manterá sua trajetória de crescimento em 2027, embora considere prematuro estabelecer uma estimativa numérica para o próximo ano.
A partir de janeiro, a nova diretoria terá a missão de conduzir essas discussões e representar os interesses das locadoras em um período de mudanças econômicas, regulatórias e tecnológicas para o mercado brasileiro de mobilidade.









