O turismo nacional faturou R$ 192,9 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, alta de 3,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são de levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), elaborado com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Somente em agosto, a receita do setor chegou a R$ 24,5 bilhões, avanço de 2,6% na comparação anual.
O resultado representa o maior faturamento para agosto e também o maior valor acumulado nos primeiros oito meses de um ano desde o início da série histórica, em 2012. Apesar dos recordes, a entidade avalia que o crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento dos preços, e não pela expansão do fluxo de turistas.
Em agosto, as tarifas aéreas subiram 14,5%, enquanto o número de passageiros avançou 2,3%. No segmento de alojamento, a diária média também apresentou crescimento superior ao da taxa de ocupação. Para a FecomercioSP, a expansão baseada nos preços tende a ser menos consistente do que aquela sustentada pelo aumento do volume de consumidores.
Considerando o desempenho acumulado e o ritmo observado nos últimos meses, a Federação projeta crescimento de aproximadamente 3% para o turismo brasileiro em 2026. Caso a estimativa se confirme, o setor registrará mais um recorde de faturamento anual.
Transporte aéreo mantém maior faturamento
O transporte aéreo de passageiros liderou a receita entre os segmentos analisados em agosto, com R$ 7,7 bilhões e crescimento de 3,1% na comparação anual. No acumulado de janeiro a agosto, a atividade registra alta de 5%.
Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o número de passageiros transportados chegou a 9 milhões em agosto, recorde para o mês. O indicador RPK avançou 3,3%, enquanto a tarifa média passou de R$ 678,40 para aproximadamente R$ 777.
A perspectiva para os próximos meses é de manutenção da pressão sobre os preços das passagens. De acordo com a FecomercioSP, a permanência do petróleo em patamar superior a US$ 100 por período prolongado tende a manter elevados os custos operacionais das companhias aéreas, limitando possíveis reduções nas tarifas cobradas dos passageiros.
Alojamento sente pressão sobre o orçamento das famílias
O segmento de alojamento faturou R$ 5,1 bilhões em agosto, crescimento de 0,7% em relação ao mesmo mês de 2025. O desempenho mais moderado reflete, segundo a análise da FecomercioSP, os efeitos do crédito restrito e da pressão sobre o orçamento das famílias, especialmente nos pequenos negócios.
Os hotéis de maior porte, contudo, apresentaram resultados mais positivos. Indicadores do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb) apontaram crescimento de 2,4% na taxa de ocupação, 5,4% na diária média e 7,9% na receita por apartamento disponível (RevPAR) em comparação com agosto do ano anterior.
Alimentação registra maior crescimento percentual
A alimentação voltada ao turismo apresentou a maior alta percentual entre os segmentos em agosto. A atividade faturou R$ 3,9 bilhões, avanço de 7,5% na comparação anual e melhor resultado mensal registrado em 2026. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o crescimento chegou a 5,8%.
Na avaliação da FecomercioSP, o desempenho pode estar relacionado à retomada das atividades urbanas após o recesso escolar de julho, com a realização de eventos corporativos e acadêmicos no segundo semestre. A movimentação de restaurantes e estabelecimentos de alimentação fora do lar nos grandes centros também contribuiu para o resultado, mesmo sem depender diretamente dos períodos de maior deslocamento turístico.
Transporte aquaviário avança e locação recua
Entre os demais segmentos, o transporte aquaviário registrou crescimento de 8,1% em agosto, com faturamento de R$ 784 milhões. As agências de viagens e operadoras turísticas movimentaram R$ 1,7 bilhão, alta de 2,2%. O transporte rodoviário de passageiros também faturou R$ 1,7 bilhão, com avanço de 0,5%.
As atividades culturais, recreativas e esportivas somaram R$ 644 milhões, crescimento de 1,5%. A locação de meios de transporte foi a única atividade com resultado negativo no mês, com queda de 1,3% e faturamento de R$ 2,8 bilhões. Segundo a entidade, o desempenho pode estar associado ao custo elevado do crédito e à contenção dos gastos das famílias com deslocamentos.
São Paulo concentra 42% do faturamento estadual
Na análise por unidades federativas, que considera o turismo sem o transporte aéreo, o faturamento nacional chegou a R$ 16,7 bilhões em agosto, alta de 2,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Quinze estados apresentaram crescimento, enquanto 12 registraram retração.
São Paulo concentrou aproximadamente 42% da receita, com faturamento de R$ 7 bilhões e avanço de 4,3%. Entre janeiro e agosto, o estado acumulou crescimento de 3,6%, resultado associado ao fluxo contínuo de eventos e à movimentação do mercado paulistano.
Rio de Janeiro e Minas Gerais também se destacaram em volume absoluto. O primeiro registrou alta de 5,8%, com faturamento de R$ 1,5 bilhão, enquanto Minas Gerais avançou 4,1%, também com R$ 1,5 bilhão. No Sul, o Rio Grande do Sul cresceu 4,1%, com R$ 839 milhões, e Santa Catarina apresentou alta de 3,4%, alcançando R$ 886 milhões.
Em termos percentuais, as maiores altas foram registradas no Acre (16,7%), Amapá (11,7%) e Alagoas (9%). No sentido oposto, Tocantins apresentou a maior queda, de 23,6%, seguido por Piauí e Mato Grosso do Sul, ambos com retração de 7,7%. Pernambuco (-5,8%), Distrito Federal (-5%) e Paraná (-4,7%) também tiveram resultados negativos.
O levantamento foi elaborado pela FecomercioSP com base em informações do IBGE. A entidade ressalta que podem existir diferenças na magnitude das variações entre as fontes, embora as tendências observadas sejam semelhantes.









