Ao menos 16 voos foram afetados por ameaças de bomba em diferentes países da Europa nesta quinta-feira (5). As ocorrências provocaram desvios de rota, pousos de emergência e inspeções de segurança em aeronaves com destino à Itália, à Bulgária e a outros países do continente. Até o momento, nenhum explosivo foi encontrado. As informações são da CNN Brasil.
Os episódios acontecem dois dias depois de pelo menos sete aeronaves e um navio de cruzeiro receberem ameaças semelhantes na região. Na manhã desta quinta-feira, os alertas atingiram companhias aéreas e aeroportos, levando autoridades a acionar protocolos de segurança.
Voos afetados nesta quinta-feira
Entre os casos registrados está o voo EI402, da Aer Lingus, que partiu de Dublin, na Irlanda, com destino a Roma, na Itália. A aeronave foi desviada para a base aérea de Évreux, na Normandia, a cerca de 100 quilômetros a oeste de Paris. Segundo o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, os 151 passageiros e seis tripulantes desembarcaram em segurança. Autoridades francesas informaram à CNN que as ameaças eram trotes.
Outro caso envolveu um voo da Finnair entre Helsinque, na Finlândia, e Roma. Após receber uma ameaça de bomba, a aeronave foi escoltada pela Força Aérea italiana até o aeroporto da capital, onde pousou normalmente. Segundo uma fonte ouvida pela CNN, a ameaça foi descartada e as operações do terminal continuaram sem alterações.
Na Bulgária, três aeronaves realizaram pousos de emergência. Os voos que partiram de Copenhague, na Dinamarca, e Madri, na Espanha, tinham como destino Sófia. O terceiro partiu de Londres, no Reino Unido, com destino a Plovdiv, segunda maior cidade búlgara. Em comunicado à CNN, um porta-voz do Ministério dos Transportes da Bulgária afirmou: “Ao pousar as inspeções necessárias foram realizadas de acordo com os procedimentos aplicáveis e nenhum problema foi identificado nos três voos”.
Em Praga, na Tchéquia, quatro aeronaves foram redirecionadas após autoridades receberem alertas sobre possíveis “dispositivos explosivos improvisados”. A polícia local entrou em contato com o Aeroporto Václav Havel para preparar os pousos. Após inspeções, todas as ameaças foram descartadas. Um representante do aeroporto informou à CNN que os alertas sobre os quatro voos foram enviados por meio de um e-mail anônimo.
A Wizz Air também teve uma operação afetada. Um voo que partiu de Milão, na Itália, com destino a Bucareste, na Romênia, foi desviado após uma ameaça de bomba, segundo a agência de inteligência romena. A aeronave transportava 200 passageiros e pousou em segurança. A inspeção não identificou explosivos.
Outro alerta envolveu uma aeronave da LOT Polish Airlines que partiu de Varsóvia, na Polônia, com destino a Bruxelas, na Bélgica. O avião pousou em segurança no aeroporto belga, segundo informações da imprensa local.
Além desses casos, dois voos com destino ao Aeroporto de Malpensa, em Milão, pousaram normalmente, sem necessidade de alteração de rota. De acordo com a agência de notícias ANSA, equipes antibombas foram acionadas. Em Madri, três voos foram atingidos por falsas ameaças, mas as forças de segurança descartaram qualquer risco.
Ocorrências registradas nos últimos dias
As ameaças também afetaram operações aéreas na terça-feira (3). Na ocasião, pelo menos sete voos e um navio de cruzeiro receberam alertas, provocando inspeções e alterações nas operações aeroportuárias. Nenhum artefato explosivo foi encontrado.
Quatro voos da Ryanair foram afetados naquele dia, com ocorrências na Itália, na Espanha e na Bulgária. Dois deles, provenientes de Lisboa, em Portugal, e Dublin, na Irlanda, foram inspecionados no Aeroporto de Fiumicino, em Roma. Segundo a operadora aeroportuária ADR, aeronaves, bagagens, passageiros e tripulantes passaram por verificações antibombas. O alerta foi cancelado, sem ameaça ao aeroporto ou impacto sobre outros voos.
Na Espanha, o Aeroporto de Murcia acionou um protocolo de segurança após uma ameaça em um voo proveniente de Manchester, no Reino Unido. Todos os passageiros e tripulantes desembarcaram e passaram por verificações, enquanto as forças de segurança inspecionavam a aeronave.
Outro voo da Ryanair, que partiu de Dublin com destino a Sófia, na Bulgária, pousou em segurança com 185 passageiros a bordo. O Ministério dos Transportes búlgaro informou à Reuters que nenhum artefato explosivo foi encontrado durante a inspeção.
A Wizz Air também registrou duas ocorrências. Em 3 de novembro, um voo que partiu de Milão/Bérgamo, na Itália, com destino a Sófia recebeu uma ameaça de bomba. A aeronave pousou em segurança com 176 passageiros, e a inspeção não identificou explosivos. Já em 2 de novembro, outro voo da companhia, de Londres para Sófia, foi desviado para Budapeste, na Hungria. Um caça Gripen húngaro foi acionado para escoltar a aeronave, segundo o ministro da Defesa do país.
Na LOT Polish Airlines, um voo proveniente de Londres realizou um pouso não programado no Aeroporto de Varsóvia-Modlin, na Polônia, em 3 de novembro. Após o alerta, as operações do aeroporto foram suspensas e retomadas por volta do meio-dia. A aeronave passou por inspeção, enquanto passageiros e tripulantes aguardavam no saguão de desembarque.
Também em 3 de novembro, um voo da SAS Scandinavian Airlines entre Copenhague, na Dinamarca, e Varsóvia, na Polônia, recebeu uma ameaça de bomba. A aeronave pousou no Aeroporto Chopin, na capital polonesa, onde foi inspecionada. A companhia informou que o desembarque ocorreu em segurança, e as autoridades locais disseram que a ameaça não foi confirmada. O aeroporto manteve suas operações normalmente.
Ocorrência anterior em outubro
Em 18 de outubro, um voo da Austrian Airlines entre Tel Aviv, em Israel, e Viena, na Áustria, foi desviado para Sófia após uma suposta ameaça de bomba durante o sobrevoo da Romênia. Segundo o Ministério dos Transportes da Bulgária, um caça MiG-29 da Força Aérea búlgara escoltou o Airbus A320, que pousou cerca de 30 minutos depois do alerta.
A aeronave transportava 51 passageiros e seis tripulantes, que foram evacuados após o pouso. Não houve relatos de feridos. A Austrian Airlines informou que a inspeção não identificou ameaças e que o voo seguiu posteriormente para Viena com todos os passageiros.
Até o momento, nenhum país atribuiu responsabilidade pelas ameaças. Os episódios ocorrem em um contexto no qual autoridades europeias vêm responsabilizando a Rússia e o Irã por ações classificadas como “ataques híbridos” e atos de sabotagem. Moscou e Teerã negam envolvimento em qualquer campanha desse tipo.









