O setor hoteleiro paulista registrou R$ 430,8 mil em operações de microcrédito pelo Banco do Povo Paulista até setembro de 2026. Foram 24 financiamentos, o melhor resultado dos últimos quatro anos, segundo levantamento divulgado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo (SDE) em referência ao Dia do Hoteleiro, celebrado em 9 de novembro.
O volume já supera os valores registrados ao longo de todo o ano nos períodos anteriores. Em 2023, foram 20 operações, que somaram R$ 367,3 mil. Em 2024, o programa contabilizou 13 contratos, no valor de R$ 214,4 mil, enquanto 2025 encerrou com 15 operações e R$ 263,1 mil em financiamentos.
A maior parte dos recursos foi destinada a investimentos, que representam 94% das operações. Entre as aplicações estão reformas e ampliações de quartos, compra de aparelhos de ar-condicionado, enxoval e mobiliário, além da instalação de sistemas de energia solar. Os financiamentos chegaram a empreendimentos de 45 municípios paulistas, com concentração no Litoral Norte, especialmente em São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba, e nas regiões do Vale do Paraíba e da Serra da Mantiqueira. Aparecida, São Bento do Sapucaí e Tremembé estão entre os municípios contemplados.
As mulheres correspondem a 56% dos tomadores de crédito, e o valor médio por operação é de R$ 17,7 mil.
SP Produz apoia cadeias produtivas do turismo
Além do acesso ao crédito, a SDE aponta a organização dos empreendedores e a articulação entre os diferentes segmentos da atividade como caminhos para o desenvolvimento regional. Nesse contexto, o programa SP Produz estimula a estruturação de Cadeias Produtivas Locais (CPLs), reunindo empresas de um mesmo setor para desenvolver projetos e ampliar a competitividade dos negócios.
O estado conta atualmente com 31 CPLs ligadas ao turismo, incluindo aglomerados. Desde o lançamento do programa, seis cadeias do segmento receberam mais de R$ 2,5 milhões em fomento para a execução de projetos.
Um dos exemplos está em Analândia, no interior paulista, onde a CPL do Turismo trabalha para fortalecer os empreendimentos locais e ampliar a atratividade do município. Carlos Munhoz, proprietário da Pousada Villa Donn’Anna, ingressou no setor hoteleiro em 2015, quando adquiriu o estabelecimento, que já funcionava na cidade.
“Dos desafios da hotelaria aqui, um deles é atrair público para o hotel e para a cidade, mas o principal é a mão de obra qualificada e especializada. Por isso, nosso planejamento estratégico da CPL foi voltado à capacitação do trade turístico”, explica Carlos Munhoz.
Entre as ações planejadas pela cadeia estão cursos para camareiras, garçons e bartenders, capacitações em precificação de produtos turísticos, formação de guias, treinamento de brigada de incêndio e cursos de escalada. A proposta é qualificar os profissionais e aprimorar os serviços oferecidos aos visitantes.
A divulgação do destino também integra o planejamento, com a produção de um vídeo institucional sobre Analândia e iniciativas de gestão de mídias sociais, incluindo estratégias de divulgação e tráfego pago. Para viabilizar as propostas, a CPL do Turismo no município recebeu R$ 250 mil do SP Produz.
“É sensacional quando você mostra para o Governo do que você é capaz e ele te dá crédito. É como se alguém falasse assim: Então me mostra. E você vai lá e apresenta os indicadores de que você está fazendo aquilo e fazendo jus àquele valor. Isso não tem preço, é uma coisa formidável. É o que realmente movimenta a economia”, afirma Munhoz.
O empresário também destaca a cooperação entre os integrantes da cadeia produtiva como um fator para viabilizar iniciativas que ultrapassam os limites de cada empreendimento.
“Essa troca de experiências com outros empresários é fundamental. A partir dela surgiu a ideia de participar de uma CPL e conseguimos recursos para investir na divulgação da cidade. Com isso, atraímos visitantes que vão consumir nos restaurantes, se hospedar nas pousadas e fazer os passeios. É um trabalho que beneficia toda a cadeia, e não apenas um estabelecimento”, conclui.







